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20.12.10

Crítica: Harry Potter e as Relíquias da Morte (Parte 1)

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE - PARTE 1
Harry Potter and the Deathly Hallows - Part 1 

EUA / Inglaterra, 2010 - 146 min.
Drama / Fantasia / Suspense

Direção: 
David Yates

Roteiro: 
Steve Kloves

Elenco: 
Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Ralph Fiennes, Michael Gambon 

Após quase 10 anos esperando por este momento, não havia como desenvolver mais expectativas para Harry Potter e as Relíquias da Morte (Parte 1). Era o momento que todos os fãs da franquia estavam esperando, o momento em que toda uma geração estaria sendo marcada, em que todos esperavam que David Yates nos entregasse o melhor filme da franquia. Yates não entregou apenas melhor filme da franquia, ele entregou o que havia de melhor em Harry Potter.

Não houve decisão mais sábia que a divisão da última adaptação. Li de alguns críticos que afirmaram incessantemente que a decisão foi feita exclusivamente por dinheiro. Acho que não é surpresa para ninguém que nenhum filme, por mais belo que ele seja, é financiado sem o pensamento do retorno do dinheiro que é investido, obvio. Uma das maiores críticas dos mesmos, afirmaram que a divisão foi feita exclusivamente por dinheiro, apontarando que o filme é, utilizando a mesma fala deles, “uma encheção de linguiça”. No mínimo, eles desconhecem o livro de J.K Rowling.

Na trama, Harry, Rony e Hermione ingressam em uma jornada atrás das horcruxes, partes da alma de Voldemort colocadas em objetos para não ser morto. Conforme Voldemort começa sua guerra contra os trouxas (aqueles que não são bruxos) e bruxos mestiços, o mundo trouxa e o mundo mágico não é mais seguro e o trio é obrigado a se esconder. Semanas de solidão nos esconderijos vão se arrastando intensamente, onde a amizade começa a ser testada e a convívio começa a ser tornar insuportável.

A divisão do filme foi escolhida exatamente onde o livro muda completamente, então a primeira parte de As Reliquias da Morte é construída de forma certeira e o clima necessário consegue ser atingido de forma surpreendente. Esqueçam qualquer atuação que tenham visto de Daniel Radcliffe, Rupert Grint e em especial, Emma Watson. Aqui, David Yates conseguiu tirar tudo e mais um pouco dos três atores e construiu um filme de fantasia repleto de drama verdadeiro. Drama, alias, é a verdadeira surpresa do longa: pesado, impactante, realista e trágico eram características um pouco distantes da franquia, pouco pelo conteúdo dos livros anteriores, à limitação dos atores, mas aqui tudo simplesmente vêm e cai como uma luva.

Aliás, não há nada em Harry Potter e as Relíquias da Morte parte 1 que não esteja encaixado de forma sublime,  a maravilhosa fotografia, a fantástica trilha sonora de Alexandre Desplat, a edição que evita cortes (algo incrivelmente incomum nos blockbusters do gênero) e se estende minuciosamente conforme a cena, é impressionante. O elenco secundário continua fantástico, as poucas cenas da Alan Rickman nos mostram o quão perfeito ele é para o papel de Severo Snape, Ralph Fiennes, Helena Boham Carter entre outros estão incríveis como sempre. A surpresa desta vez fica mesmo com o trio protagonista, em especial, Emma Watson, que simplesmente surpreendeu à todos e algumas vezes, parece carregar o fardo dos problemas centrais a trama sozinha, já Rupert Grint deixou o Rony bobinho de lado e trouxe um Rony engraçado na medida, de maior presença de cena e ainda mais carismático e Daniel Radcliffe simplesmente está no seu melhor momento e nos entrega tudo o que se esperava do personagem.

Também como fã da franquia, devo ressaltar o quão fiel Harry Potter e as Relíquias da Morte se mostrou em relação ao material original. É praticamente igual o que Zack Snyder fez com Watchmen, onde pareciam que as páginas dos livros literalmente estavam se transformando em cenas e isso de uma maneira que também não agredisse o longa como um filme por si só e não apenas uma transposição de uma obra em outra mídia. 

O que as pessoas não conseguiram entender nos dois primeiros longas de David Yates em relação ao material original, era que ele simplesmente não poderia seguir apenas o livro e dar continuidade à franquia como qualquer outro diretor, ele precisava estabelecer uma forte ligação entre o trio e uma ligação maior entre os personagens e o público, por que é notável que Yates pensou em As Relíquias da Morte antes de qualquer outro, é relativamente perceptível que ele saberia que quando chegasse a hora de finalizar a franquia, dar todo este tom sombrio, dramático e depressivo ao fim, alguém precisaria de um conteúdo que fosse além do que outros estabeleceram e se não fizesse nada, possivelmente o desfecho de toda uma série não teria o mesmo efeito do qual vemos hoje, o que atinge diretamente todo o arco dramático da série. Sábio. O mais curioso de tudo é que ele parece ter pensado no melhor desfecho dramático possível a franquia mesmo sem saber se ele seria mesmo o diretor que finalizaria a série nos cinemas. Grande diretor este David Yates.

Mesmo sendo fã da franquia, dos livros e tudo mais, o maior sentimento que Harry Potter e as Relíquias da Morte deixa ao fim do projeto é surpresa. Surpresa por fidelidade, por qualidade, comprometimento e ver que esta série que estamos acompanhando a mais de 10 anos está chegando ao fim. Felizmente da melhor maneira possível.

Nota: 10

19.12.10

Crítica: Tron - O Legado

TRON - O LEGADO
Tron Legacy


Estados Unidos
, 2010 - 125 min.
Ficção científica

Direção:
Joseph Kosinski

Roteiro:
Edward Kitsis, Adam Horowitz


Elenco: 
Jeff Bridges, Garrett Hedlund, Olivia Wilde, Bruce Boxleitner, James Frain, Beau Garrett, Michael Sheen, Anis Cheurfa, Serinda Swan, Yaya DaCosta, Elizabeth Mathis, Kis Yurij, Conrad Coates, Daft Punk

Chega este fim de semana nos cinemas, o tão aguardado Tron: O Legado, uma espécie de continuação do filme cult de 1982, Tron: Uma Odisséia Eletrônica. Detonado pela crítica, o filme do estreante Joseph Kosinski está longe de ser uma obra de arte, ou uma reiteração dentro do gênero, mas também está longe de ser a catástrofe criada sobre ele. E acho que sei o porquê...

Na trama, Kevin Flynn (Jeff Bridges) desaparece certa noite, deixando órfãos seu filho Sam e a empresa, que, 21 anos depois, está prestes a trair todos os princípios do sujeito ao lançar um produto defeituoso criado por Edward Dillinger, herdeiro do vilão do primeiro filme. É então que Sam descobre o paradeiro do pai, que se encontra preso na Grade – o mundo virtual que vinha criando e que agora é dominado por CLU (também Bridges), o programa desenvolvido por Flynn para cuidar daquele universo.

Visualmente dizendo, Tron: O Legado é simplesmente perfeito: fotografia fantástica, efeitos especiais fascinantes, uma criação de design raramente vista com tanta perfeição nos cinemas. A trilha igualmente sensacional de Daft Punk acompanha o filme de maneira adequada sem perder em nenhum momento a linha. Parte desta perfeição é devido aos músicos estarem presentes as filmagens para compôr a trilha de maneira mais cabível possível. O 3-D foi utilizado de maneira correta e sútil ao longa, ele funciona apenas no mundo virtual criado por Flynn e quando estamos no mundo real o longa segue em 2-D. Uma escolha realmente interessante.


O problema da continuação de Tron é ter um roteiro raso que poderia ser mais aprofundado e o motivo da decepção de muitos que viram as prévias era que, visualmente dizendo Tron - O Legado estava maravilhoso e suas prévias deixavam um tom de mistério, até complexidade sobre aquele mundo totalmente original e empolgante. Digamos que a decepção de muitos foi devido Tron ter um visual tão fascinante, que deveria ter um roteiro à altura para torná-lo memorável no cinema e não foi o que aconteceu.


