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10.1.13

Crítica: Os Infratores


OS INFRATORES
Lawless 

Estados Unidos, 2012 - 116 min.
Policial

Direção: 
John Hillcoat

Roteiro: 
Nick Cave, Matt Bondurant (livro)

Elenco: 
Shia LaBeouf, Tom Hardy, Guy Pearce, Jason Clarke, Jessica Chastain, Gary Oldman, Mia Wasikowska, Dane DeHaan, Bill Camp, Chris McGarry, Noah Taylor



Baseado em uma história real, que foi escrita pelo neto de um dos irmãos protagonistas, já deixa para os leitores (do livro)/telespectadores que tudo escrito sobre os Bondurant tem embasamento em suas lendas e folclores. Possibilidades à parte, "Os Infratores" se conclui como um dos melhores filmes do ano, com uma atuação de Tom Hardy, homem do ano, digna de Oscar (onde provavelmente será indicado).

Na trama, os EUA por volta de 1920, decidem criar a Lei Seca, proibindo uma gota sequer de álcool dentro do país. A lei obriga com que os irmãos Bondurant, fabricantes de destilados caseiros, vendam seus produtos ilegalmente. A medida que o governador percebe que de nada adianta a proibição nas cidades do interior, decide cobrar (mesmo ilegalmente) uma porcentagem em cima das vendas das bebidas. Quando os irmãos "lendários" renegam qualquer acordo, o governador contrata os serviços do insuportável Charles Rakes (Guy Pearce) para garantir que qualquer ilegalidade seja banida, mesmo que pra isso, transforme a pequena Franklin em um verdadeiro inferno.

A começar pelo soberbo elenco composto por Tom Hardy (em ascensão), Shia Labouf (redimindo-se completamente após as atuações automáticas em "Transformers 2 e 3), Gary Oldman (sempre maravilhoso), Guy Pearce (um vilão à lá Hans Landa, de Bastardos Inglórios), "Os Infratores" faz uma construção certeira e minuciosa em todos seus campos explorados: a bela fotografia que valoriza planos fechados e engrandece as cenas de maior drama, a ambientação pacata da cidadezinha de Franklin, o charmoso figurino e com um roteiro que cresce gradualmente a medida que o longa avança, John Hillcoat acerta em retratar a lenda dos irmãos de maneira que toda a cidade não apenas respeitem o trio, mas quase os cultuem pela fama de imortalidade, principalmente a do irmão mais velho, Forrest (Hardy). A lenda de fato funciona tanto, que a medida de que inúmeras situações acontecem, fazem com que o telespectador comece a se questionar internamente sobre a tal proeza, fazendo a ingenuidade dos cidadães de Franklin parecerem mais tangíveis e críveis.

A narração de Labouf é primorosa em não explicar mastigadamente cada cena do longa, mas em informar pontos ocultos da história sem precisar apelar para constantes flashbacks ou planos descartáveis. Os personagens tem um desenvolvimento extremamente consistente e feliz, todos conseguem ganhar espaço suficiente em tela, fazendo com que as cenas mais dramáticas são pareçam apelativas ou abusivas. Mérito também de Hillcoat é retratar todo o longa pela visão do irmão mais novo, que apesar de respeitar o irmão mais velho, não se inspira completamente nele e é neste momento que o filme consegue trazer suas melhores cenas e visões.

Talvez por ser baseado em uma história verídica (que de fato nunca saberemos até aonde é verdadeira), "Os Infratores" ganha méritos em todos os seus pontos por justamente não exagerar em dramalhões pesados ou falsos, aliado a personagens maravilhosamente bem desenvolvidos (seja por roteiro ou atuação), o novo longa do diretor de "A Estrada" consegue fazer com que o telespectador torça pessoas violentas, foras da lei e politicamente incorretas sem o menor arrependimento, sensação muito parecida com a de "Os Indomáveis" com Christian Bale e Russel Crowe. De fato um filme memorável.

Nota: 9,5/10



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