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20.1.13

Crítica: Django Livre

DJANGO LIVRE
Django Unchained 

EUA , 2012 - 165 min. 
Faroeste

Direção: 
Quentin Tarantino

Roteiro: 
Quentin Tarantino

Elenco: 
Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, Zoë Bell, Kerry Williams, James Remar

* Indicado ao Oscar 2013
  
Em 2009, quando Quentin Tarantino nos entregou Bastardos Inglórios, estávamos diante de um dos maiores jovens clássicos do cinema. A maior obra-prima deste diretor talentosíssimo retrava os horrores do nazismo sob seu olhar criativo e em cima de tamanhas atrocidades, preparava um delicioso plano de vingança contra os homens de Hitler. Em Django Livre, uma espécie de continuação e o segundo filme de uma possível trilogia, segundo o próprio diretor, segue os moldes de Bastardos Inglórios, mas dentro de outra terrível época: a escravatura. Divertidíssimo, afiado e surtado, o novo longa de Tarantino é um espetáculo imperdível, no entanto, incapaz de atingir a epicidade do tenente Aldo Raine e seus doentios soldados.

A trama retrocede o nazismo e volta para a escravatura. No sul dos Estados Unidos, onde a escravidão era ainda mais violenta Django (Jamie Foxx) é liberto pelo caçador de recompensas Dr. Schultz (Christoph Waltz). Em busca de vingança e procurando resgatar sua esposa, o escravo acompanha o alemão em sua jornada entre as fazendas do Texas e Mississipi até as terras de Candyland, do monstruoso fazendeiro Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), onde se encontra a esposa de Django.

Contido no longa dos nazistas no aspecto “sangue”, Tarantino se redime aqui em um espetáculo sanguinolento, característica registrada do diretor. A edição de som é audaciosa: de opera à rap, inúmeras músicas são adicionadas e trocadas durante o filme em uma questão de curtos takes. O mais impressionante é que em boa parte do tempo, o ritmo e contexto da trilha mudam radicalmente. Incrivelmente, isto funciona extremamente bem. Assim como a fotografia granulada e os closes violentamente forçados, dando o tom trash necessário exigido pelo roteiro. É a reencarnação dos clássicos filmes “B” de Tarantino, que sabiamente entendeu que não funcionariam em Bastardos Inglórios e que aqui cai como uma luva.

Outra característica de Quentin é o roteiro e Django Livre não faz por menos. Diálogos afiadíssimos, situações excelentes e uma construção de arco dramático admirável. É impressionante e extremamente louvável como o diretor consegue pular de extremos, sem prejudicar o clima da película. Tarantino compreende a seriedade do tema retratado e sabe ser sério quando necessário. Adiciona elementos clássicos da época e não polpa o telespectador (como nunca o fez) em presenciar o que muitos negros foram obrigados a passar naquela época. Ao mesmo tempo, saí destas cenas e volta ao clima trash/humor sem qualquer problema e intacto. Gênio.

Em Bastardos Inglórios, muito da potência do longa vinha dos atores. Em Django Livre, não é diferente. Christoph Waltz deixa coronel Hans Landa de lado e, ironicamente, faz o papel de um carismático e bondoso homem. Admirável como o ator austríaco consegue transformar todas as repulsivas características do seu papel nazista no filme anterior, para algo com que o público consiga se conectar com muita precisão. Jamie Foxx também não faz por menos no papel de Django. A química entre ele e Waltz é alucinante. O destaque, porém, vem de Leonardo DiCaprio e de um surpreendente Samuel L. Jackson.  Incrível a transformação de DiCaprio desde Titanic. A força que o ator fez para que sua carreira não vivesse à sombra do iconográfico Jack é admirável. Aqui, chega ao ápice de sua carreira e seus olhos a cada close, mostram a permanente mudança. Monstruoso e doentio, seu personagem é um poço de explorações que o ator sabe usar esplendorosamente. Já Samuel L. Jackson, que vive o empregado de Candie, em sua fazenda no Mississipi, é um espetáculo à parte. Fazia anos que L. Jackson não embarcava em um personagem tão divertido e memorável que conseguisse, de fato, fazer jus ao seu talento. É o personagem mais revoltante de toda a película e que traz os pontos altos do longa.

Retratando os horrores da escravatura, Tarantino consegue adicionar ao meio do caos narrativo que cria, pequenos detalhes culturais que fazem a experiência de Django ser ainda mais rica. É a mitologia romântica alemã, a minuciosa diferença cultural que abrange os personagens, principalmente entre Schultz (alemão) e Candie (sul dos Estados Unidos), que vem de situações extremamente simples, mas imprescindíveis, como o aperto de mão forçado pelo sulista. É Tarantino sendo Tarantino, em um subgênero que ele mesmo criou.

Django Livre é espetacular e obrigatório para os fãs do diretor. Mas atingir a perfeição de Bastardos Inglórios, não será um feito construído do dia para a noite. 

Nota: 9,2/10

Um comentário:

  1. Ainda não assisti, mas acredito que deve ser mesmo espetacular. Tarantino é fera.
    Estou ansioso para vê-lo.

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