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31.7.10

Crítica: Salt

SALT

Estados Unidos, 2010 - 100 min.
Ação / Suspense

Direção:
Phillip Noyce

Roteiro:

Kurt Wimmer

Elenco:
Angelina Jolie, Liev Schreiber, Chiwetel Ejiofor, Olek Krupa, Daniel Olbrychski, Hunt Block, August Diehl


Angelina Jolie e Milla Jovovich são duas das atrizes (talvez asúnicas) que conseguem construir uma espécie de máscara no rosto e convencem o telespectador que elas sozinhas conseguem passar por absurdos (muito divertidos por sinal) que poucas pessoas na Terra poderiam fazer, se é que poderiam. É com esta premissa que Salt chega aos cinemas. E sim, do absurdo vem o nosso divertimento, e até agora, é o blockbuster que mais funcionou.

Na trama, Angelina Jolie vive Evelyn Salt, uma agente da CIA que deixou seu trabalho de campo para a jornada administrativa e ter uma vida a dois. No dia do seu aniversário de casamento, Salt vai interrogar um homem russo que diz ser um desertor de uma organização secreta russa que fará com que os EUA venham abaixo. Com vários espiões pelo país, ele acusa Salt de ser uma. Antes que ela possa se defender, o F.B.I decide prende-la até descobrir o que realmente se passa. Mas com medo de que o marido corra perigo, Salt se vê obrigada a fugir para tentar evitar o pior e onde tudo é mal interpretado. Onde a própria protagonista tomará algumas atitudes que o próprio telespectador vai duvidar de sua inocência.

Salt. Quem é Salt? Essa premissa fica até o terceiro ato do filme. Confundir e provocar o telespectador são as coisas que Phillip Noyce mais faz ou tenta fazer, porquê talvez os que estiverem prestando mais atenção ou tiverem uma mania de querer ir desvendando tudo quando está assistindo vai pegar toda a premissa de Salt logo no segundo ato. Mas isso não trará a falta de interesse pelo longa. Mesmo porquê Angelina Jolie carrega todo o filme debaixo dos braços. Como dito anteriormente, ela nasceu para este tipo de filme e ninguém faz isso melhor que ela, vide seu personagem adorável e ao mesmo tempo cruel de Sr. e Sra. Smith.

O que Salt propõe em suas cenas de ação poderia ter virado uma catástrofe em mãos de outro protagonista, apesar de Tom Cruise fazer bem o gênero, tanto que seria o ator que protagonizaria o filme, se não tivesse largado para fazer Encontro Explosivo. Felizmente isso aconteceu. Cruise não seguraria o que Jolie fez e muito bem. Com cenas de ação absurdas, mas super divertidas. Salt acaba virando uma caixinha de surpresas não apenas pelo roteiro, mas o telespectador espera para ver a próxima bizarrice que Jolie se safará. Com um ritmo ininterrupto, Salt é um blockbuster exemplar, divertindo sem destruir o cérebro do telespectador mais exigente e não perdendo a graça para o público que vai apenas pela ação do filme. Não é perfeito, mas é um ótimo entretenimento.

Já a escala de atores se mantém em um nível exemplar. Liev Schreiber nunca desaponta, mesmo, se quisesse e Chiwetel Ejiofor cumpre bem seu papel, e sem comentários sobre Angelina Jolie, acho que já falei o suficiente dela.

Como entretenimento, Salt é uma pedida e tanto para os adoradores de filmes de ação. E se você ouvir comentários que Salt segue a linha da trilogia Bourne... o filme segue por outros caminhos, mas Salt é Bourne de saias e salto alto.

Nota: 8/10


28.7.10

Crítica: Predadores

PREDADORES
Predators

EUA, 2010 - 107 min.
Ação

Direção:
Nimród Antal

Roteiro:

Alex Litvak, Michael Finch, Jim Thomas, John Thomas

Elenco:
Adrien Brody, Alice Braga, Topher Grace, Oleg Taktarov, Walton Goggins, Louis Ozawa Changchien, Laurence Fishburne, Danny Trejo, Mahershalalhashbaz Ali

Depois do bem mediano Alien VS Predador e do catastrófico Alien VS Predador 2, já era hora de alguém perceber que as duas franquias precisavam de uma recauchutada. A primeira a receber esta remodelagem é Predadores. Projeto que Robert Rodriguez decidiu encarar como produtor e passar a direção para Nimród Antal. O resultado é super agradável e felizmente traz toda a asquerosidade e repugnância de voltas as criaturas mais horrendas que o cinema já criou.

