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23.5.10

Crítica: Alice no País das Maravilhas


ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Alice in Wonderland

EUA , 2010 - 108 min.
Aventura / Fantasia

Direção:
Tim Burton

Roteiro:
Linda Wolverton

Elenco: 
Johnny Depp, Anne Hathaway, Helena Bonham-Carter, Crispin Glover, Alan Rickman, Mia Wasilkowska, Stephen Fry, Michael Sheen, Timothy Spall

Vindo de uma espécie de continuação de um dos maiores clássicos da literatura infantil, Alice no País das Maravilhas chega aos cinemas por Tim Burton. Louco, divertido, quase excelente. Quase.

Na trama Alice (Mia Wasikowska) está com 19 anos e prestes a se casar com um lorde inglês chato e sem graça. Sem reação ao pedido do casamento, a garota corre atrás de um coelho que a persegue em seus sonhos há um bom tempo e acaba caindo dentro do mundo subterrâneo que já tinha visitado quando era uma criança, mas sempre achou que era um sonho. Mas tudo agora está diferente, a rainha vermelha domina o País das Maravilhas e cria uma ditadura a todos que ousem não atender seus pedidos. Quando Alice descobre que não havia caído lá a toa, e sim, está no meio de uma profecia em que ela terá que livrar aquele mundo surreal do mal em que se encontra. Mas a garota não tem certeza se realmente é a Alice que todos estão esperando, já que não se lembra de ter visitado aquele lugar.

Tim Burton sempre foi um diretor diferente de qualquer outro. Seus projetos são únicos, malucos, divertidos e surreais. Alice no País das Maravilhas não poderia ter caído em mãos melhores. Burton reconstrói todo o universo do clássico de forma maravilhosa, tudo muito detalhado e minucioso e nunca esquecendo, claro, do brilhante tom surreal (doentio até) e um tanto sombrio com qual o filme tem como seu melhor.

Os personagens são muito bem colocados e o elenco formidável cria o tom perfeito que os personagens precisavam: Johnny Depp voltou a se maquiar e novamente cria sua incomparável simpatia, doçura e excepcionalidade que faltava desde que tentou protagonizar um personagem "comum". Literalmente o mundo real não é seu forte e exemplo disto é “Inimigos Públicos”. Mas aqui, o ator volta com seu melhor e transpassa o Chapeleiro Maluco de forma entusiasmante. Anne Hathaway dá a pureza necessária a Rainha Branca e sua leveza com a personagem é algo que apenas ela poderia ter feito, já que seus traços pessoais refletem toda a ideia. Helena Boham Carter novamente está impecável, é incrível como ela nunca perde sua essência e como todos os citados, a Rainha Vermelha está na dose exata, louca, obsessiva, insegura e divertida, com certeza suas cenas durante o longa são o alto do filme. Do elenco principal a única que fica devendo mesmo é Mia Wasikowska. A atriz é muito repetitiva nas expressões, o que deixa Alice um tanto quanto desinteressante, mas nada que estrague a viagem que o filme te proporciona.

O "Quase" citado no começo do texto vem mesmo de um problema de roteiro, Tim Burton sempre criou coisas maravilhosas, mas seus roteiros não são o forte de seus filmes. Em Alice no País das Maravilhas também não é diferente. Pecando na simplicidade, Burton confia mais no que os personagens e o mundo subterrâneo possam passar ao telespectador e se esquece, às vezes, que é a história do filme que tem que conduzi-los. Sua confiança deixa, em certos momentos, o público deslumbrado por sua perfeita criação, mas em outros à mercê de uma história um tanto quanto vaga. Erro que poderia ter sido concertado com a inclusão de pequenas subtramas, que não fugissem do foco principal, mas que dessem mais objetividade no roteiro que, por isso, torna-se previsível.

Mas podem ficar tranquilos, o mundo construído por Tim Burton é único e te proporciona uma viagem fantástica e como um bom conto de fantasia infantil, te faz querer voltar a ser criança. Uma obra delicadamente mágica.

Nota: 8/10

Um comentário:

  1. eu amei o filme, apesar de alguns problemas com o reoteiro e algumas atuações que comentei em um post no meu blog também.

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