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20.12.10

Crítica: Harry Potter e as Relíquias da Morte (Parte 1)

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE - PARTE 1
Harry Potter and the Deathly Hallows - Part 1 

EUA / Inglaterra, 2010 - 146 min.
Drama / Fantasia / Suspense

Direção: 
David Yates

Roteiro: 
Steve Kloves

Elenco: 
Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Ralph Fiennes, Michael Gambon 

Após quase 10 anos esperando por este momento, não havia como desenvolver mais expectativas para Harry Potter e as Relíquias da Morte (Parte 1). Era o momento que todos os fãs da franquia estavam esperando, o momento em que toda uma geração estaria sendo marcada, em que todos esperavam que David Yates nos entregasse o melhor filme da franquia. Yates não entregou apenas melhor filme da franquia, ele entregou o que havia de melhor em Harry Potter.

Não houve decisão mais sábia que a divisão da última adaptação. Li de alguns críticos que afirmaram incessantemente que a decisão foi feita exclusivamente por dinheiro. Acho que não é surpresa para ninguém que nenhum filme, por mais belo que ele seja, é financiado sem o pensamento do retorno do dinheiro que é investido, obvio. Uma das maiores críticas dos mesmos, afirmaram que a divisão foi feita exclusivamente por dinheiro, apontarando que o filme é, utilizando a mesma fala deles, “uma encheção de linguiça”. No mínimo, eles desconhecem o livro de J.K Rowling.

Na trama, Harry, Rony e Hermione ingressam em uma jornada atrás das horcruxes, partes da alma de Voldemort colocadas em objetos para não ser morto. Conforme Voldemort começa sua guerra contra os trouxas (aqueles que não são bruxos) e bruxos mestiços, o mundo trouxa e o mundo mágico não é mais seguro e o trio é obrigado a se esconder. Semanas de solidão nos esconderijos vão se arrastando intensamente, onde a amizade começa a ser testada e a convívio começa a ser tornar insuportável.

A divisão do filme foi escolhida exatamente onde o livro muda completamente, então a primeira parte de As Reliquias da Morte é construída de forma certeira e o clima necessário consegue ser atingido de forma surpreendente. Esqueçam qualquer atuação que tenham visto de Daniel Radcliffe, Rupert Grint e em especial, Emma Watson. Aqui, David Yates conseguiu tirar tudo e mais um pouco dos três atores e construiu um filme de fantasia repleto de drama verdadeiro. Drama, alias, é a verdadeira surpresa do longa: pesado, impactante, realista e trágico eram características um pouco distantes da franquia, pouco pelo conteúdo dos livros anteriores, à limitação dos atores, mas aqui tudo simplesmente vêm e cai como uma luva.

Aliás, não há nada em Harry Potter e as Relíquias da Morte parte 1 que não esteja encaixado de forma sublime,  a maravilhosa fotografia, a fantástica trilha sonora de Alexandre Desplat, a edição que evita cortes (algo incrivelmente incomum nos blockbusters do gênero) e se estende minuciosamente conforme a cena, é impressionante. O elenco secundário continua fantástico, as poucas cenas da Alan Rickman nos mostram o quão perfeito ele é para o papel de Severo Snape, Ralph Fiennes, Helena Boham Carter entre outros estão incríveis como sempre. A surpresa desta vez fica mesmo com o trio protagonista, em especial, Emma Watson, que simplesmente surpreendeu à todos e algumas vezes, parece carregar o fardo dos problemas centrais a trama sozinha, já Rupert Grint deixou o Rony bobinho de lado e trouxe um Rony engraçado na medida, de maior presença de cena e ainda mais carismático e Daniel Radcliffe simplesmente está no seu melhor momento e nos entrega tudo o que se esperava do personagem.

Também como fã da franquia, devo ressaltar o quão fiel Harry Potter e as Relíquias da Morte se mostrou em relação ao material original. É praticamente igual o que Zack Snyder fez com Watchmen, onde pareciam que as páginas dos livros literalmente estavam se transformando em cenas e isso de uma maneira que também não agredisse o longa como um filme por si só e não apenas uma transposição de uma obra em outra mídia. 

O que as pessoas não conseguiram entender nos dois primeiros longas de David Yates em relação ao material original, era que ele simplesmente não poderia seguir apenas o livro e dar continuidade à franquia como qualquer outro diretor, ele precisava estabelecer uma forte ligação entre o trio e uma ligação maior entre os personagens e o público, por que é notável que Yates pensou em As Relíquias da Morte antes de qualquer outro, é relativamente perceptível que ele saberia que quando chegasse a hora de finalizar a franquia, dar todo este tom sombrio, dramático e depressivo ao fim, alguém precisaria de um conteúdo que fosse além do que outros estabeleceram e se não fizesse nada, possivelmente o desfecho de toda uma série não teria o mesmo efeito do qual vemos hoje, o que atinge diretamente todo o arco dramático da série. Sábio. O mais curioso de tudo é que ele parece ter pensado no melhor desfecho dramático possível a franquia mesmo sem saber se ele seria mesmo o diretor que finalizaria a série nos cinemas. Grande diretor este David Yates.

