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23.5.10

Crítica: Fúria de Titãs


FÚRIA DE TITÃS 
Clash of the Titans 

EUA / Inglaterra, 2010 
Ação / Aventura / Épico / Fantasia

Direção: 
Louis Leterrier

Roteiro:
Travis Beacham, Phil Hay, Matt Manfredi


Elenco: 
Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Jason Flemyng, Gemma Arterton, Alexa Davalos, Tine Stapelfeldt, Mads Mikkelsen, Luke Evans, Izabella Miko


Depois de um atraso de mais de dois meses para chegar ao Brasil, finalmente Fúria de Titãs chega aos cinemas. O novo filme de Louis Leterrier, uma produção de 200 milhões de dólares transforma os efeitos especiais em protagonistas e os protagonistas em objetos de cenários.

Na simples trama, os Deuses do Olímpio começam a ficar nervosos porque os mortais não se importam mais com eles e entre eles, começam a formar seus lideres. Num ataque de raiva, Hades (Ralph Fiennes) convence seu irmão Zeus (Liam Neeson) a exigir com que as pessoas paguem pela falta de fé divina e propõem aos moradores da maior cidade habitada por humanos Argos a ficar diante de um tributo: sacrifiquem a bela princesa Andrômeda (Alexa Davalos) ou a cidade será devastada pelo Kraken: a maior criatura já criada pelos Deuses. O único que poderá fazer impedir isso será o filho semideus de Zeus, Perseu (Sam Worthington), cuja família foi destruída por Hades. Junto dos soldados da cidade, decide através da vingança, por um fim nisso tudo.

Novamente o que se tem aqui é uma história mal aproveitada. Muito mal aproveitada por sinal. Apesar de ser uma refilmagem do clássico de 1981, o problema do mal aproveitamento não vêm da reconstituição das cenas e roteiro, já que muitas vezes em um remake, algumas coisas são mudadas. O que era previsto. Já que a história do original não era nada excelente. O problema de Fúria de Titãs é que Louis Leterrier construiu um filme, visualmente dizendo, sensacional e literalmente esqueceu de todo o resto.

Não há espaço para mais nada no filme que não seja efeitos especiais. O roteiro altamente superficial limita-se junto aos personagens aprofundar-se apenas no que seria preciso para dar continuação ao longa e abrir espaço a mais correria e efeitos sensacionais. Não há reconhecimento nenhum entre público e protagonista, Sam Worthington literalmente é uma marionete durante toda a projeção sem ao menos criar ou improvisar nada que pudesse criar outro efeito ao personagem. Um ponto a menos à Leterrier que se mostra um péssimo diretor de atores quando tem nas mãos Liam Neeson e Ralph Fiennes. Dois atores soberbos que também limitam-se aos papéis de uma forma quase que inacreditável diante de seus históricos. 

Já com os elementos gráficos, cenografia e figurino Leterrier é impecável. Neste ponto, Fúria de Titãs é excelente. Mas a vontade de incluir tanta correria e várias criaturas ao mesmo tempo torna-se uma arma contra o longa, onde ao mesmo tempo, nenhuma é desenvolvida da forma que deveria ser e para pegar uma censura leve, as criaturas assustadoras são vitimas dos clichês hollywoodianos, onde os personagens que são assustadores e misteriosos, tornam-se aliados dos mocinhos e alvos de piadas dignas de “Transformers 2: A Vingança dos Derrotados”.

E infelizmente muita criação fica à deriva de cópias de elementos que deram certo em outros filmes, como o ataque do escorpião, onde é quase impossível não lembrar de que Michael Bay fez em “Transformers” com seu escorpião de ferro no deserto de Qatar ou as bruxas com os olhos nas mãos como em “O Labirinto do Fauno”, uma criatura que simboliza um dos pecados capitais feita por Guillermo Del Toro. Resumindo, tudo é muito belo e grandioso, feito de forma espetacular, mas tudo é mal aproveitado.

O material que Louis Leterrier tinha em mãos era o suficiente para tornar Fúria de Titãs inesquecível, mas preferiu caracterizá-lo como mais um blockbuster onde, com certeza, a massa adorará o filme e nem perceberá os erros dentro dele. Diante das expectativas formada em cima do longa, Fúria de Titãs foi a decepção do ano até agora. Visualmente lindo e só.