O motivo desta falha de roteiro não se sabe ao certo de quem veio, se do diretor estreante Joseph Kosinski que se dedicou exclusivamente no visual, dos roteiristas de Lost ou da própria Disney que pode ter bloqueado um roteiro mais complexo para o filme, pois durante a finalização do longa e uma apresentação aos produtores executivos da Pixar, o filme passou por refilmagens, sem contar que 2010 simplesmente não foi o ano da Disney com exceção claro, dos fenômenos Toy Story 3 e Alice no País das Maravilhas. O produtor Jerry Bruckheimer simplesmente errou a mão em todos os projetos do estúdio e talvez o medo da Disney de lançar algo tão complexo que fosse rejeitado pelo seu público alvo, acabou apostando em um longa mais de entretenimento, empolgante e divertido para o grande público, porque apesar de Tron não ser o que poderia ter sido, não podemos negar suas qualidades e muitas se devem a Jeff Bridges.

Bridges se sente muito confortável com a posição de mentor zen e seu carisma é inegável, faz com que as fases de seu personagem pareçam realmente verdadeiras e sua versão mais jovem, acompanhada da mesma tecnologia utilizada em O Curioso Caso de Benjamin Button, é uma experiência interessante. Já Garrett Hedlund, ator pouco conhecido vindo de pontas de blockbusters como Tróia e Eragon, o garoto parece ser o que mais se diverte com toda a experiência do longa, mas suas expressões caricatas pouco colaboram ao persoangem. Olivia Wilde marca presença apesar de ter um papel contido, dramaticamente dizendo, e Michael Sheen diverte-se a sua maneira como Zuse: pula, dança, faz caretas bizarras que lembram uma mistura divertida dos personagens de Johnny Deep em A Fantástica Fábrica de Chocolate e Alice no País das Maravilhas. E a pequena ponta de Cilliam Murphy como Edward Dilleger, que simplesmente o tornou irreconhecível.


Como resultado final, Tron: O Legado é uma experiência interessante que pode simplesmente ser divertida e facilmente esquecida ou muito melhor aproveitada em uma possível sequência, que seria muito bem vinda por sinal.


Nota: 7,5/10



18.9.10

Crítica: Resident Evil: Recomeço (3-D)

RESIDENT EVIL: RECOMEÇO
Resident Evil: Afterlife

Estados Unidos, 2010 - 97 min;
Ação / Suspense

Direção: 
Paul W.S. Anderson

Roteiro: 
Paul W.S. Anderson


Elenco
Milla Jovovich, Ali Larter, Kim Coates, Shawn Roberts, Sergio Peris-Mencheta, Spencer Locke, Boris Kodjoe, Wentworth Miller, Sienna Guillory, Kacey Barnfield, Norman Yeung, Fulvio Cecere, Ray Olubowale, Christopher Kano, Tatsuya Goke, Nobuya Shimamoto, Peter Kosaka, Denis Akiyama, Kenta Tomeoki, Shin Kawai, Mika Nakashima

De que Resident Evil não é sinônimo de qualidade, nem fidelidade aos games e que o 3-D agora é o hype do momento, todos já sabem e é exatamente aí que Resident Evil: Recomeço faz a diferença. Sendo o primeiro filme a utilizar as câmeras Fusion System, criadas por James Cameron para Avatar, Paul W.S. Anderson utiliza a tecnologia de forma tão maravilhosa que simplesmente consegue prender a atenção dos telespectadores de forma tão surpreendente e fazer-los esquecer do desastre que é o longa em termos de roteiro e coerência.

A superficial trama traz Alice (Milla Jovovich) tentando destruir a corporação Umbrella junto de seus clones. Quando um rápido acidente acontece, tudo vem a passar seis meses depois e a personagem acha que está sozinha no mundo. Não demora muito e a personagem descobre haver um grupo de resistentes que conseguiram se isolar do vírus e dos zumbis numa ilha e é a procura destes resistentes que Alice descobre outro grupo de sobreviventes que virão a lutar juntos pela sobrevivência e reorganização do mundo.


O roteiro é horrível, os diálogos são fracos e os atores realmente não convencem. Anderson é um péssimo diretor de atores, conseguiu deixar Milla Jovovich passar em branco no seu melhor estilo de atuação. O mesmo pode se dizer de Wentworth Miller e Ali Carter. Novamente os personagens não têm profundidade, não tem desenvolvimento em tela e o telespectador realmente não consegue se identificar de maneira alguma com nenhum dos sentimentos emotivos da protagonista, nem mesmo compreender algumas passagens e personagens que vem a encher as telas repentinamente. Até aqui nada demais, outro típico filme de Paul e o típico caça-níquel desenvolvido para retirar todo o dinheiro possível do público fã dos games e que realmente não tem o que fazer no fim de semana. É a partir daí que veio a brilhante ideia de usar o 3-D para a construção do filme e o resultado é simples: Não é que o 3-D traz vida ao filme, ele simplesmente segura todos os inúmeros clichês em tela e desenvolve uma construção gráfica digna de palmas e consegue tirar Resident Evil: Recomeço da catástrofe.

Com uma fotografia sensacional e absurdamente muito bem desenvolvida, cai como luvas para as câmeras de James Cameron. Tão bem desenvolvida que me recuso a acreditar que Anderson não recebeu ajuda de James Cameron para trazer o 3-D de forma tão magnífica como o resultado final mostra. Desenvolvendo ambientes de maneiras mais tridimensionais e utilizando de artifícios cristalinos como água, estilhaços de balas e paredes, o desenvolvimento de tridimensionalidade em cenas paradas são incríveis trazendo objetivos de cenários comuns de maneira interativa, além de todo o espetáculo dos objetos voarem magnificamente em direção do telespectador fugindo completamente dos desastres das conversões, em exemplo, o recente Premonição 4 e Fúria de Titãs que foram convertidos após serem filmados com câmeras comuns. E diante do resultado, Anderson fez tudo o que podia para fazer jus as câmeras que utilizava, seu único defeito foi a falta de originalidade da identificação visual do filme.

Apesar de muito bem desenvolvido, o visual do filme faz referências gritantes ao longo da película como Matrix, Watchmen e 300, o que apesar de sensacional, acaba trazendo uma sensação de "Eu acho que já vi isso antes...", mas o telespectador que não tem costume de reparar ou mesmo que nunca tenha assistido nada em 3-D não terá problemas com isso, afinal, o desenvolvimento gráfico de Resident Evil: Recomeço é tão impactante que chama até a atenção de quem não gosta da franquia ou gênero. Mas alerta: se sua cidade não estiver exibindo o 3-D não perca seu tempo, o filme não se garante sozinho já que foi criado e filmado exclusivamente para ser exibido assim. Sortes deles que terão o retorno financeiro e nosso por não sairmos frustrados de outro blockbuster este ano. Não completamente pelo menos.


Nota: 5/10


20.8.10

Crítica: Os Mercenários

OS MERCENÁRIOS
The Expendables

Estados Unidos , 2010 - 103 min.
Ação

Direção: 
Sylvester Stallone

Roteiro: 
Dave Callaham, Sylvester Stallone


Elenco: 
Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Eric Roberts, Randy Couture, Steve Austin, David Zayas, Giselle Itié, Gary Daniels, Terry Crews, Mickey Rourke


Quando foi anunciado o elenco de Os Mercenários, automaticamente, o filme se transformou em um dos mais aguardados pelos fãs do gênero de ação oitentista, já que sua escala incluia uma dezena de atores que marcaram épocas. O resultado final não foi bem o que se esperava, mas com certeza, deverá agradar aos fãs.

Na trama, Sylvester Stallone lidera um grupo de mercenários que terão que executar um trabalho na Ilha de Vilhena onde um ditador torna a pequena ilha em uma verdadeira prisão para seus moradores. Quando Stallone enxerga o tamanho da situação que tem em mãos, decide recuar e desistir, mas a jovem Sandra (Gisele Itié) acaba mexendo com os conceitos morais do grandalhão que decide ajudar a moça.

