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9.1.13

Crítica: Anticristo

ANTICRISTO
Antichrist

Dinamarca / Alemanha / França / Suécia / Itália,
2009 - 109 min 

Terror

Direção:
Lars Von Trier

Roteiro:
Lars Von Trier

Elenco:

Willem Dafoe, Charlotte Gainsbourg



Dizem que o ápice da arte se alcança somente quando o artista enfrenta extremos dentro de seu interior. E se há alguma coisa muito clara em Anticristo, é a sua forma literal e crua da mais pura arte, mas também de todo o sofrimento por trás de seu realizador. 

Lars Von Trier sofre em Anticristo, assim como submete seus personagens. Através dos seus mais terríveis sonhos, pensamentos, sofrimentos e desejos depressivos, a película é a forma física e concreta de um conjunto de tudo o que o diretor dinamarquês passou durante a sua depressão profunda e a utilizou não apenas como meio de cura, mas de repassar o que sentia para sua plateia. A experiencia nem de perto é agradável, isso não quer dizer que não seja incrivelmente brilhante, genial, de uma beleza sublime, assim como perturbador, doentio, sádico e assustador. Assustador talvez seja a palavra para definir o medo de pensamentos tão doentios, mas tentadoramente reflexivos. O que acaba colocando, inevitavelmente, o telespectador dentro das inúmeras metáforas e simbolismos que percorrem Anticristo que, de certa forma, é subjetivo em sua grande maioria e igualmente complexo por explorar inúmeros temas, ideias e ideais, que o diretor faz questão que o julgamento caiba ao telespectador. Mas isso não o impedi de deixar a pergunta que martela durante todo o filme, bastante clara. 

De cenas memoráveis seja elas por quais motivos sejam, lindíssimas ou repugnantes, nada fica imparcial no filme de Von Trier, alias, técnicas fotográficas, sonoras, de ambientação ou de estrutura de roteiro beira a perfeição pela pessoalidade e acima de tudo, pelo compreendimento do diretor de saber exatamente como atingir ao público sem lhes entregar nada antes do previsto e isso inclui, genialmente, as inúmeras torturas que o expectador sofre durante a projeção. As atuações de Williem Dafoe e Charlotte Gainsbourg são espetacularmente bem feitas, em especial, Gainsbourg que sem qualquer dúvida, reproduz um dos papéis mais difíceis da história do cinema com a devoção que um artista sacrifica os meios pelos fins.

Sem querer retratar absolutamente nada sobre a trama, cuja a experiencia é memorável, até mesmo para quem não goste do filme (o que obviamente não é meu caso), Anticristo é não apenas obrigatório para qualquer cinéfilo ou amante da arte, mas como uma das maiores obras-primas já criadas no cinema. Ironicamente, nunca foi o objetivo do diretor, mas não sinta-se plenamente feliz, acredite, Lars Von Trier cobrará altamente caro pela experiencia que o proporcionará.

Nota: 10/10

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