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9.1.13

Crítica: Cosmópolis


COSMÓPOLIS
Cosmopolis 

Canadá / França / Itália / Portugal, 2012 - 109 min.
Drama

Direção: 
David Cronenberg

Roteiro: 
David Cronenberg

Elenco: 
Robert Pattinson, Kevin Durand, Sarah Gadon, Juliette Binoche, Jay Baruchel, Samantha Morton, Mathieu Amalric, Paul Giamatti


Cosmópolis tenta a todo instante filosofar entre um mundo onde morte, crueldade, luxo, poder e ambição são meros reflexos de um único objetivo: dinheiro. David Cronenberg, aqui assina sua primeira direção após o excelente "Um Método Perigoso" cujo longa protagonizado por Michael Fassbender também se aproveitava de um ritual de filosofias (afinal o longa retrata o próprio Freud), porém aqui, atrás de tanta estética e diálogos excessivos a produção se perde entre uma premissa muito interessante.

Robert Pattinson vive o bilionário Eric Packer que decide cortar o cabelo em uma barbearia no outro lado da cidade em um dia em que a mesma possui inúmeros problemas com segurança devido a chegada do presidente dos EUA e o funeral de um cantor famoso de rap. Mesmo sendo avisado dos inúmeros problemas, Packer desacata os conselhos e decide seguir sua viagem e é neste instante que começa a odisseia sobre a estranha e perfeccionista vida do bilionário.

Cronenberg acerta em estabelecer um tom de incompatibilidade entre o protagonista e o telespectador, sabiamente boa parte do longa é filmado dentro da luxuosa e exagerada limousine e é exatamente nela que vai acontecendo inúmeras e bizarras situações que engenhosamente bem direcionada, mostrará o mundo particular de uma pessoa que não possui a menor noção do verdadeiro mundo que gira a sua volta. Pior ainda, não esboça o menor sentimento por absolutamente nada e é dentro desta infinita insensibilidade que o personagem enfim se revelará aos poucos quem realmente é e suas verdadeiras intenções.

O diretor canadense acerta em inúmeros aspectos: a atmosfera, fotografia, atores, design de produção, um figurino esplendorosamente impecável (que ajuda inteligentemente a construir e destruir o protagonista) e conduz o espectador ao caminho correto das mensagens que o longa pretendia passar. Os problemas se revelam a medida que Cronenberg constrói um filme quase perfeito em sua estética, de um perfeccionismo admirável e parece achar que uma lapidação ao roteiro seria desnecessário tamanho acerto em seu visual. Tolice.   Cosmópolis se torna arrastado, quase tedioso em determinadas partes, utiliza de uma subjeção tão profunda que compromete parte de seu entendimento e tenta filosofar com frases tão superficiais quanto Packer mostra-se ser. Para ele não importa o preço, mas sim uma questão de querer. Não importa se precisa ou não. Se tem e pronto.

Nota: 6,5/10


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