A descrição da trama acima resume, literalmente, o roteiro de Os Mercenários. Despretensioso e longe de ser original, onde só pela leitura da sinopse podemos comparar o filme com qualquer um dos filmes da franquia Rambo. Alias, seria mais honesto se Os Mercenários fosse intitulado como Rambo V. Não que Stallone seja um Hitchcock, mas esperava-se que a interação dos grandes atores fossem a maior sacada do filme. Ao contrário do que poderia ter sido, o longa se resume tiroteios de longas e gigantescas escalas. 

Em uma das pequenas cenas de interação realmente interessante dos personagens, onde Stallone, Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger se encontram e começam a satirizar uns aos outros. No final, Schwarzenegger dá as costas aos outros e Willis pergunta: "Por que ele está indo embora?", Stallone rebate: "Ele está indo embora porquê quer ser presidente.". A sacada de humor sobre a vida pessoal e os diferentes rumos nas carreiras profissionais que distanciaram estes atores durante duas décadas parecia ser o motivo ideal para construir Os Mercenários e tira-lo da mesmice, porém, Stallone recua e nos entrega "mais do mesmo".

Longe de saber administrar um bom desenvolvimento de personagens, Sylvester tenta de todas as formas se mostrar insubstituível diante do grandioso elenco. No longa, ele é roteirista, diretor e ainda estrela o filme, o que poderia ser a explicação da limitação de toda a película. Parece ser exigência demais para um longa com atores que passaram metade de suas vidas atirando para todos os lados e marcando os grandiosos filmes de ação dos anos 80, mas mesmo tentasse construir uma crítica apenas sob este consentimento, o filme, ainda sim, ficaria abaixo do esperado. Construir uma película nostálgica com vários atores que marcaram uma época, fazendo homens liberarem a testosterona pela ação desenfreada e machista literalmente à risca, considerando a época e as diferenças atuais, é no mínimo limitado. Sem contar é claro, que já havíamos visto tudo isso milhares de vezes, que acaba transformando o filme em algo totalmente previsível e monótono. É isso acontece, no caso.

Mas apesar dos inúmeros defeitos, o longa tem lá seus méritos. O carisma (brutesco) dos atores e o conforto que alguns sentem nos papéis amenizam, em partes, as imperfeições de Os Mercenários. A cara de canastrão de Stallone está de volta, Jason Staham traz todo o seu carisma, Mickey Rourke também colabora e traz o seu melhor, junto de Terry Crews e todo o bom elenco secundário. Apenas Jet Li mostra-se perdido no meio de todo o tiroteio, já que este subgênero de ação não é a especialidade do ator, mas seu carisma tenta abater isso.

Os fãs do gênero e dos atores provavelmente nem perceberão todos os defeitos de Os Mercenários transpõe. A excitação de ver todos os atores mais poderosos de ação oitentista dentro do mesmo filme, vai fazer da experiência, uma relembrança mais do que satisfatória. Pena que na realidade, não é bem assim.

Nota: 5/10


8.8.10

Crítica: A Origem

A ORIGEM
Inception

EUA / Reino Unido, 2010 - 148 min.
Ficção científica / Suspense

Direção:
Christopher Nolan

Roteiro:
Christopher Nolan

Elenco:
Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ken Watanabe, Tom Hardy, Cillian Murphy, Tom Berenger, Dileep Rao, Michael Caine, Lukas Haas, Pete Postlethwaite

Christopher Nolan começou a pouco mais de 10 anos na indústria cinematográfica e com menos de 10 filmes no currículo, tornou-se um dos maiores diretores do cinema. Se sua genialidade foi comprovada em Amnésia, foi confirmada em O Grande Truque e se tornou incontestável em Batman - O Cavaleiro das Trevas. Com A Origem, Nolan não se mostra apenas genial, mas que, a partir de agora, seu nome entrará eternamente para a indústria cinematográfica. Brilhante, inteligente, complexo, impactante, as qualidades do longa são inúmeros, que ultrapassam às telas e implantam uma ideia na nossa mente.

Sua Mente é a cena de um crime, é o slogan das propagandas do filme. Deveriam ser alteradas para ''Sua mente viciará em um crime''. Se a frase não soasse tão negativa aos puritanos, posso dizer que ao final da película, você vai querer explorar mais, mais e mais algo que você podia até conhecer, mas a partir de agora, muito do que verá talvez insinue uma pessoalidade enorme com seu interior. Cuidado. É a genialidade de Nolan tomando conta.

Na trama, um grupo liderado por Leonardo DiCaprio utiliza uma máquina para entrar nos sonhos das pessoas e roubar-lhe seus maiores segredos. Depois de uma missão mal sucedida, o grupo recebe uma proposta que poderá mudar a negativa situação e ser apenas a única opção de Dom Cobb (DiCaprio). Mas, ao invés de roubarem, terão que implantar uma ideia, que é um processo muito mais complicado, ameaçando suas próprias vidas.

A sinopse acima foi a maneira mais superficial que encontrei para descrever A Origem sem comprometer nenhum detalhe. Apesar da rasa sinopse o filme, o longa toma um caminho muito longe da superficialidade. Ao contrário, qualquer dispersão do filme pode te custar a compreensão do todo. Já vá ciente ao cinema que você não está indo para esvaziar a cabeça assistindo outro blockbuster, pelo contrário, você provavelmente sairá explodindo de ideias, mas garanto-lhe que gostará de todas elas.

A complexidade que Christopher Nolan constrói em A Origem, se divide em tantas subtramas entre as subconsciências, um sonho dentro de outro sonho, de outro sonho que é admirável sua capacidade de amarrar uma trama que abre inúmeras portas e sabe utilizá-las de maneiras surpreendentes, tanto na construção do roteiro genial, tanto na construção visual dos sonhos que são grandiosos e deslumbrantes.

A ideia ilimitada de uma construção infinita no mundo dos sonhos foi algo que Nolan soube dominar dentro da construção do contexto e núcleo central da trama. Novamente o diretor inglês mostrou seu brilhantismo e domínio tão ressaltantes em seus filmes e utilizou certa barreira para administrar os sonhos de um jeito que justificasse o mundo utilizado pelo grupo dos extratores de ideias e o mundo imaginário que uma pessoa constrói enquanto dorme naturalmente. E esta é a chave da racionalidade, onde vai determinar tudo o que entra a favor do filme e tudo o que pode ficar fora. Quando o grupo força o sono, eles já têm toda uma arquitetura bolada exclusivamente para o trabalho que eles precisam fazer, ao contrário de uma pessoa que apenas dorme e não há barreiras para um sonho, pois ele não foi planejado ou forçado, e por incrível que pareça, alguns críticos criticaram negativamente o filme porquê não entenderam este desenvolvimento e erradamente, não admitiram seus erros. Mas a racionalidade e todo o conceito de Nolan viriam abaixo se ele não soubesse, mesmo dentro de um sonho ilimitado, as artimanhas que ele poderia utilizar. Felizmente soube e fez um golpe certeiro.

Dentro do seu mundo arquitetônico não há limites e barreiras para as diversas ideias maravilhosas saídas da mente deste fantástico diretor. Muitas das cenas são memoráveis e devem facilmente penetrar na mente do telespectador. Uma vez sabendo onde está mexendo, todo o modo calculista de Nolan desenvolve o máximo de realismo ao filme, sem contar que o diretor não gosta de utilizar efeitos especiais, algo raro hoje em dia em Hollywood e logo nos créditos do filme você provavelmente se perguntará se está no mundo real ou em um sonho. Mais um ponto positivo. E apesar de toda a complexidade da trama, ainda há espaço para um ótimo desenvolvimento dramático e uma intrigante e provocativa subconsciência que explora o ponto fraco da teoria do caos, algo que certamente causará fascínio aos que conhecem sobre.

