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7.2.13

Crítica: Argo


ARGO

EUA, 2012 - 120 min.
Drama / Suspense

Direção:
Ben Affleck

Roteiro:
Chris Terrio, Joshuah Bearman

Elenco:
Ben Affleck, Alan Arkin, John Goodman, Bryan Cranston, Tate Donovan, Taylor Schilling, Nelson Franklin, Kerry Bishé, Kyle Chandler, Rory Cochrane, Christopher Denham, Clea DuVall, Victor Garber, Zeljko Ivanek, Richard Kind

* Indicado ao Oscar 2013

É raro, porém, não impossível de se acontecer em Hollywood. Um profissional migrar para outra área da qual é muito conhecido e se dar bem. E se dar muito bem, é raríssimo. Felizmente, este é o caso. Aqui saí o rostinho bonito e uma atuação mediana (que aqui está muito competente) para entrar um Ben Affleck apaixonado. Uma paixão que começou em Medo da Verdade, evoluiu em Atração Perigosa e chega esplendorosamente em Argo. O terceiro longa do novato diretor exibe características de uma mente nova em uma indústria cansada, mas com a qualidade (quase) irretocável de um veterano.

A história verídica conta o inusitado plano da CIA em resgatar reféns no Irã em 1979, quando os EUA deu exílio para o xá Reza Pahlevi e o povo iraniano revoltado, fez 54 reféns na embaixada americana no país. Através do forjamento de um filme falso, o agente Tony Mendez tinha como objetivo levar para casa 6 americanos exilados em uma colônia canadense. Sobre identidades falsas, o grupo tentaria passar pelo aeroporto e, enfim, deixar o país.

Já aparentava uma missão suicida na época. Atualmente então, mais do que concreta, com o mundo tomado por tecnologias. Mas numa época que necessitava até de um intermédio entre uma ligação telefônica e outra, é insano, porém, compreensível. E Affleck entende isso e sabe administrar tudo com força, sem perder certo tom cômico, muito bem vindo. Sempre se policiando para manter a gravidade e intensidade da situação. A narrativa do longa se sobressaí das comuns dentro do gênero por envolver o telespectador com elementos menos maçantes, como acontece com relativa frequência. Possuí uma introdução interessante através de story boards, diálogos e câmeras rápidas sem cair exclusivamente no típico filme que serve como faixa de elogios e patriotismos. Aqui, o novato diretor expressa seu entusiasmo por Hollywood, inclusive à Warner Bros. (da qual não se cansa de elogiar em premiações) em diversos pequenos momentos, como a iconográfica caixa d’água da produtora. Interessante também como mantém os personagens em uma linha única de dramaturgia sem forçar intensas performances, como é de praxe no gênero, a fim de ganhar Oscar. Porém, o belo elenco, aliado a um competente figurinista e fotografo, dá muito bem conta do recado.

Ben Affleck escorrega, por momentos, em exibir certos exageros, como a forçada comemoração de desfecho que questiona o profissionalismo dos envolvidos, principalmente considerando os cargos preenchidos. A sequência desagrada por exibir certa infantilidade na direção, considerando o poder da mesma durante toda a película.  Mas nada que tire os inúmeros méritos de Argo. Que merece, e muito, todos os elogios e prêmios ganhos, mostrando a louvável evolução de um ator que era visto apenas como um rosto bonito. Agora, bonito e respeitável.

Nota: 9,2/10

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