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10.1.13

Crítica: Sem Limites


SEM LIMITES
Limitless 

Estados Unidos, 2011 - 105 min. 
Drama / Suspense

Direção: 
Neil Burger

Roteiro: 
Leslie Dixon

Elenco: 
Bradley Cooper, Robert De Niro, Abbie Cornish, Anna Friel, Jennifer Butler, Johnny Whitworth, Robert John Burk


A vida de Eddie Morra (Bradley Cooper) não podia ser mais vegetativa: em um pequeno apartamento imundo em Chinatown, o escritor é incapaz de escrever uma frase sequer por não conseguir ter foco ou força de vontade, que aparenta ser tanta, que falta-lhe higiene pessoal. Não demora muito e perde a namorada. Quando reencontra o ex-cunhado de seu primeiro casamento pelas ruas após longos anos, entre uma breve conversa, o jovem conta ao escritor que possui um medicamento diferente de qualquer outro, capaz de expandir a mente e fazer com que o cérebro trabalhe e explore os outros 80% (o ser humano utiliza apenas 20% da capacidade cerebral) que são inexploráveis pela mente. Com certa relutação, Morra acaba tomando o comprimido e em pouco tempo muda sua vida completamente. A medida que vai ficando dependente dos efeitos da droga, os efeitos colaterais vão surgindo, mostrando que atrás do mundo fácil e claro refletor do comprimido, esconde-se um mundo repleto de baixos.

O diretor Neil Burger, do ótimo "O Ilusionista", acerta em trabalhar a ambientação e a fotografia do longa para deixar mais tangível a ideia de clareza que a droga causa no protagonista. Quando o escritor está na pior, a palheta de cores se resumem a tons de cinza e céu nebuloso. Sob efeito do medicamento, cores vibrantes reinam junto da um aconchegante tom amarelado. Engenhoso (e de certa forma vertiginoso) também são as tomadas distorcidas de visão, que passam rapidamente pelos lugares, como se o protagonista conseguisse absorver cada virgula a sua volta. O ator de "Se Beber, Não Case" desenvolve um personagem muito convincente nos dois lados da moeda e cria a sintonia perfeita de humor e diversão que Burger que passar, sem em nenhum momento ser forçado ou dispersivo ao ponto de comprometer as cenas mais sérias. 

A medida que o escritor vai avançando com a droga, a inteligencia dele cresce esplendorosamente, assim como o roteiro. Não chega a ser uma questão de ambição, mas neste caso, de necessidade. Entretanto, diferente de Morra que consegue a todos os instantes achar resoluções para seus problemas e tampar furos em seus projetos, o mesmo não pode se dizer do texto que não consegue acompanhar a linha de sabedoria de seu protagonista. Erros que afetam, felizmente, apenas as sub-histórias do segundo plano do filme, mas que acabam acontecendo por algumas vezes e que poderiam ter sido absolutamente reparáveis em uma melhor analisada, perdendo um pouco a força de "perfeição" que o projeto exigia. 

De qualquer forma, "Sem Limites" é competente em sua visão geral em trabalhar muito bem todos os pontos que o longa inevitavelmente cria como questões e faz isso sobre um divertimento e tanto. 

Nota: 8/10

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