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10.1.13

Crítica: Extermínio


EXTERMÍNIO
28 days later

Inglaterra, 2002 - 112 min.
Suspense/terror  

Direção:
Danny Boyle

Roteiro: 
Alex Garland 

Elenco:
Cillian Murphy, Naomie Harris, Noah Huntley, Christopher Dunne, Emma Hitching, Alexander Delamere, Kim McGarrity, Brendan Gleeson, Megan Burns, Luke Mably, Stuart McQuarrie, Ricci Harnett, Christopher Eccleston

Talvez por ter demorado dez anos para ver Extermínio (28 Days Later) e neste meio tempo ter assistido outras influências dentro do gênero, sendo a maior delas atualmente, The Walking Dead, há questões que o longa de Danny Boyle peca por não aproveitar tão bem o impacto que cria, mas ao fim, utiliza de sua arte para mostrar muito mais que zumbis e sangue, mas uma sociedade a motivada por instintos.

A sequência inicial mostra um grupo de ecologistas invadindo um laboratório de testes científicos para soltar macacos cobaias. Sem saber o real motivo que os animais estão presos, o grupo libera os animais que rapidamente começam a contaminar violentamente todos dentro da sala. O vírus é rápido, progressivo e transgride brutalmente o laboratório infectando toda a Inglaterra em 28 dias. Logo somos apresentados a Jim, um rapaz que estava em coma em um dos hospitais da cidade, se depara dentro de uma desolada Londres e logo perceberá que o local sofreu muito mais que o extermínio da população e sim continua com seus infectados.

Atualmente temos com frequência tomadas de cidades desoladas, como o próprio The Walking Dead e Eu Sou A Lenda, mas é admirável ver o impacto que o inglês consegue produzir em filmar Londres completamente vazia e solitária. Muito ajuda também a fotografia crua e takes “hand-cam” (câmera na mão) que contribui para o choque realista. Mas do que trabalhar as situações comuns dentro do gênero, Boyle decide retratar da solidão humana, da falta de esperança, da nossa própria autodestruição. É através de Jim (protagonizado com muita competência por Cilliam Murphy) e suas descobertas que vamos compreendendo a dor de alguém que acorda e se encontra sem absolutamente nada. Por outro lado, temos uma cidade em perfeita paz que apenas é perturbada por humanos e nem sempre os infectados. A necessidade de confiar no desconhecido ou mesmo de afeição, sabendo que há qualquer momento poderá deixá-lo ou pior: ser obrigado a matá-lo. É o extremo da autodestruição. Não muito distante da nossa realidade. “Certos fins não justificam os meios”, essa frase expõe o que soldados, em busca de sobreviventes, cometem quando se deparam que a resistência ao caos é inútil se não há como reconstruir e como instinto, o homem tenta fazer a força, a violência e esboça no rosto muito mais que vontade de repovoar: saciar o prazer próprio. Como desde o princípio dos tempos.

Em direção, Danny Boyle acerta em retratar temas com profundidade, mas peca, principalmente em primeira parte da película, por ser passivo dentro de sua proposta. Pelo fato também, de não aproveitar ótimas situações que são sugeridas através do núcleo central, como paranoia e medo do contágio, que só parece prestar a atenção em uma sequência, interessantíssima por sinal, em que um dos antagonistas é infectado por uma gota de sangue caída de um cadáver diretamente em seus olhos. Ineficaz também se mostra em algumas sequências de ação, que talvez tenha sigo inevitável devido ao baixo orçamento, mas que pioram pelos intensos cortes.

Contudo, Extermínio se expõe bravamente por quebrar as barreiras do gênero, contar com atores muito bons e ir além de intensas sequências de explosões de vísceras e trazer um pouco de reflexão na, cada vez mais superficial, Hollywood. Paul W.S Anderson e seus Resident Evil´s que o diga.

Nota: 7,7/10

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