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18.9.10

Crítica: Resident Evil: Recomeço (3-D)

RESIDENT EVIL: RECOMEÇO
Resident Evil: Afterlife

Estados Unidos, 2010 - 97 min;
Ação / Suspense

Direção: 
Paul W.S. Anderson

Roteiro: 
Paul W.S. Anderson


Elenco
Milla Jovovich, Ali Larter, Kim Coates, Shawn Roberts, Sergio Peris-Mencheta, Spencer Locke, Boris Kodjoe, Wentworth Miller, Sienna Guillory, Kacey Barnfield, Norman Yeung, Fulvio Cecere, Ray Olubowale, Christopher Kano, Tatsuya Goke, Nobuya Shimamoto, Peter Kosaka, Denis Akiyama, Kenta Tomeoki, Shin Kawai, Mika Nakashima

De que Resident Evil não é sinônimo de qualidade, nem fidelidade aos games e que o 3-D agora é o hype do momento, todos já sabem e é exatamente aí que Resident Evil: Recomeço faz a diferença. Sendo o primeiro filme a utilizar as câmeras Fusion System, criadas por James Cameron para Avatar, Paul W.S. Anderson utiliza a tecnologia de forma tão maravilhosa que simplesmente consegue prender a atenção dos telespectadores de forma tão surpreendente e fazer-los esquecer do desastre que é o longa em termos de roteiro e coerência.

A superficial trama traz Alice (Milla Jovovich) tentando destruir a corporação Umbrella junto de seus clones. Quando um rápido acidente acontece, tudo vem a passar seis meses depois e a personagem acha que está sozinha no mundo. Não demora muito e a personagem descobre haver um grupo de resistentes que conseguiram se isolar do vírus e dos zumbis numa ilha e é a procura destes resistentes que Alice descobre outro grupo de sobreviventes que virão a lutar juntos pela sobrevivência e reorganização do mundo.


O roteiro é horrível, os diálogos são fracos e os atores realmente não convencem. Anderson é um péssimo diretor de atores, conseguiu deixar Milla Jovovich passar em branco no seu melhor estilo de atuação. O mesmo pode se dizer de Wentworth Miller e Ali Carter. Novamente os personagens não têm profundidade, não tem desenvolvimento em tela e o telespectador realmente não consegue se identificar de maneira alguma com nenhum dos sentimentos emotivos da protagonista, nem mesmo compreender algumas passagens e personagens que vem a encher as telas repentinamente. Até aqui nada demais, outro típico filme de Paul e o típico caça-níquel desenvolvido para retirar todo o dinheiro possível do público fã dos games e que realmente não tem o que fazer no fim de semana. É a partir daí que veio a brilhante ideia de usar o 3-D para a construção do filme e o resultado é simples: Não é que o 3-D traz vida ao filme, ele simplesmente segura todos os inúmeros clichês em tela e desenvolve uma construção gráfica digna de palmas e consegue tirar Resident Evil: Recomeço da catástrofe.

Com uma fotografia sensacional e absurdamente muito bem desenvolvida, cai como luvas para as câmeras de James Cameron. Tão bem desenvolvida que me recuso a acreditar que Anderson não recebeu ajuda de James Cameron para trazer o 3-D de forma tão magnífica como o resultado final mostra. Desenvolvendo ambientes de maneiras mais tridimensionais e utilizando de artifícios cristalinos como água, estilhaços de balas e paredes, o desenvolvimento de tridimensionalidade em cenas paradas são incríveis trazendo objetivos de cenários comuns de maneira interativa, além de todo o espetáculo dos objetos voarem magnificamente em direção do telespectador fugindo completamente dos desastres das conversões, em exemplo, o recente Premonição 4 e Fúria de Titãs que foram convertidos após serem filmados com câmeras comuns. E diante do resultado, Anderson fez tudo o que podia para fazer jus as câmeras que utilizava, seu único defeito foi a falta de originalidade da identificação visual do filme.

Apesar de muito bem desenvolvido, o visual do filme faz referências gritantes ao longo da película como Matrix, Watchmen e 300, o que apesar de sensacional, acaba trazendo uma sensação de "Eu acho que já vi isso antes...", mas o telespectador que não tem costume de reparar ou mesmo que nunca tenha assistido nada em 3-D não terá problemas com isso, afinal, o desenvolvimento gráfico de Resident Evil: Recomeço é tão impactante que chama até a atenção de quem não gosta da franquia ou gênero. Mas alerta: se sua cidade não estiver exibindo o 3-D não perca seu tempo, o filme não se garante sozinho já que foi criado e filmado exclusivamente para ser exibido assim. Sortes deles que terão o retorno financeiro e nosso por não sairmos frustrados de outro blockbuster este ano. Não completamente pelo menos.


Nota: 5/10