A trama é simples, um bando de mercenários caem numa terra desconhecida e tentando descobrir o porquê de estarem ali, acabam descobrindo que estão sendo caçados por criaturas alienígenas.
Parece falta de vontade de minha parte não querer detalhar a trama do filme, mas se contar mais do que mencionei acabarei contando as poucas surpresas da história. Mas olhando atentamente para Predadores, você percebe logo de cara, que Rodriguez se contenta com a produção, não apenas pelo gênero ser seu estilo, mas sim porquê a ideia do longa é mesmo tentar resgatar toda a fama monstruosa e tradicional que as criaturas denominadas "Predadores" representavam, e é claro, fazer com que o telespectador esqueça totalmente do desastre que Alien VS predador 2 foi e tentar estabelecer uma nova conexão com o público atual e os fãs da franquia. O trabalho não é fácil.

De roteiro simples e diálogos nem sempre tão bem sucedidos, Predadores delonga certo tempo do filme ao abordar um clima de tensão por algo que não se sabe o que é. O único problema desta abordagem, é que a visão descrita fica mesmo por conta dos personagens do que para os telespectadores que conhecem a criatura há várias décadas. Resta esperar então para que os tais Predadores apareçam em tela e voltem a causar a velha repugnância no público. Nisto a película se sai muito bem. Com o visual pouco modificado, as câmeras de Antal voltam a explorar as criaturas milimetricamente e os rastros de Rodriguez pelo filme trazem de volta um respeito a própria criatura.

A única inovação de Predadores fica por conta dos guarda-caças das criaturas que não trazem muita relevância a trama, mas são de agrado para o filme. A modéstia de Rodriguez em relação ao orçamento, trouxe outro ponto positivo ao longa. Sem muitos efeitos especiais e ''enfeites'', o longa mantém o realismo e não pula para a mania de computadorização gráfica de Hollywood.

Já o elenco se mantém dentro do estimado e não vai além. Adrien Brody se mostra um pouco desengonçado como o herói "Schwarzenegger" da vez, talvez devido a falta de prática mesmo, já que não é o estilo de filme que o ator costuma aparecer. A única que desbanca algo a mais, é a brasileira Alice Braga que se mostra cada vez mais adapta dentro de Hollywood e mantém um inglês excepcional. A aparição de Laurence Fishburne é rápida e pouco interfere dentro da escala do elenco.

Mesmo sem grandes sobre saltos, a franquia dos monstrengos mais assustadores do cinema volta aos eixos e mostram que voltaram para ficar. Como o próprio Rodriguez disse na Comic Con deste ano: ‘‘Predadores foi para restabelecer a franquia dentro do cinema e ver se funcionava, agora vamos começar nosso trabalho”. Não duvido, seu talento é inegável.


Nota: 7,5/10

16.7.10

Crítica: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES
Män Som Hatar Kvinnor

Suécia/Dinamarca/Alemanha, 2009 - 152 min. 
Suspense

Direção:
Niels Arden Oplev

Roteiro:
Rasmus Heisterberg, Nikolaj Arcel


Elenco: 
Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Peter Haber, Sven-Bertil Taube, Peter Andersson, Ingvar Hirdwall, Sofia Ledarp, David Dencik

Não há satisfação maior para um cinéfilo, descobrir ao acaso uma trilogia conceituadíssima na literatura da qual nunca havia ouvido falar e descobrir o quanto ela é excelente. Admito a ignorância pela minha parte, confesso que (ainda) não consegui ler ao livro, mas ao mesmo tempo sinto-me redimido e feliz por descobrir as obras de Stieg Larsson, escritor sueco que faleceu antes mesmo de suas obras ficarem famosas. E mesmo desconhecendo profundamente as obras, acho que posso dizer que Os Homens Que Não Amavam As Mulheres é, com certeza, uma abertura digna para a trilogia e deve agradar aos fãs.

