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27.1.13

Crítica: As Aventuras de Pi


AS AVENTURAS DE PI
The Life of Pi


Estados Unidos, Taiwan, 2012 - 127 min.
Aventura / Drama


Direção: 
Ang Lee

Roteiro:
David Magee


Elenco:
Suraj Sharma, Irrfan Khan, Tabu, Adil Hussain, Gerard Depardieu, Rafe Spall


* Indicado ao Oscar 2013

Ang Lee é um diretor cujas competências e qualidades ultrapassam gêneros, tornando-se incrivelmente flexível. De super-herói para um romance homossexual, da espionagem chinesa para Woodstock, são exemplos desta habilidade em citação aos seus 4 últimos trabalhos. Agora Lee adapta o livro de Yann Martel “The Life of Pi”. Através de simbolismos e metáforas indianas, o diretor taiwanês concebe As Aventuras de Pi sobre fé, religião e vida.

A adaptação conta a história de um garoto indiano que está mudando com sua família para o Canadá em busca de melhores oportunidades de trabalho. De navio, a família leva consigo alguns dos animais que possuíam em seu zoológico de seu país de origem. Diante uma terrível tempestade, o navio afunda levando Pi a permanecer em um bote salva-vidas com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre. Através da narração do próprio garoto já bem mais velho, vamos conhecendo detalhes junto de um escrito cético que foi persuadido por um familiar de Pi a conhecê-lo para provar a existência de Deus.

Para que o protagonista tivesse intensa interação com os animais, em especial o tigre, Ang Lee se apodera de uma computação gráfica extremamente eficaz. Mesmo sabendo que na vida real a interação com o animal seria praticamente impossível, Lee consegue executa-la em CGI de forma que o telespectador esqueça completamente após um tempo que o animal, de fato, não é real. Precisa, a fotografia capta com competência aos ambientes de cena (que utilizam com precisão elementos indianos, sem exagerar), sequências de ação, dialogo e interações. Só peca quando força, através da perfeição, deixar o longa artisticamente espiritual com uma palheta de cores que artificializam determinadas cenas. Erro cometido com bastante frequência em “Um Olhar do Paraíso”, de Peter Jackson. Em algumas escolhas criativas, o diretor taiwanês faz As Aventuras de Pi lembrar o mundo de Pandora, em Avatar. Quando o garoto consegue chegar a uma exótica ilha, ao anoitecer, é inegável a semelhança com a película de James Cameron, apesar da adaptação não ser, nem de longe, uma cópia do filme de 2009.

O diretor de O Segredo de Brokeback Mountain espelha todas as abordagens de “The Life of Pi” nos animais que cercam o garoto, reforçando a força no núcleo central através da cultura indiana e seu misticismo. O tigre, por exemplo, representa todas as dificuldades que o garoto precisará enfrentar e não apenas livrar-se, como se adaptar a elas. Em cima do naufrágio, testa a fé de uma pessoa confusa sobre o que realmente acreditar. Entre simbolismo e metáforas indianas faz, acima de tudo, apologia da fé. Acreditar em Deus, possuir fé além do retorno recebido ou de ter compreendido as verdadeiras razões do criador do universo sobre nossas vidas, pois no fim, ele sabe o que faz. E independente da sua crença, faça o melhor que puder fazer, para você ou para os outros, um dia, terá sua recompensa.

A adaptação de Ang Lee ao conceituado livro demonstra todo o respeito exigido pela obra. Anteriormente ao longa entrar em produção, M. Night Shayamalan havia cogitado para dirigir o filme e, felizmente, isso não aconteceu. E acho que não é necessário justificar isso, A Vila, Dama na Água, Fim dos Tempos e O Último Mestre do Ar dizem por si próprios. 

Nota: 8,8/10

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