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10.1.13

Crítica: Extermínio 2


EXTERMÍNIO 2
28 Weeks Later 

Inglaterra, 2007 - 99 min.
Ação / Ficção científica / Terror

Direção: 
Juan Carlos Fresnadillo

Roteiro: 
Rowan Joffe, Juan Carlos Fresnadillo, Jesús Olmo e Enrique López Lavigne

Elenco: 
Robert Carlyle, Rose Byrne, Catherine McCormack, Harold Perrineau, Imogen Poots, Garfield Morgan e Mackintosh Muggleton

Raríssimo no cinema, hoje em dia, sequências que conseguem realmente serem superiores aos seus originais. Felizmente aqui, Juan Carlos Fresnadillo mostra que fez a lição de casa e supriu em Extermínio 2 (28 Weeks Later) com competência o que faltava ao anterior. De quebra, mudou a narrativa do longa, aproveitando os clichês do gênero para mostrar mais uma vez, a necessidade da autodestruição. 

Quase seis meses após o primeiro longa, a infecção na Inglaterra chega ao fim fazendo com que o governo americano decida repovoar todo o país. Porém, diante a uma situação inesperada, uma nova infecção ressurge e ameaça novamente espalhar o caos.
A sequência de abertura do diretor espanhol é magnífica e extremamente competente em preparar o telespectador para o novo clima do longa. Espertamente, começa-o em melancolia progressiva e o corta violentamente com uma impiedosa chacina em uma família refugiada. Ainda o faz sob extrema repulsa de sanguinolentas contaminações e deixa outra questão que irá pender durante metade da projeção. Uma intensa sequência que consegue adaptar o público para o que virá.

O longa, antes de mais nada, se apoia em certos clichês dentro do gênero para reforçar a mensagem que Boyle havia transmitido ao longa anterior, clichês, diga-se de passagem, reproduzidos com muita precisão. Fresnadillo é sábio em utilizar o que já é conhecido dentro do gênero com certa moderação, pois no momento que necessita de criatividade e personalidade, o diretor espanhol não faz feio. Há, pelo menos, duas sequências na película que provam isso inquestionavelmente: o caos dentro da sala de contensão com milhares de pessoas presas e a cena em que, desesperados, os protagonistas são obrigados a entrar no túnel do metro, sem qualquer luz, em meio de incontáveis cadáveres, sob apenas a visão noturna de um rifle. Memoráveis cenas.

Quando o Juan Carlos decide que a povoação da Inglaterra será feita por distritos, e que apenas um deles começará o trabalho da repovoação, novamente somos arremessados à solidão. Mas nem o medo do retorno do caos, coisa questionada no meio do filme, é o suficiente para que os seres humanos deixem de cometer os mesmos erros. Claro instinto. O que Fresnadillo faz é maximizar e dar mais potência ao que Danny Boyle criou, mas isso sem parecer mais do mesmo. Em nenhum momento o diretor espanhol utiliza das mesmas situações anteriores para recriar a mesma sensação. Pelo contrário, termina de dizer que, apesar de buscarmos a sobrevivência, é através dela que cometemos as piores atrocidades. É um erro atrás do outro. Todos eles poderiam ser perfeitamente evitáveis, mas nunca os são. 

Só resta ao final de tudo mostrar que nós merecemos e devemos nos contentar com a autodestruição, pois é a única maneira que temos de nos vingarmos de nós mesmos. Juan Carlos perde apenas uma oportunidade durante ao longa que seria fazer menção a ironia dos EUA, país colonizado pela Inglaterra, estar agora colonizando seu país originário. Nada que uma bem-vinda sequência não possa suprir. 

Nota: 8,8/10

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