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7.2.11

Crítica: Cisne Negro

CISNE NEGRO
Black Swan 

EUA , 2010 - 108 min. 
Suspense

Direção: 
Darren Aronofsky

Roteiro: 
Mark Heyman, Andres Heinz, John J. McLaughlin

Elenco: 
Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder, Benjamin Millepied, Ksenia Solo, Kristina Anapau

Acaba de chegar as telonas, o mais novo e aguardado trabalho do aclamado Darren Aronofsky. Se Cisne Negro vai ganhar o Oscar, não sabemos, mas dizer que ele não merece, é mentira.

Na trama, conhecemos Nina (Natalie Portman), uma bailarina doce e frágil, que tem como sua obsessão pessoal e profissional ser muito bem sucedida no balé. Quando surge uma nova peça na companhia de Thomas Leroy (vivido por Vincent Cassel) baseada no clássico "O Lago dos Cisnes", Nina precisa encarar uma dificuldade pessoal que o papel lhe impõe: viver os dois cisnes. O branco com toda a sua delicadeza e inocência é vivido e representado perfeitamente por Nina, mas quando a bailarina tem que encarnar o cisne negro, símbolo da sensualidade e provocação, a jovem é ineficaz, o que faz com que Leroy fique de olho no trabalho de Lily, representação ideal do cisne negro. Com o passar dos ensaios e da busca pela perfeição para a interpretação de dois personagens distintos, Nina começa a sofrer uma intensa pressão que pode mudar tudo.

Aronofsky nunca foi um diretor de mão fraca, muito menos de tomar decisões com que fizesse com que o telespectador fosse amenizado de todo o sofrimento, tensão e dor que seus personagens precisem passar e isso não é diferente com Cisne Negro. Como em Réquiem para um sonho e O Lutador, o diretor volta a mostrar que o estilo de vida que seguimos e as decisões que tomamos para chegarmos onde queremos tem um preço. Mas não ache que Cisne Negro é material reciclado do que Aronofsky já havia feito e criado, muito pelo contrário, aqui o diretor continua a surpreender o telespectador com a sua genialidade e capacidade de provocar inúmeras reações no telespectador e se torna novamente bem sucedido ao transpassar os gêneros e construir um filme com a força necessária que cada cena precisasse independente de conceitos de gêneros, algo que muitos tentam e pouquíssimos acertam.

A construção de Nina é simplesmente o ponto alto do filme. Aqui, o diretor não deixa de explorar a personagem fisicamente e psicologicamente um minuto sequer, testá-la ao extremo e nos entregar uma conexão com o público fantástica. E Natalie Portman que diga. A atriz simplesmente faz uma entrega literal de corpo e alma para a personagem de maneira tão dedicada que é capaz de ver as modificações da própria atriz para viver intensamente e insanamente uma personagem que vive de ultrapassar limites físicos e psicológicos. A sua conexão com o balé é realmente impressionante e pelas execuções dos movimentos, foi um trabalho muito árduo e que junto de seu brilhantismo fez uma atuação realmente memorável, onde favorita ao Oscar deste ano, será muito difícil não ganhar o premio.

Não é que Cisne Negro seja um completo símbolo de originalidade em relação à personagem que conturba toda a sua vida em devoção a algo, mas torna-se fantástico pela maneira totalmente insana, cruel, linda, fabulosa e provocativa que Darren faz questão de fotografar de maneira que fez total diferença para o resultado do filme, e é mais um exemplo do fantástico trabalho deste diretor, que começou há tão pouco tempo e hoje, com certeza é um dos melhores diretores da atualidade.

Espero realmente um dia estar vivo para ver um trabalho de Aronofsky com toda a sua intensidade e extremismos com a genialidade totalmente lógica e calculada de Christopher Nolan. Com certeza será uma experiência poderosa.

Nota: 9,5/10

Um comentário:

  1. A metamorfose sofrida por Nina que deixa de ser frágil, doce e passiva para tornar-se sensual e forte é o ponto forte de Cisne Negro. Ou um dos pontos fortes, já que o filme é de uma beleza indescritível. Natalie Portman entregou-se ao papel com verdadeira dedicação e soube retratar com nuances e convicção todo os aspectos de sua personagem. Nos momentos em que Nina tem alucinações, ela revela olhares de deixar qualquer um hipnotizado e assustado. Natalie mostrou maturidade e talento é a merecedora de toda e qualquer premiação.

    Os aspectos técnicos do filme também beiram à perfeição. A fotografia fria e sombria cai como uma luva e a trilha sonora é espetacular.

    Ainda acho que o filme foi bastante subestimado pelo Academia no Oscar 2011. Entendo que a trilha sonora não pode concorrer, mas senti falta de indicações na categoria de melhor roteiro original, direção de arte e acima de tudo, em atriz coadjuvante, Mila Kunis é incrível e pode ser que um grande talento estja nascendo. Enfim, Aronofski não entregou somente um dos melhores filmes de 2010, e sim um dos meus filmes favoritos.

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