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26.6.10

Crítica: Kick-Ass: Quebrando Tudo

KICK-ASS - QUEBRANDO TUDO
Kick-Ass 

EUA / Reino Unido, 2010 - 117 min.
Ação

Direção: 
Matthew Vaughn

Roteiro: 
Matthew Vaughn, Jane Goldman, Mark Millar

Elenco: 
Aaron Johnson, Chloe Moretz, Nicolas Cage, Mark Strong, Christopher Mintz-Plasse, Clark Duke, Evan Peters, Lyndsy Fonseca, Jason Flemyng


Depois de uma agradável recepção na Comic Con ano passado, Kick-Ass: Quebrando Tudo chega aos cinemas. Tudo o prometido por Matthew Vaughn é cumprido e o longa é um dos mais audaciosos dos últimos anos, o único problema do longa é ter divulgado a maioria das cenas nos trailers, quebrando o "algo além" da expectativa.

Como na HQ, o filme conta a história de Dave Lizewski (Aaron Johnson) um garoto nerd viciado por quadrinhos questionando o motivo de por que ninguém nunca ter tentando ser um super-herói. Após notar e ser vitima da violência de sua cidade, Dave decide se transformar em um herói combatente ao crime. Só que ele não esperava achar outras pessoas no ramo e vilões de verdade.

A brutalidade e a inocência são retratadas de forma tão real no filme que causa espanto no telespectador e ao mesmo tempo empolgação. Junto da ferocidade e humor negro de ver uma garota de 11 anos fazer e falar coisas inacreditáveis, já é prova de que Vaughn não conseguiria ter o filme exatamente como ele chegou aos cinemas se realmente não o tivesse, ele próprio, financiado e dado ao projeto toda a densidade necessária para que a película não tivesse se tornado mais um "Dragonball: Evolution" da vida. E mesmo com o risco de falir, ele negou a todos os estúdios que quiseram comprar o filme com a condição de alterações. Isto que é paixão pelo arte e Kick-Ass esbanja esta vontade de um diretor dedicou teve todo o tempo necessário para que este projeto ganhasse vida.

Os personagens estão ótimos. Aaron Johnson como Kick-Ass não poderia estar melhor. Toda a inocência e vontade que constrói o personagem desde o primeiro ato vão se transformando conforme o tempo e ele vai tendo consciência do que criou e das consequências de seus atos. Já Chloe Moretz se mostra uma atriz fantástica. É quase inacreditável como a garota conseguiu chegar a um nível extremo para dar feracidade e brilhantismo na personagem Hit-Girl e Nicholas Cage finalmente saiu do automático e voltou a ser ator, está ótimo como Big-Daddy, junto de todo o elenco secundário.

O resultado da audácia do filme é super positiva. Kick-Ass é superior aos longas do gênero e uma das boas surpresas neste ano, que definitivamente decepcionou demais com vários projetos (esperamos que isso mude com Inception de Christopher Nolan, Harry Potter e Tron Legacy). O único problema do longa é não ultrapassar as expectativas de quem já havia visto o material do longa nos trailers, mas se você não os viu, desconsidere e divirta-se! Hit-Girl destrói!

Nota: 8,5

19.6.10

Crítica: Toy Story 3


TOY STORY 3

EUA , 2010 - 103 min.
Animação / Aventura / Comédia

Direção: 
Lee Unkrich

Roteiro: 
Michael Arndt, John Lasseter, Andrew Stanton, Lee Unkrich



Já faz anos que a Pixar Animation Studios é sinônimo de excelência e qualidade. A questão que sempre passou na cabeça de todos era saber quando eles errariam, a resposta é: provavelmente nunca. 