Como se não bastasse tamanha grandiosidade, é quase inacreditável que Christopher Nolan pudesse desenvolver habilidades técnicas mais poderosas que as de O Cavaleiro das Trevas. Aqui, a fotográfica é inigualável, Hans Zimmer novamente constrói uma trilha fantástica e pesadíssima que caem como uma luva dentro de uma mão. Simplesmente maravilhoso. Além da escolha rica do elenco. Dois mil e dez realmente é o ano de Leonardo DiCaprio. Após o excelente desempenho em Ilha do Medo, DiCaprio vai além e dosa perfeitamente seu personagem demonstrando problemas que ele não pode controlar, de forma admirável. Em A Origem o desenvolvimento dos personagens e o envolvimento dos atores acontecem de forma rara no cinema de hoje, e todos dão o seu melhor para que tudo saia perfeitamente. A última vez que isso aconteceu foi em Bastardos Inglórios, mas aqui temos o sensacional Joseph Gordon Levitt. Se 500 Dias com Ela trouxe o melhor do ator, não deixe de assistir este filme. Já a Ellen Page traz todo seu ilimitado carisma e ultrapassa o papel da intermediaria que explicará de certa forma o filme. Seu papel é ótimo, o mesmo pode se dizer de Ken Watanabe, Cilliam Murphy, Marion Catilard, Tom Berenger e uma nota especial para Tom Hardy, o ator simplesmente está fantástico no papel de Eames, um transformador egocêntrico de saídas humorísticas perfeitas.

Com extrema carga de conteúdo, sugiro que não desgrude da tela do cinema por nenhum minuto. Desta vez esqueça pipoca, refrigerante, desligue o celular e esqueça-se do mundo ao seu redor. Deixe se influenciar por tudo o que verá nas telas. Depois que o longa terminar, sua mente estará viciada neste crime. Definitivamente Christopher Nolan não nos trouxe apenas o filme do ano, mas na ficção científica, os sonhos não serão mais vistos da mesma forma.

Nota: 10



31.7.10

Crítica: Salt

SALT

Estados Unidos, 2010 - 100 min.
Ação / Suspense

Direção:
Phillip Noyce

Roteiro:

Kurt Wimmer

Elenco:
Angelina Jolie, Liev Schreiber, Chiwetel Ejiofor, Olek Krupa, Daniel Olbrychski, Hunt Block, August Diehl


Angelina Jolie e Milla Jovovich são duas das atrizes (talvez asúnicas) que conseguem construir uma espécie de máscara no rosto e convencem o telespectador que elas sozinhas conseguem passar por absurdos (muito divertidos por sinal) que poucas pessoas na Terra poderiam fazer, se é que poderiam. É com esta premissa que Salt chega aos cinemas. E sim, do absurdo vem o nosso divertimento, e até agora, é o blockbuster que mais funcionou.

Na trama, Angelina Jolie vive Evelyn Salt, uma agente da CIA que deixou seu trabalho de campo para a jornada administrativa e ter uma vida a dois. No dia do seu aniversário de casamento, Salt vai interrogar um homem russo que diz ser um desertor de uma organização secreta russa que fará com que os EUA venham abaixo. Com vários espiões pelo país, ele acusa Salt de ser uma. Antes que ela possa se defender, o F.B.I decide prende-la até descobrir o que realmente se passa. Mas com medo de que o marido corra perigo, Salt se vê obrigada a fugir para tentar evitar o pior e onde tudo é mal interpretado. Onde a própria protagonista tomará algumas atitudes que o próprio telespectador vai duvidar de sua inocência.

Salt. Quem é Salt? Essa premissa fica até o terceiro ato do filme. Confundir e provocar o telespectador são as coisas que Phillip Noyce mais faz ou tenta fazer, porquê talvez os que estiverem prestando mais atenção ou tiverem uma mania de querer ir desvendando tudo quando está assistindo vai pegar toda a premissa de Salt logo no segundo ato. Mas isso não trará a falta de interesse pelo longa. Mesmo porquê Angelina Jolie carrega todo o filme debaixo dos braços. Como dito anteriormente, ela nasceu para este tipo de filme e ninguém faz isso melhor que ela, vide seu personagem adorável e ao mesmo tempo cruel de Sr. e Sra. Smith.

O que Salt propõe em suas cenas de ação poderia ter virado uma catástrofe em mãos de outro protagonista, apesar de Tom Cruise fazer bem o gênero, tanto que seria o ator que protagonizaria o filme, se não tivesse largado para fazer Encontro Explosivo. Felizmente isso aconteceu. Cruise não seguraria o que Jolie fez e muito bem. Com cenas de ação absurdas, mas super divertidas. Salt acaba virando uma caixinha de surpresas não apenas pelo roteiro, mas o telespectador espera para ver a próxima bizarrice que Jolie se safará. Com um ritmo ininterrupto, Salt é um blockbuster exemplar, divertindo sem destruir o cérebro do telespectador mais exigente e não perdendo a graça para o público que vai apenas pela ação do filme. Não é perfeito, mas é um ótimo entretenimento.

Já a escala de atores se mantém em um nível exemplar. Liev Schreiber nunca desaponta, mesmo, se quisesse e Chiwetel Ejiofor cumpre bem seu papel, e sem comentários sobre Angelina Jolie, acho que já falei o suficiente dela.

Como entretenimento, Salt é uma pedida e tanto para os adoradores de filmes de ação. E se você ouvir comentários que Salt segue a linha da trilogia Bourne... o filme segue por outros caminhos, mas Salt é Bourne de saias e salto alto.

Nota: 8/10


28.7.10

Crítica: Predadores

PREDADORES
Predators

EUA, 2010 - 107 min.
Ação

Direção:
Nimród Antal

Roteiro:

Alex Litvak, Michael Finch, Jim Thomas, John Thomas

Elenco:
Adrien Brody, Alice Braga, Topher Grace, Oleg Taktarov, Walton Goggins, Louis Ozawa Changchien, Laurence Fishburne, Danny Trejo, Mahershalalhashbaz Ali

Depois do bem mediano Alien VS Predador e do catastrófico Alien VS Predador 2, já era hora de alguém perceber que as duas franquias precisavam de uma recauchutada. A primeira a receber esta remodelagem é Predadores. Projeto que Robert Rodriguez decidiu encarar como produtor e passar a direção para Nimród Antal. O resultado é super agradável e felizmente traz toda a asquerosidade e repugnância de voltas as criaturas mais horrendas que o cinema já criou.

A trama é simples, um bando de mercenários caem numa terra desconhecida e tentando descobrir o porquê de estarem ali, acabam descobrindo que estão sendo caçados por criaturas alienígenas.
Parece falta de vontade de minha parte não querer detalhar a trama do filme, mas se contar mais do que mencionei acabarei contando as poucas surpresas da história. Mas olhando atentamente para Predadores, você percebe logo de cara, que Rodriguez se contenta com a produção, não apenas pelo gênero ser seu estilo, mas sim porquê a ideia do longa é mesmo tentar resgatar toda a fama monstruosa e tradicional que as criaturas denominadas "Predadores" representavam, e é claro, fazer com que o telespectador esqueça totalmente do desastre que Alien VS predador 2 foi e tentar estabelecer uma nova conexão com o público atual e os fãs da franquia. O trabalho não é fácil.

De roteiro simples e diálogos nem sempre tão bem sucedidos, Predadores delonga certo tempo do filme ao abordar um clima de tensão por algo que não se sabe o que é. O único problema desta abordagem, é que a visão descrita fica mesmo por conta dos personagens do que para os telespectadores que conhecem a criatura há várias décadas. Resta esperar então para que os tais Predadores apareçam em tela e voltem a causar a velha repugnância no público. Nisto a película se sai muito bem. Com o visual pouco modificado, as câmeras de Antal voltam a explorar as criaturas milimetricamente e os rastros de Rodriguez pelo filme trazem de volta um respeito a própria criatura.

