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17.1.13

Crítica: O Voo


O VOO
Flight

Estados Unidos, 2013 - 138 min.
Drama

Diretor:
Robert Zemeckis

Roteiro:
John Gatins

Elenco:
Denzel Washington, Kelly Reilly, Dom Cheadle, Bruce Greenwood

* Indicado ao Oscar 2013

Após uma longa jornada, não tão bem sucedida em animações, Robert Zemeckis volta aos live-actions com O Voo. Mais que retornar bem sucedido, o diretor de "De Volta para o Futuro" faz um elogiável e impressionante estudo sobre moral e justiça.

Na trama, somos apresentados à Whip Whitaker (Denzel Washington), um alcoólatra piloto de voos comerciais que, durante um voo de rotina, o avião sofre um grave problema técnico, condenando eminentemente a tribulação. Após milagrosamente conseguir pousar a aeronave com mínimos danos possíveis, Whitaker é considerado um herói. Durante uma investigação interna, é descoberto que Whip consumiu álcool antes do voo, comprometendo não apenas o ato de heroísmo denominado, mas sua liberdade.

Sem priorizar o desastre em si, Zemeckis decide em construir, profundamente, Whitaker. Com uma vida cheia de amarguras, Whip deposita toda a sua energia consumindo álcool e drogas. Principalmente pelo casamento mal sucedido, e por consequência, o afastamento de seu filho. Dentre inúmeras tentativas de parar com os vícios, a situação piora gradualmente. Apesar de tudo, é um homem integro. Tão integro, que dúvida de si próprio, mesmo tentando se convencer do contrário, de que todo o acidente foi amenizado por sua causa. Ninguém melhor que Denzel Washington poderia ter sido escolhido para o papel. Sem fazer nada parecer forçado ou clichê, suas expressões transpõem, maravilhosa e sutilmente, todas as características descritas anteriormente. Mesmo que o papel de bêbado seja, em si, utilizado em centenas e diversos filmes e personagens diferentes, Washington sabe caracterizar minuciosamente seu personagem. Impressiona, dramaturgicamente, quando consegue focar tudo em apenas um olhar. É como se seus olhos traduzissem toda sua inocência e sofrimento, ao mesmo tempo. Com uma fotografia que utiliza uma palheta fria e levemente sombria durante os momentos de embriaguez, sua desenvoltura beira a perfeição. Segue também, com muita competência, Dom Cheadle no elenco secundário.

O Voo atinge os limites de um homem confuso, entre fazer o que é certo ou a benefício próprio. O certo equivale a uma punição desnecessária e deixar de fazê-lo, significa ser injusto. Imoral. Seria fácil para o público determinar uma posição diante esta situação, se não tivesse um excepcional homem que salvou a vida de 95 pessoas, o inegável e penetrante carisma de Denzel Washington como barreira.

O retorno de Robert Zemeckis não poderia ter sido mais certeiro.

Nota: 8,8/10

3 comentários:

  1. No trailler a que assisti.a tradução diz que o avião se espatifou a 30 mil pés. Se espatifou, como ele pousou?

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  2. Não quero detalhar o longa, pois ele ainda não chegou em circuito nacional, mas o avião não despedaça. Talvez houve algum problema na tradução do idioma.

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  3. O avião faz um pouso forçado. O final é muito, mas muito piegas. Em 10, nota 5.

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