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30.6.11

Crítica: Transformers: O Lado Oculto da Lua

TRANSFORMERS - O LADO OCULTO DA LUA
Transformers - Dark of the Moon

EUA , 2011 - 157 min.
Ação / Ficção científica

Direção:
Michael Bay

Roteiro:
Ehren Kruger


Elenco: 
Shia LaBeouf, John Turturro, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rosie Huntington-Whiteley, Patrick Dempsey, Kevin Dunn, John Malkovich, Frances McDormand, Ken Jeong, Leonard Nimoy, Peter Cullen


Depois de ser massacrado em 2009 por Transformers: A Vingança dos Derrotados, Michael Bay se sentiu ofendido pelas críticas e prometeu não voltar mais ao universo dos robôs que se transformam em carros. Pouco tempo depois, aliado a uma pressão do estúdio, o diretor enfim admite que errou no segundo longa e oficializa que vai dirigir o terceiro sob outros conceitos que não seja apenas a ação desenfreada, sem lógica e ininterrupta que foi todo o segundo filme. Desde então, Bay e o roteirista Ehren Kruger vem dizendo a impressa do quão empolgado eles estavam com o novo roteiro do próximo filme, que era imensamente melhor que o segundo, e mais sério também. O primeiro teaser do longa nos mostrou exatamente o que estávamos esperando ser introduzido a franquia: um roteiro interessante que trouxesse de volta a honra que o primeiro longa conseguiu, quando ele era ainda descrente de todos. Pois bem, depois de assistir Transformers: O Lado Oculto da Lua, a sensação que se tem é apenas uma: Como alguém que foi massacrado pela crítica, passa dois anos da vida construindo os mesmos (literalmente OS MESMOS) erros de Transformers: A Vingança dos Derrotados?

Na trama, o jovem Sam Witwicky (Shia Laboulf) está em um novo relacionamento, (aqui entra Rosie Huntington-Whiteley no lugar de Megan Fox, depois da atriz ter comparado Michael Bay à Adolf Hitler) e a sua vida volta de onde o conhecemos no primeiro longa: falido  descrente, desajeitado (ainda sim consegue fazer par com a modelo considerada a mulher mais sexy do mundo) e à procura de um novo emprego. Enquanto isso, os Autobots estão aliados ao governo para missões secretas e proteção aos membros poderosos do governo. Quando o governo descobre que a omissão do verdadeiro propósito da primeira viagem a Lua está sendo ameaçada pelos Decepticons, que armam um plano de reconstruir Cybertron na Terra, já que agora os robôs vêm uma nova possibilidade no nosso planeta, sobre os artefatos recolhidos na época da corrida espacial. É claro, que os Autobots vão querer impedir toda a tirania proposta pelos Decepticons e assim iniciar a maior sequência de destruição já feita pela história do cinema.

Conhecendo Michael Bay e os propósitos de blockbusters como Transformers, é claro que ninguém espera uma obra-prima em termos de roteiro e muito menos atuação dos personagens, mas novamente não há nenhum tipo de comprometimento nestes termos e o expectador não tem a mínima conexão com os personagens, que por sinal, não demonstram nenhum tipo de carisma, então o resultado não poderia ser pior: quem está assistindo simplesmente não se importa com quem são os mocinhos e quem são os vilões, a única coisa que resta é ver robôs se matando e destruindo tudo ao redor sem nenhum tipo de foco. E nisso, Michael Bay não economiza a sequência ininterrupta de 40 minutos de uma guerra com os efeitos mais impressionantes já feitos desde Avatar. Supera ainda a sequência final do filme de James Cameron em termos de grandiosidade de uma maneira que nada e nunca parece ter fim para o diretor americano, a ação só fica cada vez mais grandiosa ao um ponto de que se perguntar "Eles estão brigando por que mesmo?".

Em termos técnicos, Bay é impecável. Os efeitos de Transformers 3 são tão impressionantes que realmente dá a impressão de ser o filme mais caro da história do cinema, aliado a um 3D poderoso, a experiência visual é impactante, sem sombras de dúvidas. Mas como nenhum filme é feito somente de efeitos especiais e não há nenhuma conexão com nenhum dos personagens, a ação que deveria ser excitante acaba se tornando totalmente vazia e já na metade do terceiro ato, ela torna-se cansativa o suficiente para você querer que aquilo acabe. Alias, os 157 minutos de película, assim como em seu antecessor, são novamente desnecessários, uma vez que não há uma história desenvolvida o suficiente para que justifique tamanha longa-metragem.

Outro desperdício sem fim em Transformers são os atores. A quantidade de nomes de peso no terceiro longa causa indignação a quem conhece a capacidade de grandes nomes como John Malkovich, Frances Mcdormand, o novamente desperdiçado John Torturro e a participação de Ken Jeong é para ressaltar a vergonha alheia que ele causou no bem-vindo "Se Beber, Não Case" e que aqui, não funciona. A substituta de Megan Fox, apesar de bela, não traz nada a mais que a outra: excitar marmanjos e fazer-los esquecer de que seus cérebros foram recolhidos pela moça que entrega o óculos 3D assim que entramos na sessão, e Shia Laboulf atua no modo automático. Não há nada que ele faça no filme, em termos de atuação, que já não tenha feito nos longas anteriores.

Apesar de reconstruir maioria dos erros do segundo longa, neste devido a câmera Fusion System, que é bem maior que uma 35 mm (diâmetro convencional dos longas) faz com que Michael Bay desacelere os intensos cortes, que mal se distinguia a ação dos anteriores, faz com que ela traga uma ação mais equilibrada e mais fácil de ser assimilada. Em quesito de ambientação, o diretor retorna ao terceiro longa com uma releitura à lá "A Ilha", em um conceito de tecnologia e sofisticação de encher os olhos, aliado ao patriotismo, que já é marca registrada do diretor resgata uma parte do (bom) clichê de Bay. Mas infelizmente nada justifica a construção visualmente sensacional sem vida alguma.

Além de totalmente descomprometido com os personagens e o roteiro, o diretor piora toda a situação com a imensa quantidade de alívios cômicos e piadinhas que são feitas uma atrás da outra, afetando ao longa de tal maneira, a não ter o mínimo de interesse em manter até a coerência de certas cenas e inúmeras vezes o clímax é perdido por alívios cômicos irritantes, que claramente são desnecessários, juntos então, a uma quantidade enorme de personagens que não acrescentam nada, absolutamente nada a trama, onde afeta a todos: ao filme, ao orçamento da produtora, já que inúmeros destes personagens são feitos por computadorização gráfica e a nós, que perdemos um filme que se tivesse respeitado o mínimo de coerência e comprometimento com o público, já teria sido de muito bom grado.

Afinal, o que pedimos de Transformers e Michael Bay, não é a genialidade de Christopher Nolan, o suspense sobrenatural de Darren Aronofsky ou a incomparável conexão de personagens robóticos e alienígenas de James Cameron, era apenas nos entregar um bom roteiro, bons personagens e o mínimo de comprometimento como público, porque o resto nós já conhecemos, são requisitos mínimos de um bom filme de entretenimento e que Michael Bay e sua obsessão por efeitos especiais, tomadas grandiosas de perfeição, simplesmente os ignoram.

Nota: 4,5