Procure uma crítica

10.1.13

Crítica: O Impossível

O IMPOSSÍVEL
The Impossible 

Espanha, 2012 - 107 min. 
Drama / Suspense

Direção: 
Juan Antonio Bayona

Roteiro: 
Sergio G. Sánchez

Elenco: 
Ewan McGregor, Naomi Watts, Geraldine Chaplin, Marta Etura, Tom Holland, Sönke Möhring, Oaklee Pendergast, Samuel Joslin

Em 2004, não houve ninguém que não tenha se emocionado com a tragédia que atingiu o oceano Índico um dia após o Natal. Foram 226.306 mil vítimas. Uma das maiores catástrofes naturais da história. Juan Antonio Bayona retrata toda a dor, caos e sofrimento das pessoas que estavam lá em “O Impossível”. Tocante, sensível e incrivelmente humano, o longa do diretor espanhol é um símbolo de esperança em um mundo cada vez mais indiferente ao próximo.

Para a condução da história, Bayona adapta o livro de Maria Belon (que tem o sobrenome trocado no filme), sobrevivente e protagonista do longa (vivida maravilhosamente por Naomi Watts), cuja a família é arrastada (e defasada violentamente) pela gigantesca onda e, diante do caos, tentam sobreviver.

A direção de Juan Antonio é inteligente em não criar diversos protagonistas para retratar amplamente toda a situação ocorrida e assim sendo, se perder no mal desenvolvimento de personagens. Através da família Bennett, o diretor busca conduzir o telespectador sob tomadas magníficas a tragédia que os cercam, mas esperto, sabe explorar tomadas abrangentes, que não faça o público esquecer que a película não fala apenas de uma família e sim, de toda a tragédia. Mas como a utiliza em situações e símbolos de todo o ocorrido, explora, impiedosamente às vezes, os atores para a extração mais refinada o possível de suas atuações para passar, em suas expressões, todo o pavoroso evento. O elenco está simplesmente irretocável. Impossível não se comover.

Obviamente que, em uma situação devastadora como essa, as gigantescas ondas são apenas o inicio do sofrimento e atento disso, Bayona conduz o público através de visões diferentes entre os membros da família Bennett para enriquecer sua obra e fazer com que o telespectador, através de inúmeras situações, tenha maior acontecimento das consequências do desastre natural. Em extrema competência, a cada tomada que avança, Juan se aprofunda humanamente e a emoção perante toda a destruição é eminente. E o diretor espanhol mostra-se inquietamente frio em não poupar o público de cenas torturantes de se presenciar, mas que retrata com extremo realismo (alias, a maquiagem do longa é absolutamente real e tão competente que torna-se quase tangível toda a dor e sofrimento dos personagens) o perturbador tsunami.

Com técnicas irrepreensíveis em geral, como a intensa (e extraordinária) cena em que o hotel da família é atingido pela primeira onda, e uma direção precisa e sensível, Bayona se faz questionar afinal a escolha do elenco, que apesar de extremamente competente em geral, deturpa levemente os protagonistas do acontecimento. Espanhóis, de nada lembram o elenco britânico, e de fato é questionável, pois os nomes típicos do país espanhol pouco convencem aos sotaques ingleses. Nada que tire a força da película, de fato.

Apesar da intensa cobertura jornalística na época, nenhuma reportagem consegue fazer as pessoas compreendem a brutalidade do ocorrido em 26 de Dezembro de 2004. Mas Juan Antonio Bayona consegue, através desta obra absolutamente tocante, fazer com que o telespectador sinta na pele a dor da destruição e quando ela ocorre, os padrões sociais simplesmente desabam e toca o lado mais profundo de cada ser humano, cada vez mais esquecido hoje em dia. 

Nota: 9,5/10


Nenhum comentário:

Postar um comentário

(Comentários de baixo calão serão moderados e excluídos)