Procure uma crítica

13.2.11

Crítica: O Ritual

O RITUAL
The Rite

EUA , 2011 - 114 min.
Suspense

Direção:
Mikael Håfström

Roteiro: 
Michael Petron
i
Elenco: 
Anthony Hopkins, Colin O'Donoghue, Alice Braga, Ciarán Hinds, Toby Jones, Rutger Hauer, Marta Gastini, Maria Grazia Cucinotta, Arianna Veronesi, Andrea Calliga

Duas semanas depois de sua estréia nos Estados Unidos, O Ritual chega aos cinemas brasileiros. E para quem estava esperando algo parecido com "O Exorcista" poderá se decepcionar como o próprio personagem de Anthony Hopkins menciona a certo ponto do filme.

Na trama super batida, o Michael Novak (interpretado pelo pouco conhecido Colin O'Donoghue) está para se formar como padre, mas sente que não confia plenamente em sua fé para tomar a vida religiosa. Incentivado por um membro da igreja, Michael vai para Roma fazer um curso de exorcistas para ver com seus próprios olhos se o diabo existe ou não. Ainda descrente, o estudante é levado a conhecer o Padre Lucas (vivido por Anthony Hopkins) e junto do padre, ele vai conhecer inúmeros casos que vão obrigá-lo a sair da zona de segurança e optar por um dos lados: a fé ou o ceticismo.

A ideia do diretor Michel Hàfström é acabar com toda expectativa que poderia a se esperar vindo de uma espécie de homenagem ao clássico "O Exorcista" já no começo. O longa do diretor é baseado no realismo. Aqui não se vê cabeças girando, cama levitando e outras cenas do clássico. O demônio aqui se apresenta de forma mais sutil e de certa forma, sábio. E ao invés de colocar o personagem descrente em inúmeros conflitos com ele mesmo desde começo do filme, como aconteceu com o desastroso "A Colheita do Mal'' com Hilary Swank, aonde a personagem descrente vai a uma cidadezinha resolver um mistério onde ela é testada de suas descrenças e logo vem o desfecho de reviravoltas, o diretor sueco se contém até o meio do filme aos clichês do gênero e submete o personagem de O'Donoghue a não apenas buscar ciência dentro das incorporações demoníacas de vários personagens ao decorrer do filme, mas sim colocá-lo a tirar suas dúvidas com o próprio demônio.

Os debates são interessantes, a maneira realista das incorporações demoníacas, os sustos contidos trazem um clima de suspense bom, mas escorrega em não aproveitar e explorar mais, onde poderia colocar o personagem em situações mais anormais e duvidosas e obrigar com que o telespectador tentasse decifrar se os acontecimentos são realmente coisas do demônio ou que poderia ser explicado com a ciência, mas o diretor acaba seguindo o convencional, e os problemas que eram de outros (filmes) acabam sendo deles, que terminam a analisar seu passado para resolver tudo. Uma pena.

Mas a dedicação de Anthony Hopkins em querer apagar a falta de criatividade do roteiro parece ser maior, e faz do Padre Lucas, um personagem profundamente assustador e intrigante. Alice Braga também mantém um nível muito bom de atuação e como ambos os personagens contracenam, na maioria das vezes, juntos. A atuação do desconhecido Colin O'donoghue fica questionável em termos de qualidade, onde não se define bem se o ator foi forçado a conter-se pelo personagem ou não soube dar vida à ele.

Em um mês lotado de estreias de concorrentes ao Oscar e de extrema qualidade, O Ritual apenas não vai sofrer totalmente com sua falta de ''algo a mais'' por ter nomes de peso e ser intitulado com, hoje famoso, ''Baseado numa história real''. Caso o contrário, provavelmente nem seria notado pela concorrência que o cinema encontra-se nesta semana. Mas de qualquer forma, para os adoradores do gênero, o longa não é de todo o mal.

Nota: 7,0


Nenhum comentário:

Postar um comentário

(Comentários de baixo calão serão moderados e excluídos)