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9.1.12

Crítica: Imortais

IMORTAIS
Immortals

Estados Unidos, 2011 - 110 min.
Épico / Fantasia

Direção:
Tarsem Singh

Roteiro:
Charley Parlapanides, Vlas Parlapanides


Elenco: 
Henry Cavill, Mickey Rourke, Luke Evans, Freida Pinto, Kellan Lutz, Stephen Dorff, Isabel Lucas, Peter Stebbins, John Hurt

Depois de 470 milhões como um filme "R" (Classificação etária de 17 anos nos Estados Unidos), uma das maiores bilheterias para a faixa etária, até que demorou muito para que alguém ou os mesmos produtores tivessem a idéia brilhante de aproveitar o hype que "300" de Zack Snyder criou e faturar novos milhões com uma possível franquia que seguisse a linha do épico, vindo de uma adaptação da HQ conceituada de Frank Miller. O resultado não beira ao completo desastre, mas está muito longe de impactar em todos os aspectos como os espartanos impactaram.

A história superficial fica por conta do Rei Hipérion que se sente deixado à deriva pelos Deuses em um momento que precisava de suas ajudas e inicia uma busca em torno do mítico Arco de Épiro para liberar os Titãs e vingar-se dos Deuses.

O roteiro claramente segue os moldes de 300 e Fúria de Titãs, mistura e distorce partes da mitologia grega, se aproveita do estilo de luta do filme Zack Snyder, utiliza do clichê de Perseu e constrói-se aqui também um herói de origem humilde que vai se destacar e enfim, se tornará o único capaz de deter a desenfreada anarquia estabelecida pelo vilão, e que descaradamente tem um nome tão parecido quanto o protagonista de Fúria de Titãs, de Perseu, agora temos Teseu.

O que o diretor indiano Tarsem Singh parece ignorar durante todo o longa é que seus métodos para fugir das inevitáveis comparações a 300 ou Fúria de Titãs são que suas inspirações para inovar não são necessariamente inovações e sim, uma forma de retalhar o que já foi utilizado por outros realizadores e que julgou interessante o suficiente para reutilizar em seu longa, de fato, algumas coisas realmente são, como a sequência de ação protagonizada pelos Deuses que são 100% originadas do game God of War. Outra tomada igualmente inspirada em um quadro famosíssimo de Michelangelo que proporciona uma das imagens artísticas mais sublimes do cinema atual, mas o problema é exatamente esse, nada é original, já foram vistos, explorados e experimentados, o pouco a acrescentar positivamente o filme, em termos de ambientação e direção de arte, é a riqueza de detalhes criado pelo diretor indiano que se sobressaltam perto dos longas de Snyder e Louis Leterrier, mas ironicamente, também expõe o gosto duvidoso de Singh. É altamente notável o quanto as origens do diretor influenciam sua direção no longa. Em muitos exemplos, a película apresenta-se como um carro alegórico de carnaval. Exemplo gritante é o figurino dos Deuses, eles não poderiam apenas estarem com armaduras banhadas à ouro fosco (costume indiano de extravagância), eles precisam de capacetes, braceletes e tudo que há de possibilidade de enfeitar o corpo de um ser humano criadas através de um design que definitivamente assusta pela bizarrice, por horas. Os Deuses aqui parecem vindos de Milão numa coleção mal sucedida da Dolce e Gabbana e a exposição de músculos esculpidos, suor e sujeira faz com que os homens parecem mais corajosos e fortes que os Deuses em si. Isso funcionou perfeitamente em 300 com toda a exorbitância de Xerxes, aqui é um erro absurdo. Outro erro fica por conta da distorção da mitologia dos oráculos e tentarem de todas as formas construír um par romântico para trazer alguma emoção no terceiro ato, chega a ser constrangedor. Exemplo a personagem de Freida Pinto que simplesmente parece aquelas garotas repreendidas pelos pais e depois da primeira relação sexual, ri por todos os cantos, segurando as mãos como se fosse a mulher mais apaixonada do mundo. Lamentável.

Apesar de descrever tudo com certa impiedade, o longa não é um desastre completo, embora a estranheza vinda do diretor, o elenco se esforça dentro do possível. Há elementos interessantes como o touro, uma criatura humana, mas que encorpa uma fantasia animalesca que impõe certo respeito, alguns caprichos na ambientação como o cenário de luta dos Deuses contra os Titãs, Henry Cavill segura as pontas no papel de protagonista e as sequências de ação, longe de serem originais, aliadas a um 3D sutil, tem ótima decorrência nas telas.

O resultado do longa do indiano Tarsem Singh será satisfatório para a grande massa que não busca nada mais que um divertimento onde não se reflete o que assiste, mas desapontará claramente as pessoas que esperam algo mais original de produtores que, até pouco tempo atrás, praticamente reinventaram a maneira de fazer épicos e fizeram com que toda a testosterona do público masculino fossem liberadas por tudo que o Rei Leônidas e seus 300 soldados proporcionaram em quase duas horas de filme. A vontade de correr para a acadêmia, comprar uma espada e um escudo virou quase um sonho de consumo para os homens. Já Imortais exibe abdomens definidos, coxas torneadas no intuito de embelezar os heróis e não os colocam para fazer jus ao que são.
                                                                                                                     
Nota: 5/10

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