Na trama, um jornalista famoso de uma revista fictícia conceituada na Suécia é preso por difamação a um milionário magnata dono de uma rede de empresas. Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist) tem certeza de que seu julgamento foi armado. Com o direito de recorrer a uma apelação, o jornalista terá seis meses para tentar achar provas que impeça sua prisão. Neste meio tempo, ele recebe um convite misterioso de Henrik Vanger (Sven-Bertil Taube), ex-comandante de uma empresa que leva seu sobrenome. Mikael então viaja até o norte do país para receber uma proposta: tentar desvendar o desaparecimento da sobrinha de Vanger que está desaparecida há mais de 40 anos. O problema é que no dia do desaparecimento da garota, o local onde toda a família Vanger vive, é fechado como uma ilha. No dia do desaparecimento, houve um acidente que bloqueou a única estrada que possibilitava a saída do vilarejo, indicando que o suposto assassino da garota seja um membro da família, pessoas rudes e gananciosas, pois, a garota herdava a maior parte das ações da empresa. Antes do desaparecimento, a sobrinha preferida de Vanger presenteava o avô em todos os seus aniversários com quadro com uma flor seca prensada e o curioso é que Henrik recebe estes quadros de todos os lugares do mundo até hoje. O que faz Vanger a crer que o assassino ainda está vivo e a solta. Enquanto isso, a hacker Lisbeth (Noomi Rapace) é contratada para investigar Mikael, onde acaba descobrindo a inocência do jornalista.

A trama é extensa. Para quem está acostumado apenas a assistir aos filmes americanos de linguagens fáceis pode ter alguns problemas com a linguagem arrastada sueca. Não apenas pelas falas dos atores, mas o andamento da película se desenvolve diferente do padrão americano. Nada é corrido demais e geralmente vem de diálogos rápidos e extensos, um pouco estranho para quem não tem o costume, mas garanto nada que prejudique o filme. Pelo contrário, a direção de Arden Oplev desenvolve a obra de Stieg Larsson de maneira mais sútil e menos barulhenta que os suspenses americanos. A envolvência do telespectador aqui vai além da trilha sonora pesada e dos sustos fáceis, não que "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres" fuja totalmente deste padrão, porquê se não deixaria de ser um suspense, mas a trama e os personagens são apresentados de formas mais pessoais. Às vezes, constrói situações brutais que fazem automaticamente que o telespectador tenha, alguma forma, conexão aos personagens. E este é o caso de Lisbeth Salander.

A garota hacker é amedrontadora, cheia de piercings e tatuagens. De personalidade extremamente forte e incomum, seria um prato cheio para a incompatibilidade do público, mas após uma cena terrível de estupro, se igualando, talvez, as cenas de estupro de A Laranja Mecânica, do brilhante Stanley Kubrick. É quase impossível depois daquela cena não criar um vinculo com a personagem e a atuação de Noomi Rapace convence e muito. Sua postura, de inicio rebelde, nos convence do contrário e mostra seu passado perturbador e o quão atormentada Lisbeth é. Brutal e fria, seu lado feminino desaparece totalmente. O interessante é ver como esta ''placa de gelo'' vai quebrando ao longo das duas horas e meia do filme, de uma maneira natural imposta na trama, que não transforma o personagem em algo falso e de dupla personalidade, onde poderia perder toda a graça desta ligação entre personagem e público. Com certeza, o personagem mais marcante do filme e de como tudo indica, de toda a trilogia.

O titulo brasileiro "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres" foi escolhido de forma enganosa pelo marketing da distribuidora. No titulo original "Os Homens Que Odeiam As Mulheres", com certeza, pode traduzir desde início, o que o filme vai desenvolver durante toda sua projeção. Desconheço da cultura sueca, mas há boatos que Larsson, escritor dos livros, fora assassinado e não morto vítima de um infarto como descreve muitos lugares. Há jornais que dizem que o escritor tinha problemas com o governo sueco pela exposição que seus livros tinham da cultura do país. Nada que indique nada, claro, mas o que não seria uma grande surpresa. Não quero expôr o que de fato o filme sugere, mas não é nada muito a favor do país, culturalmente dizendo.

Longe de ser uma boa atração apenas pelos boatos que circulam em volta de suas origens, o longa desenvolve um tom investigativo ótimo que me fez lembrar da essência de clássicos como Sherlock Holmes. Se Guy Hitchie tivesse criado uma investigação como esta à Robert Downey Jr., algo realmente interessante, envolvente e sério, como as verdadeiras origens do personagem, com certeza, tiraríamos mais proveitos do que vimos, sem dúvidas. Mas o que Guy Hitchie não fez, Niels Arden Oplev traz a nós de forma muito mais ousada e interessante.

Soube que a maldição de remakes caiu também em cima de ''Os Homens Que Não Amavam As Mulheres''. Até diria que seria algo que não valeria a pena ser visto. Algo desnecessário. Mas como soube que David Fincher (do maravilhoso O Curioso Caso de Benjamin Button e do futuro A Rede Social) foi quem decidiu fazer o remake. É a primeira vez que podemos dizer que poderá ser algo excelente disso tudo.

