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10.1.13

Crítica: Deixa Ela Entrar


DEIXA ELA ENTRAR
Låt den Rätte Komma In 

Suécia, 2007 - 110 Min.
Drama / Suspense

Direção: 
Tomas Alfredson

Roteiro: 
John Ajvide Lindqvist

Elenco: 
Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg

Em tempos onde vampiros desfilam em Volvos e brilham ao sol, o diretor sueco Tomas Alfredson constrói em Deixa Ela Entrar, sua maior obra-prima, muito mais que uma nostalgia da essência do que era ser um vampiro e sim transforma a milenar história em uma das metáforas mais belas e tocantes da história do cinema.

Na trama, somos apresentados ao frágil Oskar, cuja viva é atormentada por colegas de escola a todo instante e pela ausência dos pais, utiliza da passividade como encaro da situação. Em meio ao rigoroso inverno sueco e uma infinita solidão, o garoto conhece sua nova vizinha Eli, na qual enxerga, mesmo em negação, uma oportunidade para se ter um amigo. Mas a realidade, é que a garota, que sempre aparece apenas à noite e quase sem roupas de frio, não é uma menina qualquer.

Para transpor toda a solidão vivida por Oskar, Alfredson cria uma ambientação melancólica através de uma fotografia maravilhosa que trabalha o intenso inverno da Suécia (onde é comum anoitecer às 15:00) através de uma palheta de cores monótomas, tomadas abertas e uma trilha sonora que acerta, inteligentemente, em deixar grandiosas passagens do longa sem qualquer trilha ao fundo, ajudando ainda mais no arco dramático. O diretor sueco é igualmente eficaz em utilizar tomadas que evitam mostrar os rostos dos pais de Oskar para que o telespectador não os memorize ao longo do filme, que expressa sabiamente, o mesmo sentimento que o garoto sente, mesmos os pais tentando agradá-lo o pouco tempo que o vê.

Tomas utiliza de um principio arcaico, porém, de extrema eficacia aqui, para definir a fragilidade dos personagens visualmente: Oskar é loiro (simbolo angelical e inocente) e Eli, morena (simbolo de bravura e força). Diferente da abominável quadrilogia de Stephanie Meyer, o diretor não constrói uma distorção da realidade na relação entre Oskar e Eli sobre a condição da garota ser vampira. Mesmo com 12 anos, o garoto é infinitamente menos estúpido que Bella e encara o perigo de toda aquela situação para ele mesmo e reluta aproximação. Alfredson não polpa Oskar e nem o telespectador de encarar e ver Eli sobre todas as atrocidades e mortes que a garota faz para saciar a sua fome. Pelo contrário, em inúmeras sequencias mostram a brutalidade e de certa forma, animalesca forma de instinto da personagem. O que rapidamente expõem a real diferença entre as relações.

O resgaste do gênero, porém, pára por aqui. O diretor sueco utiliza do vampirismo aqui, magnificamente bem, para marcar dois níveis de extremos e de forma metafórica: de um lado temos Oskar, frágil e inocente, cujas características convertem a uma total covardia e passividade para enfrentar seus colegas de escola e Eli, de personalidade forte e decidida, que vive sob a terrível consciência de que é obrigada a matar para sobreviver, que a impede de ser feliz. E, é exatamente aqui o ponto soberbo da relação. Oskar sobre pressão da pré-adolescência, solitário e Eli, que apesar da aparência não possuí mais 12 anos, vive sobre reguardada esperança de passar a vida do lado de alguém que ame e faça esquecer, por instantes, que vive condenada. 

Deixa Ela Entrar consegue atravessar os esteriótipos de gêneros e desenvolve aqui, intensas sequencias de drama, romance e por sua consequência, terror. Sob uma história magnifica, executada com extrema competência, em todos os quesitos, seja eles técnicos ou artísticos e simplesmente reinventa o vampirismo sob uma belíssima metáfora, na intenção não de falar sobre vampiros, mas utilizar-los para transpor de todo o drama proposto. E o faz de maneira tão delicada, sensível e memorável, que sem sombra de dúvidas, é um dos melhores longas da última década. Simplesmente lindíssimo e imperdível. 

Nota: 10/10

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