A única inovação de Predadores fica por conta dos guarda-caças das criaturas que não trazem muita relevância a trama, mas são de agrado para o filme. A modéstia de Rodriguez em relação ao orçamento, trouxe outro ponto positivo ao longa. Sem muitos efeitos especiais e ''enfeites'', o longa mantém o realismo e não pula para a mania de computadorização gráfica de Hollywood.

Já o elenco se mantém dentro do estimado e não vai além. Adrien Brody se mostra um pouco desengonçado como o herói "Schwarzenegger" da vez, talvez devido a falta de prática mesmo, já que não é o estilo de filme que o ator costuma aparecer. A única que desbanca algo a mais, é a brasileira Alice Braga que se mostra cada vez mais adapta dentro de Hollywood e mantém um inglês excepcional. A aparição de Laurence Fishburne é rápida e pouco interfere dentro da escala do elenco.

Mesmo sem grandes sobre saltos, a franquia dos monstrengos mais assustadores do cinema volta aos eixos e mostram que voltaram para ficar. Como o próprio Rodriguez disse na Comic Con deste ano: ‘‘Predadores foi para restabelecer a franquia dentro do cinema e ver se funcionava, agora vamos começar nosso trabalho”. Não duvido, seu talento é inegável.


Nota: 7,5/10

16.7.10

Crítica: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES
Män Som Hatar Kvinnor

Suécia/Dinamarca/Alemanha, 2009 - 152 min. 
Suspense

Direção:
Niels Arden Oplev

Roteiro:
Rasmus Heisterberg, Nikolaj Arcel


Elenco: 
Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Peter Haber, Sven-Bertil Taube, Peter Andersson, Ingvar Hirdwall, Sofia Ledarp, David Dencik

Não há satisfação maior para um cinéfilo, descobrir ao acaso uma trilogia conceituadíssima na literatura da qual nunca havia ouvido falar e descobrir o quanto ela é excelente. Admito a ignorância pela minha parte, confesso que (ainda) não consegui ler ao livro, mas ao mesmo tempo sinto-me redimido e feliz por descobrir as obras de Stieg Larsson, escritor sueco que faleceu antes mesmo de suas obras ficarem famosas. E mesmo desconhecendo profundamente as obras, acho que posso dizer que Os Homens Que Não Amavam As Mulheres é, com certeza, uma abertura digna para a trilogia e deve agradar aos fãs.

Na trama, um jornalista famoso de uma revista fictícia conceituada na Suécia é preso por difamação a um milionário magnata dono de uma rede de empresas. Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist) tem certeza de que seu julgamento foi armado. Com o direito de recorrer a uma apelação, o jornalista terá seis meses para tentar achar provas que impeça sua prisão. Neste meio tempo, ele recebe um convite misterioso de Henrik Vanger (Sven-Bertil Taube), ex-comandante de uma empresa que leva seu sobrenome. Mikael então viaja até o norte do país para receber uma proposta: tentar desvendar o desaparecimento da sobrinha de Vanger que está desaparecida há mais de 40 anos. O problema é que no dia do desaparecimento da garota, o local onde toda a família Vanger vive, é fechado como uma ilha. No dia do desaparecimento, houve um acidente que bloqueou a única estrada que possibilitava a saída do vilarejo, indicando que o suposto assassino da garota seja um membro da família, pessoas rudes e gananciosas, pois, a garota herdava a maior parte das ações da empresa. Antes do desaparecimento, a sobrinha preferida de Vanger presenteava o avô em todos os seus aniversários com quadro com uma flor seca prensada e o curioso é que Henrik recebe estes quadros de todos os lugares do mundo até hoje. O que faz Vanger a crer que o assassino ainda está vivo e a solta. Enquanto isso, a hacker Lisbeth (Noomi Rapace) é contratada para investigar Mikael, onde acaba descobrindo a inocência do jornalista.

A trama é extensa. Para quem está acostumado apenas a assistir aos filmes americanos de linguagens fáceis pode ter alguns problemas com a linguagem arrastada sueca. Não apenas pelas falas dos atores, mas o andamento da película se desenvolve diferente do padrão americano. Nada é corrido demais e geralmente vem de diálogos rápidos e extensos, um pouco estranho para quem não tem o costume, mas garanto nada que prejudique o filme. Pelo contrário, a direção de Arden Oplev desenvolve a obra de Stieg Larsson de maneira mais sútil e menos barulhenta que os suspenses americanos. A envolvência do telespectador aqui vai além da trilha sonora pesada e dos sustos fáceis, não que "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres" fuja totalmente deste padrão, porquê se não deixaria de ser um suspense, mas a trama e os personagens são apresentados de formas mais pessoais. Às vezes, constrói situações brutais que fazem automaticamente que o telespectador tenha, alguma forma, conexão aos personagens. E este é o caso de Lisbeth Salander.

A garota hacker é amedrontadora, cheia de piercings e tatuagens. De personalidade extremamente forte e incomum, seria um prato cheio para a incompatibilidade do público, mas após uma cena terrível de estupro, se igualando, talvez, as cenas de estupro de A Laranja Mecânica, do brilhante Stanley Kubrick. É quase impossível depois daquela cena não criar um vinculo com a personagem e a atuação de Noomi Rapace convence e muito. Sua postura, de inicio rebelde, nos convence do contrário e mostra seu passado perturbador e o quão atormentada Lisbeth é. Brutal e fria, seu lado feminino desaparece totalmente. O interessante é ver como esta ''placa de gelo'' vai quebrando ao longo das duas horas e meia do filme, de uma maneira natural imposta na trama, que não transforma o personagem em algo falso e de dupla personalidade, onde poderia perder toda a graça desta ligação entre personagem e público. Com certeza, o personagem mais marcante do filme e de como tudo indica, de toda a trilogia.

O titulo brasileiro "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres" foi escolhido de forma enganosa pelo marketing da distribuidora. No titulo original "Os Homens Que Odeiam As Mulheres", com certeza, pode traduzir desde início, o que o filme vai desenvolver durante toda sua projeção. Desconheço da cultura sueca, mas há boatos que Larsson, escritor dos livros, fora assassinado e não morto vítima de um infarto como descreve muitos lugares. Há jornais que dizem que o escritor tinha problemas com o governo sueco pela exposição que seus livros tinham da cultura do país. Nada que indique nada, claro, mas o que não seria uma grande surpresa. Não quero expôr o que de fato o filme sugere, mas não é nada muito a favor do país, culturalmente dizendo.

Longe de ser uma boa atração apenas pelos boatos que circulam em volta de suas origens, o longa desenvolve um tom investigativo ótimo que me fez lembrar da essência de clássicos como Sherlock Holmes. Se Guy Hitchie tivesse criado uma investigação como esta à Robert Downey Jr., algo realmente interessante, envolvente e sério, como as verdadeiras origens do personagem, com certeza, tiraríamos mais proveitos do que vimos, sem dúvidas. Mas o que Guy Hitchie não fez, Niels Arden Oplev traz a nós de forma muito mais ousada e interessante.

Soube que a maldição de remakes caiu também em cima de ''Os Homens Que Não Amavam As Mulheres''. Até diria que seria algo que não valeria a pena ser visto. Algo desnecessário. Mas como soube que David Fincher (do maravilhoso O Curioso Caso de Benjamin Button e do futuro A Rede Social) foi quem decidiu fazer o remake. É a primeira vez que podemos dizer que poderá ser algo excelente disso tudo.

Mesmo atrasado em um ano, a película tornou-se uma grande (e boa) surpresa neste ano, cheio de catástrofes como "Fúria de Titãs". Se ''A Menina Que Brincava Com Fogo'', segundo livro da trilogia do escritor sueco, for adaptado de forma tão comprometida como este se mostra, teremos uma trilogia, enfim, muito boa para acompanhar nos cinemas.

