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10.1.13

Crítica: 007 - Operação Skyfall


007 - OPERAÇÃO SKYFALL
Skyfall 

Estados Unidos / Reino Unido, 2012 - 146 min. 
Ação

Direção: 
Sam Mendes

Roteiro: 
Neal Purvis, Robert Wade, John Logan

Elenco: 
Daniel Craig, Javier Bardem, Judi Dench, Bérénice Marlohe, Ralph Fiennes, Ben Whishaw, Naomie Harris, Helen McCrory, Albert Finney, Ola Rapace

A remodelagem de 007 em 2006 com "Cassino Royale" foi tão necessária e assertiva quanto a trilogia de Batman, de Christopher Nolan. Havia uma necessidade de retirar o excesso de fantasia e criar um personagem mais tangível ao público, que não perdesse toda a áurea glamourosa, mas que fosse mais humano. Ambos foram extremamente competentes. A diferença entre o longa de Martin Campbell e a trilogia de Nolan, é que Sam Mendes, que assina a direção aqui, além de saber administrar perfeitamente a mudança do espião, consegue colocar o personagem em uma retrospectiva sensacional, unindo o que havia de melhor com o que foi criado de melhor (recentemente). Nesta luta interna de brilhantismo, o filme de Marc Foster (Quantum of Solace) come poeira.

Na trama, a lealdade de Bond a M é testada quando o passado dela volta a assombrá-la. Com o MI6 sob ataque, 007 deve rastrear e destruir a ameaça, mesmo que isso tenha um custo pessoal.

É difícil dissecar um projeto tão competente quanto Skyfall pelas suas inúmeras peculiaridades. Tão acertadas e meticulosas que torna-se complicado tentar falar de todas sem esquecer de algumas. A fotografia de Stuart Baird (o mesmo de Cassino Royale) é um universo à parte, tamanha beleza e objetivação. Baird possui flexibilidade através de uma criatividade incrível ao registrar inúmeras cenas distintas sem perder a identidade visual. É brilhantemente sofisticado quando necessário, ágil e inteligente nas sequencias de ação: sabe empolgar e divertir sem exagerar os cortes ou deixando tomadas excessivas. Com muita competência também sabe deixar o universo do espião e criar uma ambientação opaca e atípica do personagem, de maneira crua, coisa rara em um blockbuster de 200 milhões de dólares, quando é necessário. 

Sam Mendes genialmente mantem um humor extremamente peculiar e esperto em expor situações cômicas e falas afiadas sobre os filmes anteriores e a adaptação do personagem sobre seu novo eu. O roteiro é assertivo em exibir por diversas vezes esta questão, mas se supera ao questionar, humanamente dizendo, as competências do espião frente à idade. Trabalha com muita competência na transgressão de Bond, sem perder as características que definitivamente movem o personagem. 

O diretor inglês mostra não brincar em serviço e traz consigo dois atores do topo da gama européia pra deixar Skyfall ainda mais épico: Javier Bardem e Ralph Fiennes. Ambos dispensam apresentações e cumpre com muita competência seus papéis, mas Bardem vai além e traz um dos vilões mais divertidos desde "Onde Os Fracos Não Tem Vez" e Batman: O Cavaleiro das Trevas. Talvez justamente por Bardem unir Coringa e Chigurh sem copiá-los. Trabalho de gênio. Sem dizer muito para não estragar a experiência, Silva (seu nome no filme) é audacioso, divertidamente louco e legal em proporções memoráveis. Como não poderia ser por menos, o trabalho de Daniel Craig e Judi Dench atingem o ápice da execução de seus personagens. Ambos entendem perfeitamente suas necessidades e Craig, meticuloso, garante com louvor o trono de melhor Bond da história.

Esqueça também a abertura mediana de Quantum of Solace, Sam Mendes, aliado a espetacular trilha de Adele e o Stuart Braid, entregam aqui, uma das aberturas mais memoráveis do cinema e a melhor da franquia, ultrapassando até a excelente abertura da película de Campbell, com "You Know My Name" de Chris Cornell. Falando em trilha sonora, a composição de Thomas Newman capta perfeitamente a essência que Skyfall precisa e soberbamente mixa a sensacional trilha sonora de "Cassino Royale" as iconográficaS trilhas dos clássicos anteriores. É espetacular. Com tamanha precisão, 007 - Skyfall faz uma deliciosa viagem ao tempo sem perder a fabulosa criação de Campbell, com um vilão divertidamente caricato, um roteiro de 'alinhação' irrepreensível, atores maravilhosos. É o que há de melhor em James Bond, nos novos e nos clássicos. Só que melhor.

Nota: 10/10

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