Na trama, o tempo passou e Andy (Dublado por John Morris ) já está com 17 anos e na hora de entrar para a faculdade, o que deixa Woody (Dublado por Tom Hanks) e seus companheiros desesperados com medo de acabar indo para o lixo e sendo esquecidos. Depois de uma pequena confusão, os bonecos vão parar na creche do bairro onde são usufruídos por crianças sem nenhuma "delicadeza". Para ajudar, são recebidos por Lotso (Dublado por Ned Beatty), um ursinho de pelúcia que domina todos os brinquedos do local e ainda obriga os novatos a serem as "presas" das crianças impedindo a fuga dos brinquedos de Andy.


O que a Pixar sempre nos proporcionou com seus filmes anteriores, vide, “Wall-E” e “Up-Altas Aventuras”, é contar com uma história simples de maneira formidável. Consegue aqui, inacreditavelmente, ser aperfeiçoado o que parecia ser inalterável. Toy Story 3 é simplesmente irretocável.


A maneira de brilhante de constrói uma animação infantil sem nunca subestimar a inteligência das crianças e ainda ressalta de forma simples e magnífica o politicamente correto, algo que será notado aos mais atentos, como por exemplo, uma cena onde Woody escala uma prateleira da creche cheia de material escolar, nota-se, as tesouras devidamente penduras no local mais alto e de difícil acesso ou como a subida de Buzz Lightyear na privada, onde o personagem coloca papel higiênico da borda para não sujar o vaso.

O que torna Toy Story 3 a um patamar acima das outras animações do estúdio como Wall-E (O melhor filme do estúdio até então) e Up-Altas Aventuras (2º melhor), é conseguir estabelecer uma comunicação com todos os públicos sem afetar nenhum deles negativamente. Não que isso fosse um defeito dos dois citados, mas será visivelmente compreensível a quem assistiu os últimos dois e assistir a Toy Story 3 ver que tanto Wall-E quando Up-Altas Aventuras, estabelecia uma animação infantil com um conteúdo mais adulto, o que fugia um pouquinho (mas nada que mudasse o brilhantismo dos filmes) dos conceitos dos estúdios e Toy Story conseguiu unir os conceitos do estúdio, que são filmes de aventura para toda a família com um conteúdo nada fútil como a dor da separação, a amizade e o recomeçar de novo de uma forma que agrade literalmente todos os públicos, sem apelar demais no drama ou construindo um filme de piadas fúteis, realmente, é algo único.

É igualmente sensacional e incrível ver a dedicação e a vontade de um estúdio como a Pixar que constrói e estabelece laços com o público de uma maneira jamais vista e sim, se você chorou assistindo Wall-E ou Up-Altas Aventuras, provavelmente se emocionará com Toy Story 3. Confesso que foi difícil conter as lágrimas, mas pode ficar tranquilo que de drama pesado o longa está longe, mas seus momentos "pessoais" são indiscutíveis.

Construído de forma única, o fim da primeira trilogia da Pixar saber dosar todas as químicas emocionais que possam construir o caráter e o senso de um ser humano (sim! Com aventura de bonecos) de forma que, talvez, você jamais note visualmente tudo o que eu disse, mas, com certeza, sentirá. Isso é o essencial.

Uma das melhores animações de todos os tempos.

Nota: 10,0


[P.S: O Curta que inicia o espetáculo da Pixar é igualmente brilhante ao filme]

3.6.10

Crítica: Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo



PRÍNCIPE DA PÉRSIA: AS AREIAS DO TEMPO
Prince of Persia: The Sands of Time

EUA, 2010 - 116 min 
Aventura

Direção: 
Mike Newell

Roteiro:
Boaz Yakin, Doug Miro, Carlo Bernard

Elenco: 
Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley, Alfred Molina, Steve Toussaint, Toby Kebbell, Richard Coyle, Ronald Pickup, Reece Ritchie

Em mais uma semana de blockbusters, chega aos cinemas "Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo. Vindo de adaptações de uma franquia dos consoles intitulada "Prince of Persia". O novo filme de Mike Newell traz outro épico aos cinemas. É superior ao longa de Louis Leterrier (Fúria de Titãs) mas os problemas de um, são os do outro.