Nota: 8,7


4.7.10

Crítica: A Saga Crepúsculo: Eclipse


A SAGA CREPÚSCULO: ECLIPSE
The Twilight Saga: Eclipse

EUA , 2010 - 124 min.
Aventura / Fantasia / Romance


Direção: 
David Slade

Roteiro: 
Melissa Rosenberg


Elenco: 
Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Billy Burke, Ashley Greene, Dakota Fanning

Em menos de 1 ano, mais um filme da "Saga Crepúsculo" chega aos cinemas. E com David Slade na direção, a franquia resolveu alguns de seus problemas, porém, alguns permanecem intactos. Contudo, melhor filme da saga até aqui. O que, de fato, não quer dizer muita coisa.

Na continuação, Edward se convence que seu lugar é ao lado de Bella e propõe casamento a garota e também transformar-lá em vampira. Mas acontecimentos estranhos pela redondeza começam a trilhar um mistério de que algo ruim está para acontecer. Com tantas decisões a serem tomadas, Bella continua indecisa sobre seus sentimentos em relação a Jacob e de nada ajuda seu pai incentivar sua amizade com ele. Quando descobre a chegada de um novo clã de vampiros recém formados, os Cullen precisarão conter os estragos do novo grupo para impedir a chegada dos Volturi, o clã de mestres vampiros.

Percebe-se a diferença entre Eclipse e os outros longas da franquia desde seu início. Da reformulação da fotografia até os efeitos especiais, o longa de Slade é superior. Chega daquele pó de arroz horripilante e artificial no rosto de Edward, que está sendo trocado por uma maquiagem mais natural e sútil. O mesmo pode se dizer das lentes de contato vermelhas dos Volturi, os efeitos especiais dos lobos, as corridas dos vampiros... Os diálogos fluem melhores. 

Percebemos aqui que David Slade fez tudo o que pôde para mudar muito dos pontos técnicos negativos da franquia, mas nota-se que algo não mudou em nada: o roteiro fraco. O roteiro de Melissa Rosenberg definitivamente não passa da pretensão de criar-se "mais um". Aqui, sente-se o dedo dos produtores executivos sendo mexidos. "O filme não pode ter uma história boa, tem que fluir apenas para situações em que as adolescentes esperam ver ao assistir o filme, dois homens bonitos brigando por uma garota comum''. E acredite, algumas situações constrangedoras, que fazem os personagens viverem aquilo apenas para saciar esta ininterrupta e progressiva compulsão das adolescentes (e novamente funcionou, pela inquietante reação das garotas dentro da sala de projeção).

Infelizmente (ou não), o problema desta vez não é a direção. Pelo contrário, Slade tentou de tudo para mudar o que pôde para aprimorar a franquia, mas não obteve tanto sucesso. Soube que David chegou a gravar 120 vezes o mesmo "take" de uma cena para tentar obter atuações melhores do limitado trio, claro que, considerando que a explosão de dinheiro que a franquia faz, em conseqUência apenas dos rostos e corpos deles, pouca coisa foi alterada. Os diálogos fluem melhores. Robert Pattison está começando a diminuir o rosto sofrido e o mesmo pode se dizer de Kristen Stewart que conteve a expressão de ''inalterável'', mas nada tão positivo. Ele continua dizendo frases que nenhum homem no planeta Terra falaria e ela continua parecendo uma boneca de pano sem expressão. Já Taylor Lautner continua sem camisa até mesmo na neve. E aqui, mais um dedo dos produtores executivos.

No que David Slade pôde mudar, melhorou e muito. A ação finalmente está convincente, não apenas pelo melhor aperfeiçoamento dos efeitos especiais, mas sim as formas de como as coisas foram feitas e executadas, com mais ferocidade e "takes" mais violentos, deixaram os lobos e os vampiros realmente ameaçadores, algo fatal nos filmes anteriores.

O que de resumo podemos obter, é saber que mesmo que a franquia receba um ótimo diretor, o gosto das garotas estará sempre falando mais alto para os produtores executivos. O que resta saber é: você acha que o material apresentado é digno para assistir a continuação, ou pára por aqui?

Nota: 7,5

26.6.10

Crítica: Kick-Ass: Quebrando Tudo

KICK-ASS - QUEBRANDO TUDO
Kick-Ass 

EUA / Reino Unido, 2010 - 117 min.
Ação

Direção: 
Matthew Vaughn

Roteiro: 
Matthew Vaughn, Jane Goldman, Mark Millar

Elenco: 
Aaron Johnson, Chloe Moretz, Nicolas Cage, Mark Strong, Christopher Mintz-Plasse, Clark Duke, Evan Peters, Lyndsy Fonseca, Jason Flemyng


Depois de uma agradável recepção na Comic Con ano passado, Kick-Ass: Quebrando Tudo chega aos cinemas. Tudo o prometido por Matthew Vaughn é cumprido e o longa é um dos mais audaciosos dos últimos anos, o único problema do longa é ter divulgado a maioria das cenas nos trailers, quebrando o "algo além" da expectativa.

Como na HQ, o filme conta a história de Dave Lizewski (Aaron Johnson) um garoto nerd viciado por quadrinhos questionando o motivo de por que ninguém nunca ter tentando ser um super-herói. Após notar e ser vitima da violência de sua cidade, Dave decide se transformar em um herói combatente ao crime. Só que ele não esperava achar outras pessoas no ramo e vilões de verdade.

A brutalidade e a inocência são retratadas de forma tão real no filme que causa espanto no telespectador e ao mesmo tempo empolgação. Junto da ferocidade e humor negro de ver uma garota de 11 anos fazer e falar coisas inacreditáveis, já é prova de que Vaughn não conseguiria ter o filme exatamente como ele chegou aos cinemas se realmente não o tivesse, ele próprio, financiado e dado ao projeto toda a densidade necessária para que a película não tivesse se tornado mais um "Dragonball: Evolution" da vida. E mesmo com o risco de falir, ele negou a todos os estúdios que quiseram comprar o filme com a condição de alterações. Isto que é paixão pelo arte e Kick-Ass esbanja esta vontade de um diretor dedicou teve todo o tempo necessário para que este projeto ganhasse vida.

Os personagens estão ótimos. Aaron Johnson como Kick-Ass não poderia estar melhor. Toda a inocência e vontade que constrói o personagem desde o primeiro ato vão se transformando conforme o tempo e ele vai tendo consciência do que criou e das consequências de seus atos. Já Chloe Moretz se mostra uma atriz fantástica. É quase inacreditável como a garota conseguiu chegar a um nível extremo para dar feracidade e brilhantismo na personagem Hit-Girl e Nicholas Cage finalmente saiu do automático e voltou a ser ator, está ótimo como Big-Daddy, junto de todo o elenco secundário.

O resultado da audácia do filme é super positiva. Kick-Ass é superior aos longas do gênero e uma das boas surpresas neste ano, que definitivamente decepcionou demais com vários projetos (esperamos que isso mude com Inception de Christopher Nolan, Harry Potter e Tron Legacy). O único problema do longa é não ultrapassar as expectativas de quem já havia visto o material do longa nos trailers, mas se você não os viu, desconsidere e divirta-se! Hit-Girl destrói!

Nota: 8,5

19.6.10

Crítica: Toy Story 3


TOY STORY 3

EUA , 2010 - 103 min.
Animação / Aventura / Comédia

Direção: 
Lee Unkrich

Roteiro: 
Michael Arndt, John Lasseter, Andrew Stanton, Lee Unkrich



Já faz anos que a Pixar Animation Studios é sinônimo de excelência e qualidade. A questão que sempre passou na cabeça de todos era saber quando eles errariam, a resposta é: provavelmente nunca. 

Na trama, o tempo passou e Andy (Dublado por John Morris ) já está com 17 anos e na hora de entrar para a faculdade, o que deixa Woody (Dublado por Tom Hanks) e seus companheiros desesperados com medo de acabar indo para o lixo e sendo esquecidos. Depois de uma pequena confusão, os bonecos vão parar na creche do bairro onde são usufruídos por crianças sem nenhuma "delicadeza". Para ajudar, são recebidos por Lotso (Dublado por Ned Beatty), um ursinho de pelúcia que domina todos os brinquedos do local e ainda obriga os novatos a serem as "presas" das crianças impedindo a fuga dos brinquedos de Andy.


