Imortais
Immortals
EUA , 2011 - 110 min.
Épico / Fantasia
Direção:
Tarsem Singh
Roteiro:
Charley Parlapanides, Vlas Parlapanides
Por Derek Klein
Depois de 470 milhões como um filme "R" (Classificação etária de 17 anos nos Estados Unidos), uma das maiores bilheterias para a faixa etária, até que demorou muito para que alguém ou os mesmos produtores tivessem a idéia brilhante de aproveitar o hype que "300" de Zack Snyder criou e faturar novos milhões com uma possível franquia que seguisse a linha do épico, vindo de uma adaptação da HQ conceituada de Frank Miller. O resultado não beira ao completo desastre, mas está muito longe de impactar em todos os aspectos como "300" impactou.
A história superficial fica por conta do Rei Hipérion que se sente deixado à deriva pelos Deuses em um momento que precisava de suas ajudas e inicia uma busca em torno do mítico Arco de Épiro para liberar os Titãs e vingar-se dos Deuses.
O roteiro claramente segue os moldes de 300 e Fúria de Titãs, mistura e distorce partes da mitologia grega, se aproveita do estilo de luta do filme Zack Snyder, utiliza do clichê de Perseu e constrói-se aqui também um herói de origem humilde que vai se destacar e enfim se tornará o único capaz de deter a desenfreada anarquia estabelecida pelo vilão, e que descaradamente tem um nome tão parecido quanto o protagonista de Fúria de Titãs, de Perseu, agora temos Teseu.
O que o diretor indiano Tarsem Singh parece ignorar durante todo o longa é que seus métodos para fugir das inevitáveis comparações a 300 ou Fúria de Titãs é que suas inspirações para inovar não são necessariamente inovações e sim, uma forma de retalhar o que já foi utilizado por outros realizadores e que julgou interessante o suficiente para utilizar em seu longa, de fato algumas coisas realmente são, como a sequência de ação protagonizada pelos Deuses que são 100% originadas do game God of War, outra tomada igualmente inspirada em um quadro famosíssimo de Michelangelo que proporciona uma das imagens artísticas mais sublimes do cinema atual, mas o problema é exatamente esse, nada é original, já foram vistos, explorados e experimentados, o pouco a acrescentar positivamente o filme em termos de ambientação e direção de arte é a riqueza de detalhes criado pelo diretor indiano que se sobressaltam perto dos longas de Snyder e Louis Leterrier, mas ironicamente é esta riqueza de detalhes que também expõe o gosto duvidoso de Singh. É altamente notável o quanto as origens do diretor influenciam sua direção no longa, em muitos exemplos o longa se apresenta como um carro alegórico de carnaval, exemplo gritante é o figurino dos Deuses, eles não podem apenas estarem com armaduras banhadas a ouro fosco (costume indiano de extravagância), eles precisam de capacetes, braceletes e tudo que há de possibilidade de enfeitar o corpo de um ser humano criadas através de um design que definitivamente assusta pela bizarrice, por horas. Os Deuses aqui parecem vindos de Milão numa coleção mal sucedida da Dolce e Gabbana e a exposição de músculos esculpidos, suor e sujeira faz com que os homens parecem mais corajosos e fortes que os Deuses em si. Isso funcionou perfeitamente em 300 com toda a exorbitância de Xerxes, aqui é um erro absurdo. Outro erro fica por conta da distorção da mitologia dos oráculos e tentar de todas as formas construírem um par romântico para trazer alguma emoção no terceiro ato, chega a ser constrangedor como a personagem de Freida Pinto simplesmente parece àquelas garotas repreendidas pelos pais e depois da primeira relação com o sexo oposto, ri por todos os cantos, segurando as mãos como se fosse a mulher mais apaixonada do mundo. Lamentável.
Apesar de descrever tudo com certa impiedade, o longa não é um desastre completo, apesar da estranheza vinda do diretor, o elenco se esforça dentro do possível, há elementos interessantes como o touro, uma criatura humana, mas que encorpa uma fantasia animalesca que impõe certo respeito, alguns caprichos na ambientação como o cenário de luta dos Deuses contra os Titãs, Henry Cavill segura as pontas no papel de protagonista e as sequências de ação, longe de serem originais, aliadas a um 3D sutil tem ótima decorrência nas telas.O resultado do longa do indiano Tarsem Singh será satisfatório para a grande massa que não busca nada mais que um divertimento onde não se reflete o que assiste, mas desapontará claramente as pessoas que esperam algo mais original de produtores que até pouco tempo atrás praticamente reinventarão a maneira de fazer épicos e fizeram com que toda a testosterona do público masculino fossem liberadas por tudo que o Rei Leônidas e seus 300 soldados proporcionaram em quase duas horas de filme, a vontade de correr para a academia, comprar uma espada e um escudo virou quase um sonho de consumo para os homens. Já Imortais exibe abdomens definidos, coxas torneadas no intuito de embelezar os heróis e não os colocam para fazer jus ao que são.
Nota: 5,0

O filme é bom p qm está esperando apenas um bom divertimento, cm vc disse, nas sequências de ação. Sua crítica é boa, mas cuidado com os erros na construção do texto!
ResponderExcluir"O que o diretor indiano Tarsem Singh parece ignorar durante todo o longa É QUE seus métodos para fugir das inevitáveis comparações a 300 ou Fúria de Titãs É QUE suas inspirações para inovar não são necessariamente inovações
"praticamente REINVENTARÃO"