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27.1.12

Crítica: Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras

SHERLOCK HOLMES - O JOGO DAS SOMBRAS 
Sherlock Holmes - The Game of Shadows

Estados Unidos, 2011 - 129 min.
Ação / Aventura

Direção:
Guy Ritchie

Roteiro:
Michele Mulroney, Kieran Mulroney


Elenco: 
Robert Downey Jr., Jude Law, Jared Harris, Kelly Reilly, Stephen Fry, Noomi Rapace, Rach



A estréia do primeiro Sherlock Holmes em 2009 aos cinemas foi bem positiva financeiramente para a Warner Bros., mas como bilheteria não significa necessariamente que o filme seja bom, o longa de Guy Ritchie foi apenas regular. Dois anos depois (o filme estreiou no final de 2011 nos Estados Unidos) o diretor inglês entrega uma película muito mais consistente, divertida, porém não menos descartável.

Na trama, Holmes começa a ligar uma série de roubos a um plano de proporções gigantescas vindo de uma inteligência astuciosa vivido por Jared Harris, interpretando o professor Moriarty, o grande inimigo do espião inglês. À medida que o plano vai seguindo adiante, Sherlock conhece uma cigana chamada Simza (vivida pela ótima Noomi Rapace), cuja personagem tem papel fundamental para que o espião consiga deter que Moriarty provoque uma guerra mundial.

Como no primeiro longa, a ambientação, design de produção, fotografia, trilha sonora, figurino são fantásticos, aqui a trilha de Hans Zimmer ganha uma mescla circense e faz com que a sonoplastia do filme beire a perfeição de acordo com a necessidade dos personagens e roteiros. Por falar em roteiro, aqui foi adicionado coerência, um arco dramático mais consistente e um vilão mais a altura do personagem principal, o que facilmente eleva a qualidade do filme e faz com que seu desenvolvimento seja mais agradável, entretanto, não possui poder e estrutura suficiente para manter a concentração e a vontade do expectador de querer saber como aquele “mistério” será resolvido.

Outro problema do segundo longa do espião fica por conta da incapacidade do diretor de trazer momentos originais aos personagens, nota-se a todos os momentos do filme a utilização de idéias que deram certo no primeiro, onde aqui são reconstruídas e/ou reforçadas para que o público tenha uma falsa sensação de vigor e inovação, exemplo disso, é uma cena particularmente interessante de um duelo entre as mentes de Sherlock e Moriarty, a sequência é ótima, mas nada que uma duplicação do que o personagem principal faz.

A solução dos problemas do longa ficam por conta de Robert Downey Jr, Jude Law, e Stephen Fry, não há um momento ruim da construção dos personagens feita pelos atores, a química entre Downey Jr. E Law aqui beira o sensacional e Fry como o irmão egocêntrico de Sherlock rouba as cenas em que aparece, Jared Harris cumpre muito bem o seu papel como vilão e o que decepciona um pouco, é a pouca presença de Noomi Rapace e Rachel McAdams, ambas atrizes ótimas, porém pouco exploradas. As sacadas do humor do filme tomam o cérebro do público pela peculiaridade da introdução das mesmas em situações prá lá de divertidas.

Como resultado final, Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras aprendeu bastante em comparação ao original, mas ainda falta-lhe prender o público com um roteiro e situação mais atraentes e originais. Infelizmente, ao fim do filme a sensação que as mais de 2 horas de projeção produz é semelhante a franquia Piratas do Caribe, tudo aquilo é sustentando por atores ótimos que por consequência fazem inúmeras situações saírem da mesmice e da própria chatice para o engraçado e o divertido, mas a pergunta é, até quando?

Nota: 7,5


9.1.12

Crítica: Imortais

IMORTAIS
Immortals

Estados Unidos, 2011 - 110 min.
Épico / Fantasia

Direção:
Tarsem Singh

Roteiro:
Charley Parlapanides, Vlas Parlapanides


Elenco: 
Henry Cavill, Mickey Rourke, Luke Evans, Freida Pinto, Kellan Lutz, Stephen Dorff, Isabel Lucas, Peter Stebbins, John Hurt

Depois de 470 milhões como um filme "R" (Classificação etária de 17 anos nos Estados Unidos), uma das maiores bilheterias para a faixa etária, até que demorou muito para que alguém ou os mesmos produtores tivessem a idéia brilhante de aproveitar o hype que "300" de Zack Snyder criou e faturar novos milhões com uma possível franquia que seguisse a linha do épico, vindo de uma adaptação da HQ conceituada de Frank Miller. O resultado não beira ao completo desastre, mas está muito longe de impactar em todos os aspectos como os espartanos impactaram.