Mesmo sendo fã da franquia, dos livros e tudo mais, o maior sentimento que Harry Potter e as Relíquias da Morte deixa ao fim do projeto é surpresa. Surpresa por fidelidade, por qualidade, comprometimento e ver que esta série que estamos acompanhando a mais de 10 anos está chegando ao fim. Felizmente da melhor maneira possível.

Nota: 10

19.12.10

Crítica: Tron - O Legado

TRON - O LEGADO
Tron Legacy


Estados Unidos
, 2010 - 125 min.
Ficção científica

Direção:
Joseph Kosinski

Roteiro:
Edward Kitsis, Adam Horowitz


Elenco: 
Jeff Bridges, Garrett Hedlund, Olivia Wilde, Bruce Boxleitner, James Frain, Beau Garrett, Michael Sheen, Anis Cheurfa, Serinda Swan, Yaya DaCosta, Elizabeth Mathis, Kis Yurij, Conrad Coates, Daft Punk

Chega este fim de semana nos cinemas, o tão aguardado Tron: O Legado, uma espécie de continuação do filme cult de 1982, Tron: Uma Odisséia Eletrônica. Detonado pela crítica, o filme do estreante Joseph Kosinski está longe de ser uma obra de arte, ou uma reiteração dentro do gênero, mas também está longe de ser a catástrofe criada sobre ele. E acho que sei o porquê...

Na trama, Kevin Flynn (Jeff Bridges) desaparece certa noite, deixando órfãos seu filho Sam e a empresa, que, 21 anos depois, está prestes a trair todos os princípios do sujeito ao lançar um produto defeituoso criado por Edward Dillinger, herdeiro do vilão do primeiro filme. É então que Sam descobre o paradeiro do pai, que se encontra preso na Grade – o mundo virtual que vinha criando e que agora é dominado por CLU (também Bridges), o programa desenvolvido por Flynn para cuidar daquele universo.

Visualmente dizendo, Tron: O Legado é simplesmente perfeito: fotografia fantástica, efeitos especiais fascinantes, uma criação de design raramente vista com tanta perfeição nos cinemas. A trilha igualmente sensacional de Daft Punk acompanha o filme de maneira adequada sem perder em nenhum momento a linha. Parte desta perfeição é devido aos músicos estarem presentes as filmagens para compôr a trilha de maneira mais cabível possível. O 3-D foi utilizado de maneira correta e sútil ao longa, ele funciona apenas no mundo virtual criado por Flynn e quando estamos no mundo real o longa segue em 2-D. Uma escolha realmente interessante.


O problema da continuação de Tron é ter um roteiro raso que poderia ser mais aprofundado e o motivo da decepção de muitos que viram as prévias era que, visualmente dizendo Tron - O Legado estava maravilhoso e suas prévias deixavam um tom de mistério, até complexidade sobre aquele mundo totalmente original e empolgante. Digamos que a decepção de muitos foi devido Tron ter um visual tão fascinante, que deveria ter um roteiro à altura para torná-lo memorável no cinema e não foi o que aconteceu.


O motivo desta falha de roteiro não se sabe ao certo de quem veio, se do diretor estreante Joseph Kosinski que se dedicou exclusivamente no visual, dos roteiristas de Lost ou da própria Disney que pode ter bloqueado um roteiro mais complexo para o filme, pois durante a finalização do longa e uma apresentação aos produtores executivos da Pixar, o filme passou por refilmagens, sem contar que 2010 simplesmente não foi o ano da Disney com exceção claro, dos fenômenos Toy Story 3 e Alice no País das Maravilhas. O produtor Jerry Bruckheimer simplesmente errou a mão em todos os projetos do estúdio e talvez o medo da Disney de lançar algo tão complexo que fosse rejeitado pelo seu público alvo, acabou apostando em um longa mais de entretenimento, empolgante e divertido para o grande público, porque apesar de Tron não ser o que poderia ter sido, não podemos negar suas qualidades e muitas se devem a Jeff Bridges.

Bridges se sente muito confortável com a posição de mentor zen e seu carisma é inegável, faz com que as fases de seu personagem pareçam realmente verdadeiras e sua versão mais jovem, acompanhada da mesma tecnologia utilizada em O Curioso Caso de Benjamin Button, é uma experiência interessante. Já Garrett Hedlund, ator pouco conhecido vindo de pontas de blockbusters como Tróia e Eragon, o garoto parece ser o que mais se diverte com toda a experiência do longa, mas suas expressões caricatas pouco colaboram ao persoangem. Olivia Wilde marca presença apesar de ter um papel contido, dramaticamente dizendo, e Michael Sheen diverte-se a sua maneira como Zuse: pula, dança, faz caretas bizarras que lembram uma mistura divertida dos personagens de Johnny Deep em A Fantástica Fábrica de Chocolate e Alice no País das Maravilhas. E a pequena ponta de Cilliam Murphy como Edward Dilleger, que simplesmente o tornou irreconhecível.


Como resultado final, Tron: O Legado é uma experiência interessante que pode simplesmente ser divertida e facilmente esquecida ou muito melhor aproveitada em uma possível sequência, que seria muito bem vinda por sinal.


Nota: 7,5/10