O que a Pixar sempre nos proporcionou com seus filmes anteriores, vide, “Wall-E” e “Up-Altas Aventuras”, é contar com uma história simples de maneira formidável. Consegue aqui, inacreditavelmente, ser aperfeiçoado o que parecia ser inalterável. Toy Story 3 é simplesmente irretocável.


A maneira de brilhante de constrói uma animação infantil sem nunca subestimar a inteligência das crianças e ainda ressalta de forma simples e magnífica o politicamente correto, algo que será notado aos mais atentos, como por exemplo, uma cena onde Woody escala uma prateleira da creche cheia de material escolar, nota-se, as tesouras devidamente penduras no local mais alto e de difícil acesso ou como a subida de Buzz Lightyear na privada, onde o personagem coloca papel higiênico da borda para não sujar o vaso.

O que torna Toy Story 3 a um patamar acima das outras animações do estúdio como Wall-E (O melhor filme do estúdio até então) e Up-Altas Aventuras (2º melhor), é conseguir estabelecer uma comunicação com todos os públicos sem afetar nenhum deles negativamente. Não que isso fosse um defeito dos dois citados, mas será visivelmente compreensível a quem assistiu os últimos dois e assistir a Toy Story 3 ver que tanto Wall-E quando Up-Altas Aventuras, estabelecia uma animação infantil com um conteúdo mais adulto, o que fugia um pouquinho (mas nada que mudasse o brilhantismo dos filmes) dos conceitos dos estúdios e Toy Story conseguiu unir os conceitos do estúdio, que são filmes de aventura para toda a família com um conteúdo nada fútil como a dor da separação, a amizade e o recomeçar de novo de uma forma que agrade literalmente todos os públicos, sem apelar demais no drama ou construindo um filme de piadas fúteis, realmente, é algo único.

É igualmente sensacional e incrível ver a dedicação e a vontade de um estúdio como a Pixar que constrói e estabelece laços com o público de uma maneira jamais vista e sim, se você chorou assistindo Wall-E ou Up-Altas Aventuras, provavelmente se emocionará com Toy Story 3. Confesso que foi difícil conter as lágrimas, mas pode ficar tranquilo que de drama pesado o longa está longe, mas seus momentos "pessoais" são indiscutíveis.

Construído de forma única, o fim da primeira trilogia da Pixar saber dosar todas as químicas emocionais que possam construir o caráter e o senso de um ser humano (sim! Com aventura de bonecos) de forma que, talvez, você jamais note visualmente tudo o que eu disse, mas, com certeza, sentirá. Isso é o essencial.

Uma das melhores animações de todos os tempos.

Nota: 10,0


[P.S: O Curta que inicia o espetáculo da Pixar é igualmente brilhante ao filme]

3.6.10

Crítica: Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo



PRÍNCIPE DA PÉRSIA: AS AREIAS DO TEMPO
Prince of Persia: The Sands of Time

EUA, 2010 - 116 min 
Aventura

Direção: 
Mike Newell

Roteiro:
Boaz Yakin, Doug Miro, Carlo Bernard

Elenco: 
Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley, Alfred Molina, Steve Toussaint, Toby Kebbell, Richard Coyle, Ronald Pickup, Reece Ritchie

Em mais uma semana de blockbusters, chega aos cinemas "Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo. Vindo de adaptações de uma franquia dos consoles intitulada "Prince of Persia". O novo filme de Mike Newell traz outro épico aos cinemas. É superior ao longa de Louis Leterrier (Fúria de Titãs) mas os problemas de um, são os do outro.

Na trama, um pobre garoto é visto com bons olhos ao rei da Pérsia e lhe é concedido lugar dentro dos nobres. Logo Dastan (Jake Gyllenhaal) torna-se um nobre príncipe. Após a vitória de batalha, Nizam (Ben Kingsley) arma uma armadilha para o rei e culpa Dastan, que se vê obrigado a fugir com a ajuda da princesa Tamina (Gemma Arterton). Com ela, o príncipe descobre que seu tio quer uma adaga cuja sua areia é capaz de voltar no tempo para mudar seu passado e se tornar rei.

De uma fotografia esplêndida, Príncipe da Pérsia é tecnicamente quase irretocável, de uma construção gráfica grandiosa, junto de técnicas de filmagens capazes de conseguir tudo o que se precisa para aperfeiçoar cenas grandiosas e épicas. As referencias ao jogo são muitas e deve deixar os fãs contentes, porém, sua história segue um caminho distinto do jogo. Uma produção de Jerry Bruckheimer, feita pela Disney, era e é compreensível que deixasse toda a sanguinolência do jogo e tornasse o filme "mais acessível" ao público. Até aqui tudo bem. Até começarem os alívios cômicos insuportáveis.

Como "Transformers 2" e o recente "Fúria de Titãs", Príncipe da Pérsia perde-se e deixa de ser tudo o que se esperava. Os produtores executivos dos estúdios hollywoodianos devem estar achando que somente crianças até 10 anos de idade frequentam o cinema. Mas devo dizer que tudo isso é contraditório, já que nenhum dos filmes citados é para menores de 12 anos. Pura ironia ou a massa que frequenta o cinema está cada vez mais fútil e ignorante ao ponto destes produtores executivos colocarem QUALQUER material em exibição e as pessoas tratarem aquilo como algo realmente sensacional. Ser um filme rotulado como "blockbuster" tudo bem, mas descomprometimento tem limites, que deveriam ser impostos em todas as pessoas que cada vez mais lotam as salas de filmes do gênero. Uma pena. Não que Príncipe da Pérsia seja tão ruim ao ponto de merecer tamanho repreensão, mas para o público mais exigente, a cada ano que se passa, as temporadas de blockbusters estão cada vez mais fúteis do que divertidas, o que não era para acontecer. Esperamos que os próximos filmes melhorem tudo o que já veio. De longe, uma das piores temporadas dos últimos 6 anos.

Voltando ao longa, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo também cai no clichê hollywoodiano de achar tudo o que é dark pode se transformar em algo engraçado. Nem me refiro à adaptação que foi feita do jogo para o longa, mass sim de tudo o que foi incluído no filme, além de cenas que são absurdamente desnecessárias como a dos avestruzes e passagens que são construídas apenas para dar continuidade a ação desenfreada que levará ao desfecho vazio. 

Jake Gyllenhaal é um bom ator. Fez um ótimo trabalho em "O Segredo de Brokeback Mountain", mas como Sam Worthingtion, Gyllenhaal não convence como um príncipe, suas expressões são incapazes de criar um personagem de presença. Mas ao contrário de Worthington, suas expressões tentam e algumas vezes são carismáticas e suas cenas de lutas, ao menos, são convincentes, só não são ótimas porque seu rosto americanizado corta o efeito do que seu corpo faz em muitas cenas de ação. Gemma Arterton cria uma boa química com Gyllenhaal, mas os mesmos problemas americanizados do ator atingem a moça. Já Ben Kingsley se esforça junto a suas expressões que o tornam naturalmente um tanto quanto maléfico, mas não vai além. O resto do elenco mantém um resultado mediano.

Com uma história simples e um roteiro fraco, o longa decepcionou nas bilheterias norte-americanas de uma maneira que sua continuação está indefinida e incerta. Mas realmente não sei se acho tudo isso bom ou ruim. Bom se conseguirem acertar toda a palhaçada que colocaram ao longo deste filme ou ruim se tornarem tudo isso ainda pior.