A história superficial fica por conta do Rei Hipérion que se sente deixado à deriva pelos Deuses em um momento que precisava de suas ajudas e inicia uma busca em torno do mítico Arco de Épiro para liberar os Titãs e vingar-se dos Deuses.

O roteiro claramente segue os moldes de 300 e Fúria de Titãs, mistura e distorce partes da mitologia grega, se aproveita do estilo de luta do filme Zack Snyder, utiliza do clichê de Perseu e constrói-se aqui também um herói de origem humilde que vai se destacar e enfim, se tornará o único capaz de deter a desenfreada anarquia estabelecida pelo vilão, e que descaradamente tem um nome tão parecido quanto o protagonista de Fúria de Titãs, de Perseu, agora temos Teseu.

O que o diretor indiano Tarsem Singh parece ignorar durante todo o longa é que seus métodos para fugir das inevitáveis comparações a 300 ou Fúria de Titãs são que suas inspirações para inovar não são necessariamente inovações e sim, uma forma de retalhar o que já foi utilizado por outros realizadores e que julgou interessante o suficiente para reutilizar em seu longa, de fato, algumas coisas realmente são, como a sequência de ação protagonizada pelos Deuses que são 100% originadas do game God of War. Outra tomada igualmente inspirada em um quadro famosíssimo de Michelangelo que proporciona uma das imagens artísticas mais sublimes do cinema atual, mas o problema é exatamente esse, nada é original, já foram vistos, explorados e experimentados, o pouco a acrescentar positivamente o filme, em termos de ambientação e direção de arte, é a riqueza de detalhes criado pelo diretor indiano que se sobressaltam perto dos longas de Snyder e Louis Leterrier, mas ironicamente, também expõe o gosto duvidoso de Singh. É altamente notável o quanto as origens do diretor influenciam sua direção no longa. Em muitos exemplos, a película apresenta-se como um carro alegórico de carnaval. Exemplo gritante é o figurino dos Deuses, eles não poderiam apenas estarem com armaduras banhadas à ouro fosco (costume indiano de extravagância), eles precisam de capacetes, braceletes e tudo que há de possibilidade de enfeitar o corpo de um ser humano criadas através de um design que definitivamente assusta pela bizarrice, por horas. Os Deuses aqui parecem vindos de Milão numa coleção mal sucedida da Dolce e Gabbana e a exposição de músculos esculpidos, suor e sujeira faz com que os homens parecem mais corajosos e fortes que os Deuses em si. Isso funcionou perfeitamente em 300 com toda a exorbitância de Xerxes, aqui é um erro absurdo. Outro erro fica por conta da distorção da mitologia dos oráculos e tentarem de todas as formas construír um par romântico para trazer alguma emoção no terceiro ato, chega a ser constrangedor. Exemplo a personagem de Freida Pinto que simplesmente parece aquelas garotas repreendidas pelos pais e depois da primeira relação sexual, ri por todos os cantos, segurando as mãos como se fosse a mulher mais apaixonada do mundo. Lamentável.

Apesar de descrever tudo com certa impiedade, o longa não é um desastre completo, embora a estranheza vinda do diretor, o elenco se esforça dentro do possível. Há elementos interessantes como o touro, uma criatura humana, mas que encorpa uma fantasia animalesca que impõe certo respeito, alguns caprichos na ambientação como o cenário de luta dos Deuses contra os Titãs, Henry Cavill segura as pontas no papel de protagonista e as sequências de ação, longe de serem originais, aliadas a um 3D sutil, tem ótima decorrência nas telas.