Na trama, um pobre garoto é visto com bons olhos ao rei da Pérsia e lhe é concedido lugar dentro dos nobres. Logo Dastan (Jake Gyllenhaal) torna-se um nobre príncipe. Após a vitória de batalha, Nizam (Ben Kingsley) arma uma armadilha para o rei e culpa Dastan, que se vê obrigado a fugir com a ajuda da princesa Tamina (Gemma Arterton). Com ela, o príncipe descobre que seu tio quer uma adaga cuja sua areia é capaz de voltar no tempo para mudar seu passado e se tornar rei.

De uma fotografia esplêndida, Príncipe da Pérsia é tecnicamente quase irretocável, de uma construção gráfica grandiosa, junto de técnicas de filmagens capazes de conseguir tudo o que se precisa para aperfeiçoar cenas grandiosas e épicas. As referencias ao jogo são muitas e deve deixar os fãs contentes, porém, sua história segue um caminho distinto do jogo. Uma produção de Jerry Bruckheimer, feita pela Disney, era e é compreensível que deixasse toda a sanguinolência do jogo e tornasse o filme "mais acessível" ao público. Até aqui tudo bem. Até começarem os alívios cômicos insuportáveis.

Como "Transformers 2" e o recente "Fúria de Titãs", Príncipe da Pérsia perde-se e deixa de ser tudo o que se esperava. Os produtores executivos dos estúdios hollywoodianos devem estar achando que somente crianças até 10 anos de idade frequentam o cinema. Mas devo dizer que tudo isso é contraditório, já que nenhum dos filmes citados é para menores de 12 anos. Pura ironia ou a massa que frequenta o cinema está cada vez mais fútil e ignorante ao ponto destes produtores executivos colocarem QUALQUER material em exibição e as pessoas tratarem aquilo como algo realmente sensacional. Ser um filme rotulado como "blockbuster" tudo bem, mas descomprometimento tem limites, que deveriam ser impostos em todas as pessoas que cada vez mais lotam as salas de filmes do gênero. Uma pena. Não que Príncipe da Pérsia seja tão ruim ao ponto de merecer tamanho repreensão, mas para o público mais exigente, a cada ano que se passa, as temporadas de blockbusters estão cada vez mais fúteis do que divertidas, o que não era para acontecer. Esperamos que os próximos filmes melhorem tudo o que já veio. De longe, uma das piores temporadas dos últimos 6 anos.

Voltando ao longa, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo também cai no clichê hollywoodiano de achar tudo o que é dark pode se transformar em algo engraçado. Nem me refiro à adaptação que foi feita do jogo para o longa, mass sim de tudo o que foi incluído no filme, além de cenas que são absurdamente desnecessárias como a dos avestruzes e passagens que são construídas apenas para dar continuidade a ação desenfreada que levará ao desfecho vazio. 

Jake Gyllenhaal é um bom ator. Fez um ótimo trabalho em "O Segredo de Brokeback Mountain", mas como Sam Worthingtion, Gyllenhaal não convence como um príncipe, suas expressões são incapazes de criar um personagem de presença. Mas ao contrário de Worthington, suas expressões tentam e algumas vezes são carismáticas e suas cenas de lutas, ao menos, são convincentes, só não são ótimas porque seu rosto americanizado corta o efeito do que seu corpo faz em muitas cenas de ação. Gemma Arterton cria uma boa química com Gyllenhaal, mas os mesmos problemas americanizados do ator atingem a moça. Já Ben Kingsley se esforça junto a suas expressões que o tornam naturalmente um tanto quanto maléfico, mas não vai além. O resto do elenco mantém um resultado mediano.

Com uma história simples e um roteiro fraco, o longa decepcionou nas bilheterias norte-americanas de uma maneira que sua continuação está indefinida e incerta. Mas realmente não sei se acho tudo isso bom ou ruim. Bom se conseguirem acertar toda a palhaçada que colocaram ao longo deste filme ou ruim se tornarem tudo isso ainda pior.

Nota: 6,0