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23.1.13

Crítica: Indomável Sonhadora


INDOMÁVEL SONHADORA
Beasts of the Southern Wild


Estados Unidos, 2012 - 93 minutos
Fantasia


Direção: 
Benh Zeitlin

Roteiro:
Lucy Alibar e Benh Zeitlin

Elenco: 
Quvenzhané Wallis, Dwight Henry, Lowell Landes, Pamela Harper, Gina Montana, Henry D. Coleman

* Indicado ao Oscar 2013


É cada vez mais raro dentro do cinema um diretor desconhecido e novato abraçar seu primeiro projeto e logo de cara, obter extremo sucesso. A última vez que me lembro, no momento, de uma situação parecida foi com Neill Blomkamp e seu Distrito 9, que obteve ajuda do gigante Peter Jackson. Aqui, o estreante Benh Zeitlin teve um baixíssimo orçamento de uma produtora também novata em produções cinematográficas, a Court 13 Pictures. Para completar, os protagonistas da longa, Quvenzhané Wallis e Dwight Henry estreiam aqui em suas carreiras como atores. O Resultado tinha tudo para ser negativo e amador, no entanto, Indomável Sonhadora é um espetáculo de competências e criticas contra a sociedade.

A história conta a história de Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) e seu pai Wink (Dwight Henry) que vivem em um local denominado "A banheira", uma espécie de ilha que fora cercada pelas cidades ao seu redor devido o derretimento das calotas polares que ameaçam, em qualquer instante, deixar o local submerso. À medida que Wink fica doente, corre-se contra o tempo para ensinar a garota de 6 anos a sobreviver naquele local.

Logo de cara entendemos que o longa faz uma gritante referência ao furacão Katrina e sua imensa devastação. Zeitlin criou alguns anos a produtora do longa para promover o cinema independente em Nova Orleans depois da passagem do Katrina. A inspiração da "Banheira" remete-se a uma ilha próximo à Louisiana e que, a cada dia que se passa, desaparece um pedaço pelo mar que a consome e iguais aos teimosos moradores da "banheira", os habitantes da Isle de Jean Charles também resistem violentamente a abandonar o local. A ambientação quase pós-apocalíptica e perturbadora, encara o sofrimento dos habitantes de Nova Orleans quando o furação destruiu tudo. De certa forma, também questiona a relutação destas pessoas em deixar um local condenado. E é quando Behn atinge o telespectador.

Para a sociedade, os habitantes da "banheira" vivem uma vida miserável e desgraçada, de uma possível morte eminente, sem qualquer tipo de infraestrutura. Para a população do local, morar adentro aos muros que separam eles das cidades, é viver condenadamente presos a padrões e modos inaceitáveis, a seu ponto de vista. Considerando toda a nossa sociedade, cada vez mais cruel e violenta, os desastres, a extrema pobreza e o modo de enxergar destas pessoas ficam mais compreensíveis e instáveis em nós.

Para a realização deste difícil trabalho, Zeitlin conta com a excepcionalidade dos atores protagonistas. É surpreendente a performance de ambos. Quvenzhané Wallis atinge um nível incomum e raro de atuação para a sua idade. De um brutal convencimento. Sua performance equivale a de Abigail Breslin e Hailee Steinfeld em Pequena Miss Sunshine e Bravura Indômita, respectivamente. A fotografia inquieta do diretor alcança com êxito o realismo necessário do projeto e sabe, também, ser bela quando necessário.

Sem apelar para um dramalhão sem fim, o estreante diretor vai conduzindo a história sobre a narrativa e pensamentos da pequena garota. Em cima dela, constrói uma bela fabula para introduzir o telespectador a dois pontos de vista que devem ser compreendidos e relevados de maneiras diferentes. O que é real e o que, de fato, é imaginário e ilusório. Quando Wink promete a garota, ser rainha do local onde moram, é como se a garota fosse rainha de um castelo de ar. Afinal, a cada momento que passa, a "banheira" morre aos poucos. Ao encontrar uma gigantesca fera em um momento crucial da trama, Hushpuppy para de correr e os encara. Ali fica bem claro que todos os problemas daquele lugar devem ser batidos de frente, se quiserem viver lá. Não há ilusões, se não há esperança.

Sob uma relação violenta e conturbada com o pai, Hushpuppy entende o amor de Wink. São suas feras selvagens se trombando de igual. E aí, Indomável Sonhadora mostra a força de uma relação longe de rótulos e estereótipos, que exige incondicionalmente de um sentimento de vive no coração até dos mais brutais, o amor. 


Nota: 8,7/10


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