O resultado do longa do indiano Tarsem Singh será satisfatório para a grande massa que não busca nada mais que um divertimento onde não se reflete o que assiste, mas desapontará claramente as pessoas que esperam algo mais original de produtores que, até pouco tempo atrás, praticamente reinventaram a maneira de fazer épicos e fizeram com que toda a testosterona do público masculino fossem liberadas por tudo que o Rei Leônidas e seus 300 soldados proporcionaram em quase duas horas de filme. A vontade de correr para a acadêmia, comprar uma espada e um escudo virou quase um sonho de consumo para os homens. Já Imortais exibe abdomens definidos, coxas torneadas no intuito de embelezar os heróis e não os colocam para fazer jus ao que são.
                                                                                                                     
Nota: 5/10

Crítica: Missão: Impossível - Protocolo Fantasma

MISSÃO IMPOSSÍVEL: PROTOCOLO FANTASMA
Mission: Impossible - Ghost Protocol

Estados Unidos , 2011 - 133 min.
Ação / Aventura / Suspense

Direção:
Brad Bird

Roteiro:
André Nemec, Josh Appelbaum


Elenco: 
Tom Cruise, Jeremy Renner, Paula Patton, Simon Pegg, Michael Nyqvist, Léa Seydoux, Josh Holloway



Após uma trilogia muito bem sucedida, um quarto Missão Impossível a primeira vista pareceu desnecessário e como de costume, um comum golpe de marketing de Hollywood para faturar milhões com o nome da conhecidíssima franquia. Tom Cruise não parecia a princípio tão empolgado com a ideia de um quarto filme e no fim, fazer um novo longa expandindo a história de Ethan foi tão apropriada para que ele pudesse passar seu "legado" para outro espião, o onipresente Jeremy Renner (que curiosamente substituirá também Matt Damon na franquia Bourne). A saída de Brad Bird das animações para o live-action primeiramente foi temida pelo fracasso de não dar conta de estabelecer o fôlego que Protocolo Fantasma necessitava para despertar o interesse do público para uma nova trilogia para a franquia. O resultado felizmente foi surpreendente e muito satisfatório, onde Bird entrega aqui provavelmente o melhor M:I.

Na trama, Ethan Hunt (Cruise) é acusado de um atentado terrorista contra a Rússia, onde suas atitudes são consideradas dignas de um conflito que pode causar a terceira guerra mundial. Virando inimigo do estado, Hunt terá que se virar por seus meios para impedir que uma guerra se inicie e provar a sua inocência.

A premissa simples rende mais que o esperado e traz ares novos a franquia, um deles é a adição de um humor muito bem vindo que em nenhum momento compromete o desenvolvimento do filme, ao contrário, faz que com o longa não se leve a sério demais e garanta uma diversão de muito bom gosto para o espectador em busca do melhor nível de ação, que alias, é algo que não poderia faltar. No longa do diretor de Ratatouille, as sequências de ação são magistralmente orquestradas com tomadas de perder o fôlego, a já famosa sequência filmada em Dubai é para ser vista preferencialmente na maior tela que você puder encontrar e assim como J.J. Abrams, Bird desenvolveu um longa de novos horizontes sem perder a essência da franquia, aqui o título Missão Impossível nunca fez tanto jus ao nome.

O elenco possui ótimo entrosamento, destaques para Simon Pegg que possui ótimos momentos em tela, Tom Cruise traz o necessário para o personagem icônico, Paula Patton cumpre o que se espera da personagem, assim como todo o elenco que não deixa a desejar. A única ressalva é saber o que motiva os produtores de Hollywood a acreditar que Jeremy Renner possui todos os requisitos necessários para sustentar não apenas uma, mais três enormes franquias, cujos personagens são movidos exclusivamente pela ação. Os papéis heroicos necessitam de um cara com imagem icônica para fazer com que o público acredite que tudo aquilo pode ser possível, Renner recentemente completou 41 anos, apesar de ter feito bons papeis em ótimos filmes como "Atração Perigosa" e "Guerra ao Terror" e ter desempenhado um bom papel agora no quarto filme da franquia, ele nem de longe tem fôlego para substituir Tom Cruise, Matt Damon (A Trilogia Bourne) e de quebra ser um super herói em "Os Vingadores". Vamos aguardar para ver até onde a surpresa será negativa ou positiva.

A surpreendente estréia de um diretor que dedicou a carreira toda as animações foi marcada por dar o respiro necessário que a franquia precisava para engatar uma nova trilogia e entregar uma diversão de primeira aos expectadores que não desgrudarão da cadeira nos 133 minutos de projeção.

Nota: 8,5