Nota: 5,0

Crítica: Alice no País das Maravilhas


ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Alice in Wonderland

EUA , 2010 - 108 min.
Aventura / Fantasia

Direção:
Tim Burton

Roteiro:
Linda Wolverton

Elenco: 
Johnny Depp, Anne Hathaway, Helena Bonham-Carter, Crispin Glover, Alan Rickman, Mia Wasilkowska, Stephen Fry, Michael Sheen, Timothy Spall

Vindo de uma espécie de continuação de um dos maiores clássicos da literatura infantil, Alice no País das Maravilhas chega aos cinemas por Tim Burton. Louco, divertido, quase excelente. Quase.

Na trama Alice (Mia Wasikowska) está com 19 anos e prestes a se casar com um lorde inglês chato e sem graça. Sem reação ao pedido do casamento, a garota corre atrás de um coelho que a persegue em seus sonhos há um bom tempo e acaba caindo dentro do mundo subterrâneo que já tinha visitado quando era uma criança, mas sempre achou que era um sonho. Mas tudo agora está diferente, a rainha vermelha domina o País das Maravilhas e cria uma ditadura a todos que ousem não atender seus pedidos. Quando Alice descobre que não havia caído lá a toa, e sim, está no meio de uma profecia em que ela terá que livrar aquele mundo surreal do mal em que se encontra. Mas a garota não tem certeza se realmente é a Alice que todos estão esperando, já que não se lembra de ter visitado aquele lugar.

Tim Burton sempre foi um diretor diferente de qualquer outro. Seus projetos são únicos, malucos, divertidos e surreais. Alice no País das Maravilhas não poderia ter caído em mãos melhores. Burton reconstrói todo o universo do clássico de forma maravilhosa, tudo muito detalhado e minucioso e nunca esquecendo, claro, do brilhante tom surreal (doentio até) e um tanto sombrio com qual o filme tem como seu melhor.

Os personagens são muito bem colocados e o elenco formidável cria o tom perfeito que os personagens precisavam: Johnny Depp voltou a se maquiar e novamente cria sua incomparável simpatia, doçura e excepcionalidade que faltava desde que tentou protagonizar um personagem "comum". Literalmente o mundo real não é seu forte e exemplo disto é “Inimigos Públicos”. Mas aqui, o ator volta com seu melhor e transpassa o Chapeleiro Maluco de forma entusiasmante. Anne Hathaway dá a pureza necessária a Rainha Branca e sua leveza com a personagem é algo que apenas ela poderia ter feito, já que seus traços pessoais refletem toda a ideia. Helena Boham Carter novamente está impecável, é incrível como ela nunca perde sua essência e como todos os citados, a Rainha Vermelha está na dose exata, louca, obsessiva, insegura e divertida, com certeza suas cenas durante o longa são o alto do filme. Do elenco principal a única que fica devendo mesmo é Mia Wasikowska. A atriz é muito repetitiva nas expressões, o que deixa Alice um tanto quanto desinteressante, mas nada que estrague a viagem que o filme te proporciona.

O "Quase" citado no começo do texto vem mesmo de um problema de roteiro, Tim Burton sempre criou coisas maravilhosas, mas seus roteiros não são o forte de seus filmes. Em Alice no País das Maravilhas também não é diferente. Pecando na simplicidade, Burton confia mais no que os personagens e o mundo subterrâneo possam passar ao telespectador e se esquece, às vezes, que é a história do filme que tem que conduzi-los. Sua confiança deixa, em certos momentos, o público deslumbrado por sua perfeita criação, mas em outros à mercê de uma história um tanto quanto vaga. Erro que poderia ter sido concertado com a inclusão de pequenas subtramas, que não fugissem do foco principal, mas que dessem mais objetividade no roteiro que, por isso, torna-se previsível.

Mas podem ficar tranquilos, o mundo construído por Tim Burton é único e te proporciona uma viagem fantástica e como um bom conto de fantasia infantil, te faz querer voltar a ser criança. Uma obra delicadamente mágica.

Nota: 8/10