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9.1.13

Crítica: Melancolia


MELANCOLIA
Melancholia 

Dinamarca / Suécia / França / Alemanha , 2011 - 136 min.
Drama / Ficção científica

Direção: 
Lars Von Trier

Roteiro: 
Lars Von Trier

Elenco: 
Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Alexander Skarsgaard, John Hurt, Stellan Skarsgaard, Kiefer Sutherland, Charlotte Rampling


Quando Lars Von Trier teve audácia de fazer uma infeliz piada de humor negro sobre o nazismo, onde pouco tempo depois foi considerado "persona non grata" do Festival de Cannes e convidado a se retirar, ali, infelizmente não foi apenas a volta do diretor dinamarquês para casa, mas todas as chances de Melancolia levar o prêmio de melhor filme. Uma pena. Pois sem qualquer dúvidas, era o merecedor, muito mais até que Árvore da Vida, de Terrence Mallick.

Von Trier, mais que mostrar o fim do mundo em Melancolia, constrói belamente, através de duas divisões narrativas e sob perspectivas diferentes (as de Justine e Claire, vividas por Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg, respectivamente) como vivemos em um mundo em que, apesar de estarmos rodeados de outros seres externamente idênticos, vivemos solidões individuais e de até certo ponto, coletivas, dentro de todo o Universo. 

Com uma das mais belas e fascinantes (em minha lista pessoal, é a primeira) aberturas da história do cinema, Lars através de uma soberba fotografia e um poderosíssimo slow motion, junta todo o arco dramático da história para desenvolver imagens repletas de simbolismos e metáforas que além de ter como objetivo destruir a ansiedade dos espectadores sobre o eventual fim do mundo em questão retrata subjetivamente cada ponto dos muitos que o longa há de tratar. Tudo claro, na mais pura e polida arte, de encher os olhos com tamanho fascínio que as imagens proporcionam. 

No lado em que Von Trier tem sob foco Justine (Dunst), vemos uma pessoa cansada dos padrões da sociedade, de ter que seguir cerimonias e cumprimentos para agradar a todos, onde além de cansada de sorrir para o mundo enquanto cai em uma depressão e melancolia profunda, ainda sente que não pode contar com ninguém. Todos estão ali, perguntando a todo momento se ela está bem. Mas espiritualmente, tanto a irmã Claire, que está desesperada para que sua irmã não arruíne o casamento e para isso não tem um passo que não seja cronometrado, do outro o marido de Claire, que pagou uma "montanha" de dinheiro pelo evento, que por sinal, não cansa de dizer isso, teme ter desperdiçado seu dinheiro pela falta de interesse de Justine, assim como a mãe delas, um ser extremamente desprezível, que amarga e desespera cada vez mais sua filha depressiva. Há também seu chefe que a promove em plena festa com o intuito que ela o entregue um slogan para sua próxima campanha na noite do seu casamento e os convidados simbolizando o papel da sociedade no mundo, sempre sorrindo e aguardando os padronizados e esperados movimentos de Justine como noiva. Lars, como de costume, explora profundamente todos os sentimentos da personagem, mostrando intimamente seu sofrimento com toda aquela situação, não apenas de seu casamento, mas do mundo e da sujeira que a sociedade se propôs viver e como de fato, se a Terra é um lugar ruim, a vida, denominada sobre pressões, é má. Logo, quando o Planeta Melancolia está para destruir a Terra, é a calma e tranquilidade de ver tudo aquilo terminando que conforta Justine.

A segunda parte em que o diretor foca Claire, temos a perspectiva mudada sobre sua visão, o planeta se aproximando da Terra, dos cuidados que Justine necessita e que a irmã tenta desesperadamente manter a calma diante de uma situação que pode levar a humanidade a extermínio. Claire é a irmã "normal". Von Trier sabiamente a desenvolve para se conectar com os espectadores.

Com câmera na mão e delicadamente inquieta, Lars cria além de uma fotografia aconchegante e plasticamente irretocável, um realismo genial em todas as cenas da película, que, aliado ao poderoso roteiro e uma direção maravilhosa de atores, faz de Melancolia uma obra de se admirar em diversos aspectos, de ser contemplada por sua complexas cenas e principalmente, por conseguir tocar a alma do telespectador.

Seja o fim do mundo, a depressão, uma sociedade cheia de pressão e padrões, Lars Von Trier mostra que apesar de todos os defeitos, e que mesmo que tenhamos que pagar por todos eles, o amor por aqueles que nos cercam, é a única coisa que não pode ser tirada de nós e talvez seja a única coisa que de fato, una tantas pessoas diferentes.

Nota: 10/10



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