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9.1.13

Crítica: Capote


CAPOTE
Capote

Estados Unidos, 2005 - 98 min.
Drama 

Direção:
Bennett Miller

Roteiro: 
Dan Futterman, baseado no livro de Gerald Clarke.

Elenco: 
Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Clifton Collins Jr., Chris Cooper, Bruce Greenwood, Bob Balaban, Amy Ryan, Mark Pellegrino, Allie Mickelson, Marshall Bell


Excêntrico, persuasivo, brilhante, aproveitador e narcisista Truman Capote esperou tirar proveito de uma desgraça acontecida em 15 de Novembro de 1959, onde numa cidadezinha dos EUA, Perry Smith e Richard Hickcock assassinaram brutalmente uma família, a troco de absolutamente nada. Quis se aproximar dos assassinos já presos, em especial Smith, para escrever com todos os detalhes e intensidade A Sangue Frio, livro que posteriormente, tornou-se a sua maior obra-prima. O que Capote não contava era que sua aproximação dos assassinos, dentro dos seis intensos anos que ficaram aguardando suas execuções, sentimentos surgissem perante a uma situação de final previsivelmente trágico. Dentre os sentimentos mais destrutivos foi a culpa que, inesperadamente, levou Truman a ser uma das vitimas dos assassinos, com o passar do tempo. 

A construção de Phillip Seymour Hoffman para encarnar Capote é de uma perfeição e flexibilidade sem limites. Vencedor merecidamente do Oscar, Hoffman traduz toda a complexidade que o escritor escondia através de seu exorbitante comportamento perante ao publico e aos poucos, demonstra também que a perversidade da ambição que Truman tinha por A Sangue Frio, não possuía limites para que se tornasse um anfíbio emocionalmente. Ambições que o levaram a um beco, melancolicamente, sem saída. Pois apesar de tudo o que era, esquecia do fato de ter necessidades humanas. 

A direção de Bennett Miller é soberba em explorar uma narrativa densa, fria e dramaticamente distante, pois afinal, as intenções de Capote parecem ser tão grandiosas que, de certa forma, torna-se para o próprio escritor algo que ele mesmo não pode claramente explicar como conseguirá obter o resultado. Miller sabe valorizar corretamente a necessidade de apostar nos atores o que de melhor o filme apresenta, mas não falta-lhe competência para estabelecer um filme tecnicamente excelente.

A única ressalva que o longa apresenta, é deixar excessivamente subjetiva a relação entre Capote e Smith, onde homossexual assumido, o escritor nutriu certa paixão pelo assassino. Mas o fato, que desencadeou inevitavelmente outros é apenas um: não importa quem ele amava, ou o que sentia, era o sucesso e a conclusão de sua obra que mais importava. Mal sabia ele que tantos sacrifícios, seria de fato, sua própria vida.

Nota: 9,5/10



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