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10.1.13

Crítica: Na Estrada


NA ESTRADA
On the Road 

França/Reino Unido/EUA/Brasil , 2012 - 137 min. 
Aventura / Drama

Direção: 
Walter Salles

Roteiro: 
Jose Rivera (roteiro), Jack Kerouac (livro)

Elenco: 
Garrett Hedlund, Kristen Stewart, Viggo Mortensen, Kirsten Dunst, Amy Adams, Steve Buscemi, Elizabeth Moss, Terrence Howard, Alice Braga, Tom Sturridge, Sam Riley

A ousadia de Walter Salles em querer adaptar o considerado maior clássico da geração Beat é semelhante a de quando Zack Snyder decidiu levar Watchmen às telonas, considerado pela crítica a melhor HQ de todos os tempos. E diferente de Zack, Salles decide não seguir com tanta fidelidade o material original, mas transpõe a essência de Pé na estrada (título do livro no Brasil - On The Road) e coloca em contrapartida, a implacável amizade entre Jack Kerouac (autor do livro) e Neal Cassady, ambos considerados praticamente heróis na década de 50, influenciando toda a contracultura americana e inspirando clássicos como Beatles e Bob Dylan. No entanto, o diretor brasileiro preocupou-se excessivamente em expôr a intensa e louca jornada dos amigos durante três anos, mas esquece, no fundo, de mostrar a verdadeira inspiração e força da amizade dos dois, algo que encantou toda a legião dos fãs do mega clássico ainda consagrado depois de mais de 50 anos.

Há um momento do longa, onde ambos os personagens, após uma intensa euforia de danças e amassos em uma festa descansam encostados em um carro na rua, onde Dean (nome fictício de Neal no livro) olha para Sal (Jack) e diz: “Faz tempo que não conversamos de verdade”. De fato. Salles se encarrega de mostrar entre atitudes e ações, todas as loucuras que carregam a amizade de ambos, mas, talvez na consideração de que a maioria dos telespectadores sejam fãs do livro, não desenvolve diálogos que consigam realmente convencer o público que existe uma intensa conexão entre os personagens, pois ao longo de 137 minutos, a relação baseia-se em drogas, sexo, fetiche e curtição. O longa só não perde totalmente seu propósito, apesar de não conseguir inspirar igual à obra original, pela infinita qualidade do diretor numa elogiável direção de atores, além de uma trilha sonora empolgante e uma fotografia belíssima (tão bela, que consegue fazer Kristen Stewart ficar interessante). Por falar em atores, o brasileiro coleciona aqui nomes de respeito: Amy Adams, Viggo Mortensen, Kirsten Dunst, Sam Riley. E consegue ótima interação entre eles. Tamanha a competência, que conseguiu extrair de Kristen Stewart uma atuação realmente encantadora e tão rara, que não consigo me lembrar de outro filme que tenha feito que não tivesse com as mesmas expressões (apáticas) de sempre. Mas quem rouba as cenas são um impressionante Garrett Hedlund que nem de longe lembra aquele garoto confuso de Tron: O Legado. A todo instante o público é contagiado pela sua intensa energia e empolgação, tamanha, que compreende-se, em partes, por que Walter Salles confiou tanto que Na Estrada fosse um longa de imagens e experiências.

Elas, sobretudo, pouco colaboram para o verdadeiro retrato de inspiração da geração Beat, que motivada pela contracultura da liberdade de expressão, anticomunistas e, sobretudo, assim como o clássico, despertou nas pessoas a vontade de ser livre, de tomar experiências únicas e viver uma vida intensa. Mas como contrapartida, Jack Kerouac e Neal Cassady pagaram prematura e amargamente o preço de seus estilos de vida.

Nota: 6,5/10

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