Mesmo atrasado em um ano, a película tornou-se uma grande (e boa) surpresa neste ano, cheio de catástrofes como "Fúria de Titãs". Se ''A Menina Que Brincava Com Fogo'', segundo livro da trilogia do escritor sueco, for adaptado de forma tão comprometida como este se mostra, teremos uma trilogia, enfim, muito boa para acompanhar nos cinemas.

Nota: 8,7


4.7.10

Crítica: A Saga Crepúsculo: Eclipse


A SAGA CREPÚSCULO: ECLIPSE
The Twilight Saga: Eclipse

EUA , 2010 - 124 min.
Aventura / Fantasia / Romance


Direção: 
David Slade

Roteiro: 
Melissa Rosenberg


Elenco: 
Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Billy Burke, Ashley Greene, Dakota Fanning

Em menos de 1 ano, mais um filme da "Saga Crepúsculo" chega aos cinemas. E com David Slade na direção, a franquia resolveu alguns de seus problemas, porém, alguns permanecem intactos. Contudo, melhor filme da saga até aqui. O que, de fato, não quer dizer muita coisa.

Na continuação, Edward se convence que seu lugar é ao lado de Bella e propõe casamento a garota e também transformar-lá em vampira. Mas acontecimentos estranhos pela redondeza começam a trilhar um mistério de que algo ruim está para acontecer. Com tantas decisões a serem tomadas, Bella continua indecisa sobre seus sentimentos em relação a Jacob e de nada ajuda seu pai incentivar sua amizade com ele. Quando descobre a chegada de um novo clã de vampiros recém formados, os Cullen precisarão conter os estragos do novo grupo para impedir a chegada dos Volturi, o clã de mestres vampiros.

Percebe-se a diferença entre Eclipse e os outros longas da franquia desde seu início. Da reformulação da fotografia até os efeitos especiais, o longa de Slade é superior. Chega daquele pó de arroz horripilante e artificial no rosto de Edward, que está sendo trocado por uma maquiagem mais natural e sútil. O mesmo pode se dizer das lentes de contato vermelhas dos Volturi, os efeitos especiais dos lobos, as corridas dos vampiros... Os diálogos fluem melhores. 

Percebemos aqui que David Slade fez tudo o que pôde para mudar muito dos pontos técnicos negativos da franquia, mas nota-se que algo não mudou em nada: o roteiro fraco. O roteiro de Melissa Rosenberg definitivamente não passa da pretensão de criar-se "mais um". Aqui, sente-se o dedo dos produtores executivos sendo mexidos. "O filme não pode ter uma história boa, tem que fluir apenas para situações em que as adolescentes esperam ver ao assistir o filme, dois homens bonitos brigando por uma garota comum''. E acredite, algumas situações constrangedoras, que fazem os personagens viverem aquilo apenas para saciar esta ininterrupta e progressiva compulsão das adolescentes (e novamente funcionou, pela inquietante reação das garotas dentro da sala de projeção).

Infelizmente (ou não), o problema desta vez não é a direção. Pelo contrário, Slade tentou de tudo para mudar o que pôde para aprimorar a franquia, mas não obteve tanto sucesso. Soube que David chegou a gravar 120 vezes o mesmo "take" de uma cena para tentar obter atuações melhores do limitado trio, claro que, considerando que a explosão de dinheiro que a franquia faz, em conseqUência apenas dos rostos e corpos deles, pouca coisa foi alterada. Os diálogos fluem melhores. Robert Pattison está começando a diminuir o rosto sofrido e o mesmo pode se dizer de Kristen Stewart que conteve a expressão de ''inalterável'', mas nada tão positivo. Ele continua dizendo frases que nenhum homem no planeta Terra falaria e ela continua parecendo uma boneca de pano sem expressão. Já Taylor Lautner continua sem camisa até mesmo na neve. E aqui, mais um dedo dos produtores executivos.

No que David Slade pôde mudar, melhorou e muito. A ação finalmente está convincente, não apenas pelo melhor aperfeiçoamento dos efeitos especiais, mas sim as formas de como as coisas foram feitas e executadas, com mais ferocidade e "takes" mais violentos, deixaram os lobos e os vampiros realmente ameaçadores, algo fatal nos filmes anteriores.

O que de resumo podemos obter, é saber que mesmo que a franquia receba um ótimo diretor, o gosto das garotas estará sempre falando mais alto para os produtores executivos. O que resta saber é: você acha que o material apresentado é digno para assistir a continuação, ou pára por aqui?

Nota: 7,5