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19.1.13

Crítica: Amor


AMOR
Amour 

Áustria, 2012 - 125 min.
Drama

Direção:
Michael Haneke

Roteiro:
Michael Haneke

Elenco:
Emmanuelle Riva, Jean-Louis Trintignant, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud

* Indicado ao Oscar 2013

Michael Haneke, assim como Lars von Trier, faz parte de uma pequena lista de diretores que conseguem extrair de, aparentemente, pequenos projetos, um vasto campo de reflexão, sentimentos, de maneira maciça e permanente na mente do telespectador. Diferente do diretor dinamarquês, Haneke utiliza simbolismos e metáforas mais próximas à visão da realidade, permitindo que o público se conecte assombrosamente com suas obras. Em Amor, o diretor austríaco concede a sua visão perante o fim da vida. Em um misto de silencio e angustia, ele nos conduz a uma eminência que prova que nem todos os rodeios podem nos preparar para a morte.

Na película conhecemos Georges e Anne, um casal de músicos idosos que, aposentados, desfrutam da velhice.  Um dia, repentinamente, Anne sofre um derrame que lentamente vai destruindo a vida do casal.

Desde a abertura, até o último take, Haneke é perfeito em todas as suas escolhas. A fotografia, ambientação, trilha sonora (ou a ausência dela), os closes, iluminação são de extremo bom gosto e precisão para contextualizar todo seu trabalho. A inteligente abertura demonstra a força de todo o arco dramático que é construído durante a película, assim como von Trier fez em Melancolia. Já as atuações de Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant são simplesmente indescritíveis.  Desde a incorporação dos personagens, interação e minuciosas expressões que exploram, gloriosamente, cada sentimento, seja de amor ou dor, que ambos passam desde a primeira sequencia do longa até o fim. Absurdamente soberbo, encantador e memorável.

A direção de Haneke é um universo à parte.  Desde a sutileza do diretor em deixar imóvel a câmera para a plateia no começo do filme, mostrando delicada e respeitosamente a expressão do público e importância do discurso que antecede a apresentação do concerto diante da arte e a experiência única que só pode ser sentida pelas pessoas que, de fato, estão presente no momento, até a combinação visual e sonora para demonstrar friamente (mesmo que, em todo o tempo, utilize uma ambientação aconchegante) ao telespectador a vida de duas pessoas, que se amaram durante décadas, criaram um lugar no mundo que pudessem viver sob seus gostos, e com a aproximação da morte, tudo começa a parecer histórico demais e antiquado. É o tempo mostrando a força de uma nova geração se aproximando e apagando, involuntariamente, a antiga.  Quando tudo se vai, olhar para cada parede do aconchegante e espaçoso apartamento do casal é ver a exposição de toda uma adorável vida que foi reduzida a lembranças. 

Amor em todos os momentos se declara, sutilmente, como uma obra-prima.  Uma silenciosa e triste viagem entre o fim da vida e a morte, orquestrada de forma majestosa por um dos melhores diretores da atualidade.

Nota: 10/10

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