Nota: 6,0

23.5.10

Crítica: Fúria de Titãs


FÚRIA DE TITÃS 
Clash of the Titans 

EUA / Inglaterra, 2010 
Ação / Aventura / Épico / Fantasia

Direção: 
Louis Leterrier

Roteiro:
Travis Beacham, Phil Hay, Matt Manfredi


Elenco: 
Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Jason Flemyng, Gemma Arterton, Alexa Davalos, Tine Stapelfeldt, Mads Mikkelsen, Luke Evans, Izabella Miko


Depois de um atraso de mais de dois meses para chegar ao Brasil, finalmente Fúria de Titãs chega aos cinemas. O novo filme de Louis Leterrier, uma produção de 200 milhões de dólares transforma os efeitos especiais em protagonistas e os protagonistas em objetos de cenários.

Na simples trama, os Deuses do Olímpio começam a ficar nervosos porque os mortais não se importam mais com eles e entre eles, começam a formar seus lideres. Num ataque de raiva, Hades (Ralph Fiennes) convence seu irmão Zeus (Liam Neeson) a exigir com que as pessoas paguem pela falta de fé divina e propõem aos moradores da maior cidade habitada por humanos Argos a ficar diante de um tributo: sacrifiquem a bela princesa Andrômeda (Alexa Davalos) ou a cidade será devastada pelo Kraken: a maior criatura já criada pelos Deuses. O único que poderá fazer impedir isso será o filho semideus de Zeus, Perseu (Sam Worthington), cuja família foi destruída por Hades. Junto dos soldados da cidade, decide através da vingança, por um fim nisso tudo.

Novamente o que se tem aqui é uma história mal aproveitada. Muito mal aproveitada por sinal. Apesar de ser uma refilmagem do clássico de 1981, o problema do mal aproveitamento não vêm da reconstituição das cenas e roteiro, já que muitas vezes em um remake, algumas coisas são mudadas. O que era previsto. Já que a história do original não era nada excelente. O problema de Fúria de Titãs é que Louis Leterrier construiu um filme, visualmente dizendo, sensacional e literalmente esqueceu de todo o resto.

Não há espaço para mais nada no filme que não seja efeitos especiais. O roteiro altamente superficial limita-se junto aos personagens aprofundar-se apenas no que seria preciso para dar continuação ao longa e abrir espaço a mais correria e efeitos sensacionais. Não há reconhecimento nenhum entre público e protagonista, Sam Worthington literalmente é uma marionete durante toda a projeção sem ao menos criar ou improvisar nada que pudesse criar outro efeito ao personagem. Um ponto a menos à Leterrier que se mostra um péssimo diretor de atores quando tem nas mãos Liam Neeson e Ralph Fiennes. Dois atores soberbos que também limitam-se aos papéis de uma forma quase que inacreditável diante de seus históricos. 

Já com os elementos gráficos, cenografia e figurino Leterrier é impecável. Neste ponto, Fúria de Titãs é excelente. Mas a vontade de incluir tanta correria e várias criaturas ao mesmo tempo torna-se uma arma contra o longa, onde ao mesmo tempo, nenhuma é desenvolvida da forma que deveria ser e para pegar uma censura leve, as criaturas assustadoras são vitimas dos clichês hollywoodianos, onde os personagens que são assustadores e misteriosos, tornam-se aliados dos mocinhos e alvos de piadas dignas de “Transformers 2: A Vingança dos Derrotados”.

E infelizmente muita criação fica à deriva de cópias de elementos que deram certo em outros filmes, como o ataque do escorpião, onde é quase impossível não lembrar de que Michael Bay fez em “Transformers” com seu escorpião de ferro no deserto de Qatar ou as bruxas com os olhos nas mãos como em “O Labirinto do Fauno”, uma criatura que simboliza um dos pecados capitais feita por Guillermo Del Toro. Resumindo, tudo é muito belo e grandioso, feito de forma espetacular, mas tudo é mal aproveitado.

O material que Louis Leterrier tinha em mãos era o suficiente para tornar Fúria de Titãs inesquecível, mas preferiu caracterizá-lo como mais um blockbuster onde, com certeza, a massa adorará o filme e nem perceberá os erros dentro dele. Diante das expectativas formada em cima do longa, Fúria de Titãs foi a decepção do ano até agora. Visualmente lindo e só.

Nota: 5,0

Crítica: Alice no País das Maravilhas


ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Alice in Wonderland

EUA , 2010 - 108 min.
Aventura / Fantasia

Direção:
Tim Burton

Roteiro:
Linda Wolverton

Elenco: 
Johnny Depp, Anne Hathaway, Helena Bonham-Carter, Crispin Glover, Alan Rickman, Mia Wasilkowska, Stephen Fry, Michael Sheen, Timothy Spall

Vindo de uma espécie de continuação de um dos maiores clássicos da literatura infantil, Alice no País das Maravilhas chega aos cinemas por Tim Burton. Louco, divertido, quase excelente. Quase.

Na trama Alice (Mia Wasikowska) está com 19 anos e prestes a se casar com um lorde inglês chato e sem graça. Sem reação ao pedido do casamento, a garota corre atrás de um coelho que a persegue em seus sonhos há um bom tempo e acaba caindo dentro do mundo subterrâneo que já tinha visitado quando era uma criança, mas sempre achou que era um sonho. Mas tudo agora está diferente, a rainha vermelha domina o País das Maravilhas e cria uma ditadura a todos que ousem não atender seus pedidos. Quando Alice descobre que não havia caído lá a toa, e sim, está no meio de uma profecia em que ela terá que livrar aquele mundo surreal do mal em que se encontra. Mas a garota não tem certeza se realmente é a Alice que todos estão esperando, já que não se lembra de ter visitado aquele lugar.

Tim Burton sempre foi um diretor diferente de qualquer outro. Seus projetos são únicos, malucos, divertidos e surreais. Alice no País das Maravilhas não poderia ter caído em mãos melhores. Burton reconstrói todo o universo do clássico de forma maravilhosa, tudo muito detalhado e minucioso e nunca esquecendo, claro, do brilhante tom surreal (doentio até) e um tanto sombrio com qual o filme tem como seu melhor.

Os personagens são muito bem colocados e o elenco formidável cria o tom perfeito que os personagens precisavam: Johnny Depp voltou a se maquiar e novamente cria sua incomparável simpatia, doçura e excepcionalidade que faltava desde que tentou protagonizar um personagem "comum". Literalmente o mundo real não é seu forte e exemplo disto é “Inimigos Públicos”. Mas aqui, o ator volta com seu melhor e transpassa o Chapeleiro Maluco de forma entusiasmante. Anne Hathaway dá a pureza necessária a Rainha Branca e sua leveza com a personagem é algo que apenas ela poderia ter feito, já que seus traços pessoais refletem toda a ideia. Helena Boham Carter novamente está impecável, é incrível como ela nunca perde sua essência e como todos os citados, a Rainha Vermelha está na dose exata, louca, obsessiva, insegura e divertida, com certeza suas cenas durante o longa são o alto do filme. Do elenco principal a única que fica devendo mesmo é Mia Wasikowska. A atriz é muito repetitiva nas expressões, o que deixa Alice um tanto quanto desinteressante, mas nada que estrague a viagem que o filme te proporciona.

O "Quase" citado no começo do texto vem mesmo de um problema de roteiro, Tim Burton sempre criou coisas maravilhosas, mas seus roteiros não são o forte de seus filmes. Em Alice no País das Maravilhas também não é diferente. Pecando na simplicidade, Burton confia mais no que os personagens e o mundo subterrâneo possam passar ao telespectador e se esquece, às vezes, que é a história do filme que tem que conduzi-los. Sua confiança deixa, em certos momentos, o público deslumbrado por sua perfeita criação, mas em outros à mercê de uma história um tanto quanto vaga. Erro que poderia ter sido concertado com a inclusão de pequenas subtramas, que não fugissem do foco principal, mas que dessem mais objetividade no roteiro que, por isso, torna-se previsível.

Mas podem ficar tranquilos, o mundo construído por Tim Burton é único e te proporciona uma viagem fantástica e como um bom conto de fantasia infantil, te faz querer voltar a ser criança. Uma obra delicadamente mágica.

Nota: 8/10