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10.1.13

Crítica: Frost/Nixon


FROST/NIXON

Estados Unidos, 2009 - 122 min. 
Drama

Direção: 
Ron Howard

Roteiro: 
Peter Morgan

Elenco: 
Frank Langella, Michael Sheen, Kevin Bacon, Sam Rockwell, Matthew Macfadyen, Oliver Platt, Rebecca Hall, Toby Jones

Quando Richard Nixon decidiu renunciar o cargo de presidente dos EUA depois das atrocidades cometidas por ele, a primeira reação do povo americano foi de revolta. Sim, revolta. Pois saberiam que com a renúncia, Nixon ficaria impune por tudo o que cometeu. Sendo assim, David Frost, um jornalista e repórter famoso por seus programas despretensiosos em Londres e Austrália, decide por conta própria organizar uma entrevista com o ex-presidente. Esta entrevista, no fim, se tornou o maior pico de audiência da história jornalística televisiva dos Estados Unidos. Mas, mais do que aproveitar a oportunidade de desmascarar novamente um dos presidentes mais (se não o mais) repudiado de toda a história política americana, Ron Howard mostra em Frost/Nixon, um homem que acima de tudo o que fez, certo ou errado, era alvo de seu próprio... complexo de inferioridade. 

Durante o longa, acompanhamos desde a renúncia de Nixon, até os maiores detalhes dos bastidores da entrevista, as pesquisas feitas, as improvisações e tudo o que foi necessário para uma das maiores entrevistas da história. Tudo isso sob retratos documentados sobre pessoas que fizeram parte de todo o processo de filmagens, uma entrevista que durou 8 horas, filmadas em 4 dias, com duas horas cada. O longa poderia parecer um sonolento monólogo sobre política, mas não, muito pelo contrário, Howard mostra extrema precisão em tomadas e closes, aliadas a magnífica trilha sonora de Hans Zimmer, constrói cada bloco da entrevista em um crescimento constante de tensão. Ao último bloco, o telespectador sente todo o fardo carregado por Frost e toda sua responsabilidade de desmascarar o ex-presidente em vídeo que, em breve, estaria na casa de cada americano.

Esta é a típica obra-prima que se sustenta pela maior e mais precisa forma de se fazer um filme: atuação, roteiro e direção. Qualquer outra coisa aqui, apesar de excepcionalmente bem produzida, fica em segundo plano. Se bem que, aqui, mesmo com um Ron Howard muito competente (o que nem sempre é assim), Michael Sheen sensacionalmente encantador, como de costume, é Frank Langella que, no ápice de sua performance, esmaga qualquer outro individuo que tente se destacar. O ator americano simplesmente incorpora Nixon. Seu timbre de voz é trabalhado de maneira sutil, porém, magnífica. Tamanha precisão consegue explorar pontos extremos de seu personagem, ora preconceituoso, ganancioso, dono de uma lábia tão astuta e perversa, que consegue fazer seus inimigos mais ardilosos, simplesmente cederem diante a sua prepotente presença. Ora encarna um Nixon insatisfeito diante o sistema. Sistema social. Há um cena, uma das melhores do longa, em que o ex-presidente liga para Frost pouco antes da última entrevista para uma conversa despretensiosa que, no fim, revela o complexo de alguém que almeja ser aceito, de todas as formas possíveis. Após ver todo o histórico de David, Richard conta que o sucesso da entrevista, é muito mais que revelações. É um duelo. Afinal, ambos são rejeitados de certa forma, cada um a sua maneira, pela sociedade. E o vencedor desfrutará, ao menos, momentaneamente, ser isento desta rejeição. E de fato, o que vemos durante o terceiro ato, é um duelo de titãs. Mas ao fim, o que atingem de maior vitória, é o rosto de uma pessoa envergonhada por tudo o que fez. E nesta hora, Ron Howard é impiedoso. É extremamente visível o constrangimento e o desconforto do ex-presidente diante um close-up que é cruel em segui-lo a cada movimento de esquiva da câmera. Simplesmente memorável. E nesta hora, nada mais resume a situação do que o clichê “Uma imagem vale mais que mil palavras”.

Frost/Nixon apenas não é irretocável por um exagero documental e didático, em determinadas partes, que sente uma necessidade leviana por explicar demais o que se vê em tela, de expressões e situações que são perfeitamente claras ao telespectador atento, mas nada é claro, tira o mérito desta obra magnífica e obrigatória. 

Nota: 9,4/10

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