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9.1.13

Crítica: A Guerra Está Declarada


A GUERRA ESTÁ DECLARADA
La Guerre Est Déclarée 

França, 2011 - 100 min.
Drama

Direção: 
Valérie Donzelli

Roteiro: 
Valérie Donzelli, Jérémie Elkaïm

Elenco: 
Valérie Donzelli, Jérémie Elkaïm, César Desseix, Gabriel Elkaïm


Quando Juliette por ironia do destino encontra o amor de sua vida e descobre que seu nome é Roméo (Jérémie Elkaïm), a primeira pergunta da moça, em tom de brincadeira, é se o romance entre os dois pode acabar em tragédia, como o clássico de Shakespeare. E por qualquer ironia do destino ou não, ambos viverão uma passagem catastrófica da vida, que inevitavelmente, não há como sair ilesos. 

O romance entre o casal só cresce e pouco tempo depois Juliette dá a luz ao pequeno Arthur, ela como Roméo notam que a criança é diferente das demais, além de uma leve paralisia no rosto, o bebe vomita com frequência e apesar de estar próximo a completamente um ano, não há qualquer sinal de falas ou de caminhadas. Não demora muito para o choque aparecer, Arthur tem um tumor raro no cérebro, que inevitavelmente congelará a vida de ambos e de todos que estão ao redor para curar a criança.

Valérie Donzelli, que vive a protagonista Juliette ainda dirige o filme. É extremamente gracioso e incrível o trabalho de Donzelli em administrar muito bem as emoções da sua personagem, mas sabe, dar ao arco dramático, situações absurdamente interessantes para a trama sem em nenhum momento intervir no roteiro para se sobressair mais que os demais, coisa muito comum neste tipo de situação. A diretora francesa retrata toda a situação da doença, tanto com o casal, quanto dos familiares e amigos que estão a volta com muita delicadeza e um surpreendente tom da busca constante pela felicidade, nunca deixando que o tom do longa pese demais em situações desnecessárias, mas quando necessário, sabe orquestrar as cenas "pesadas" com muita competência. 

O maior apelo ou lição que A Guerra Está Declarada é mostrar como uma doença tão maligna quanto o câncer, destrói não apenas a vida da pessoa doente, mas aos poucos vai isolando os familiares, principalmente os pais, do mundo, onde todo o seu amor e dedicação se foca num único motivo de viver, se esquecendo de tudo o que se constrói a nossa volta, seja o apoio dos amigos e familiares, do emprego que mantém a vida progredindo e pagando todas as contas, ou do amor da pessoa que está ao nosso lado a todo instante, que mesmo diante de toda esta situação, pode ser destruído sem volta. A sutileza, o realismo e o maravilhoso carisma dos personagens fará com que qualquer espectador não saía inalterado da projeção, que apesar de ter um primeiro ato despadronizado e com algumas cenas questionáveis, se desenvolve e termina maravilhosamente bem.

Nota: 8,5/10



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