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13.2.11

Crítica Bravura Indômita


BRAVURA INDÔMITA
True Grit 

EUA , 2010 - 110 minutos 
Faroeste


Direção: 
Joel e Ethan Coen

Roteiro:
Joel e Ethan Coen, baseado no romance de Charles Portis


Elenco: 
Hailee Steinfeld, Jeff Bridges, Matt Damon, Josh Brolin, Barry Pepper


Esta semana cheia de "oscariados" chegando ao Brasil, chega o fortíssimo concorrente Bravura Indômita, remake do original de 1969, dirigido pelos Irmãos Coen, e desde já, posso garantir que o filme tem absolutamente todos os requisitos esperados pela academia para vencer o Oscar de melhor filme deste ano.

Na trama, uma garota de 14 anos perde o pai, vitima de um assalto por roubo de ouro pelo bandido Tom Chaney (Josh Brolin). “Decidida a vingar a morte do pai, Mattie Ross (vivida pela estreante Hailee Steinfield) contrata o federal Reuben ‘‘Rooster’’ Cogburn (Jeff Bridges), um sujeito de ‘‘bravura indômita” como descrito no filme.

Como em Cisne Negro, de Darren Aronofsky, a sacada do filme dos irmãos Coen está na forma como a história é desenvolvida, contada e reconstruída através do modo dos irmãos de dirigirem um filme. Joel e Ethan Coen trazem de volta todo o antigo faroeste de forma minuciosa, onde não poderiam faltar os combates em cima de cavalos, os roubos de bandidos por ouro, as mortes gratuitas vindas a se tornarem comuns e normais para a época, as falas caipiras, o orgulho dos personagens e a maneira selvagem de expressar seus afetos. Só de trazerem isso da melhor forma possível já seria um mérito e tanto, mas o que Bravura Indômita faz é esbanjar carismas com atuações memoráveis, criar situações cômicas envolvendo o grande herói do filme sem ridicularizá-lo, e na melhor maneira Coen, trazer um brilhantismo incontestável a uma garota de 14 anos que dá um show e rouba todas as cenas em que se encontra, misturando valores dos personagens sobre o que é o certo e o errado, de uma forma que só cabe ao público se deliciar com tudo isso.

Como já se esperava, Jeff Bridges dá um banho de atuação a todos ao seu redor como ''Rooster'', marcando o velho herói do faroeste que tem toda uma fabula de conquistas, caçadas, mortes e vitórias a sua volta e Bridges sabe entonar todas as características do personagem de forma fantástica, ora sendo orgulhoso, outra parecendo um velho bêbado, ora frio, ora de coração frágil e isso tudo sob a grande presença de um bravo pistoleiro de decisões, sabedoria e talentos incontestáveis. Torna-se ainda mais interessante porque os irmãos Coen fazem com que o personagem desde o início não fique apenas no pedestal de histórias antigas, mas a todo o momento faz questão de testar a capacidade do herói, o que além de dar uma realidade maior ao personagem, deixa ao público uma conexão mais próxima e crível. Matt Damon também se mostra muito competente como o novato federal que acha que sabe de tudo, com opiniões e decisões, na sua grande maioria, politicamente corretas, o que faz com que seu personagem enfrente muitas vezes a enorme diferença entre a sua opinião e a de ''Rooster'' sobre todos os obstáculos que virão conforme o andamento do filme, deixando a pequena Mattie Ross um pouco confusa sobre a total verdade em que ela acredita, inicialmente, sobre os dois.

Apesar de estar do lado de dois ''monstros'' do cinema atual, a estreante Haille Steinfield é a grande surpresa de todo o filme. Parece inacreditável que uma garota de 14 anos desenvolva uma atuação brilhante, realista e de carisma indiscutível, tão brilhante que foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. A garota desempenha uma das atuações infantis mais críveis e competentes de toda a história do cinema, até Jeff Brigdes parece intimidado algumas vezes pela capacidade da garota. Nasce aqui um novo talento.

Dentro destes requisitos, Bravura Indômita parece ser o melhor indicado para uma academia que tem um favoritismo enorme em cima do faroeste, mas este ano, a dificuldade de um grande favorito vem de inúmeros obstáculos a serem enfrentados, porque a academia também adora boxe, filmes políticos britânicos e foi injusta com David Fincher em 2009 com O Curioso Caso de Benjamin Button. São obstáculos que, talvez, nem mesmo os irmãos Coen possam passar por cima.

Nota: 9,5


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